Noite de copa no Maraca: Flamengo domina, sofre reação, mas vence o Cruzeiro e avança às quartas da Libertadores em um jogo eletrizante
Imagem: Reprodução - GE TVRubro-Negro atropela a Raposa no primeiro tempo, abre vantagem com Arrascaeta, sofre o empate de Lucas Romero, mas encontra em Samuel Lino o gol da classificação; atuação de Jorginho, Pulgar, Pedro e do camisa 10 sustenta a vitória no Maracanã
O Flamengo está nas quartas de final da Libertadores. Em uma noite de intensidade, pressão, festa nas arquibancadas e enorme superioridade no primeiro tempo, o Rubro-Negro venceu o Cruzeiro por 2 a 1 nesta quarta-feira, no Maracanã, e confirmou sua classificação após o empate por 1 a 1 no jogo de ida, no Mineirão. Com o resultado, o time de Leonardo Jardim fechou o confronto com 3 a 2 no placar agregado e manteve vivo o sonho do quinto título continental.
Foi uma vitória construída em dois tempos completamente diferentes.
No primeiro, o Flamengo foi avassalador.
No segundo, precisou mostrar outra qualidade: capacidade de reagir quando o jogo deixou de estar sob seu controle.
E talvez seja justamente essa combinação que torne a classificação tão importante para Leonardo Jardim.
UMA NOITE DE MARACANÃ LOTADO E UMA TORCIDA QUE EMPURROU DESDE O PRIMEIRO MINUTO
Antes mesmo da bola rolar, o Maracanã já havia deixado claro que aquela não seria uma partida comum.
A torcida rubro-negra preparou um grande mosaico nas arquibancadas, formando a imagem do urubu, mascote do clube, segurando a taça da Libertadores. O espetáculo visual acompanhou uma atmosfera de decisão durante toda a noite.
Quando o Flamengo começou a pressionar, o estádio respondeu.
Cada recuperação de bola era comemorada como um gol.
Cada chegada à área fazia o Maracanã aumentar o volume.
E o Cruzeiro rapidamente percebeu que teria de enfrentar não apenas os 11 jogadores de Leonardo Jardim, mas também um estádio completamente envolvido pela decisão.
PRIMEIRO TEMPO: O FLAMENGO ENGOLIU O CRUZEIRO
A partida começou com uma verdadeira blitz rubro-negra.
O Flamengo avançou suas linhas, pressionou a saída do Cruzeiro e ocupou praticamente todo o campo ofensivo.
A equipe de Artur Jorge não conseguia sair jogando.
Quando recuperava a bola, encontrava poucas alternativas.
E, quando tentava sair pelos lados, rapidamente era encurralada.
A superioridade foi tamanha que, aos 15 minutos, o Flamengo já havia produzido seis finalizações contra nenhuma do Cruzeiro.
Jorginho foi fundamental nesse domínio.
O volante não se limitou a atuar como primeiro passe. Recuava para participar da construção, aproximava-se de Pulgar para criar superioridade na saída e, quando o Flamengo avançava, encontrava espaços para lançar os jogadores pelos corredores.
Foi dele, inclusive, um cruzamento preciso que encontrou Léo Ortiz em uma das primeiras grandes oportunidades da partida.
PULGAR: O EQUILÍBRIO POR TRÁS DA PRESSÃO
Se Jorginho ajudava a organizar o ataque, Erick Pulgar era responsável por garantir que a agressividade não transformasse o Flamengo em uma equipe vulnerável.
O chileno jogou alguns metros atrás dos companheiros, protegendo a região central e controlando as possíveis transições do Cruzeiro.
Foi exatamente essa função que permitiu ao Flamengo pressionar com tantos jogadores sem perder completamente o equilíbrio.
Pulgar também participou de um lance importante na construção ofensiva: aproveitou um erro na saída cruzeirense e acionou Pedro, que ficou frente a frente com Otávio.
Era o retrato do Flamengo no primeiro tempo: recuperar rapidamente, atacar imediatamente e manter o adversário preso.
SAMUEL LINO FOI UM DOS GRANDES PROBLEMAS PARA A DEFESA DO CRUZEIRO
Pelo lado esquerdo, Samuel Lino foi outro jogador que dificultou enormemente o trabalho defensivo do Cruzeiro.
O atacante não ficou preso à linha lateral.
Alternou movimentos por fora e por dentro, atacou o espaço entre lateral e zagueiro e obrigou William a tomar decisões constantemente.
Lino teve oportunidades antes mesmo do gol de Arrascaeta e já demonstrava que poderia ser decisivo.
A insistência acabou sendo recompensada no segundo tempo.
Mas antes disso, ele ajudou a construir o cenário de domínio que marcou a primeira etapa.
ARRASCAETA ABRE O PLACAR COM A CARA DO FLAMENGO
Aos 34 minutos, a pressão finalmente virou gol.
Arrascaeta recebeu pelo lado esquerdo, carregou a bola para dentro e tabelou com Pedro.
O camisa 9 fez a parede.
Arrascaeta encontrou o espaço.
E finalizou colocado, sem chances para Otávio.
Um golaço.
O gol premiava justamente os dois jogadores que mais simbolizam a capacidade técnica do Flamengo.
Pedro oferecendo apoio e inteligência para a tabela.
Arrascaeta atacando o espaço criado e finalizando com precisão.assista o gol aqui
O Maracanã explodiu.
E, naquele momento, o Flamengo parecia caminhar para uma classificação tranquila.
PEDRO: MAIS IMPORTANTE DO QUE O GOL QUE NÃO MARCOU
Pedro não balançou as redes, mas foi um dos jogadores mais importantes da partida.
O camisa 9 participou diretamente dos dois gols.
No primeiro, fez a tabela que deixou Arrascaeta em condições de finalizar.
No segundo, recebeu na entrada da área e encontrou Samuel Lino com um toque de enorme qualidade.
É exatamente esse tipo de atuação que mostra por que o centroavante pode ser decisivo mesmo quando não aparece na súmula como goleador.
Pedro funcionou como referência.
Prendeu os zagueiros.
Recuou para participar da construção.
Abriu espaços.
E ainda encontrou os companheiros com passes que desmontaram a última linha defensiva.
Sua atuação foi muito mais completa do que simplesmente esperar a bola dentro da área.
ARTUR JORGE MUDA O CRUZEIRO, MAS O FLAMENGO CONTINUA CONTROLANDO
Artur Jorge tentou ajustar o Cruzeiro depois do intervalo.
A equipe passou a buscar mais os corredores e a adiantar alguns jogadores.
O objetivo era impedir que o Flamengo continuasse dominando o meio-campo com tanta facilidade.
E a mudança funcionou.
Mas não antes do Flamengo sofrer uma situação que alteraria completamente o roteiro da partida.
JORGINHO SALVA, MAS ROMERO EMPATA
Logo no começo do segundo tempo, Jorginho apareceu para salvar o Flamengo em cima da linha, evitando que o Cruzeiro empatasse.
O lance era um alerta.
O Cruzeiro já não estava tão acuado.
E, aos cinco minutos, chegou ao empate.
Gerson recebeu pela linha de fundo e encontrou Lucas Romero.
O volante argentino arriscou de fora da área e acertou um chute cruzado, forte e preciso, que superou Rossi.
Outro golaço.
O 1 a 1 devolveu a confiança ao Cruzeiro e mudou completamente o ambiente da partida.
De repente, o time que havia sido dominado durante praticamente toda a primeira etapa passou a acreditar na classificação.
O MOMENTO EM QUE O FLAMENGO MOSTROU MATURIDADE
Era exatamente aí que Jardim precisava de uma resposta.
O Flamengo parecia ter se desorganizado.
Poderia ter permitido que o Cruzeiro transformasse o empate em domínio.
Mas o treinador encontrou uma solução dentro do próprio modelo.
O time voltou a aproximar seus jogadores ofensivos, retomou a circulação pelo meio e voltou a procurar Samuel Lino em situações de um contra um.
A resposta veio apenas 11 minutos depois.
SAMUEL LINO DEVOLVE A VANTAGEM AO FLAMENGO
Aos 16 minutos, Arrascaeta encontrou Pedro na entrada da área.
O camisa 9, novamente, participou da jogada.
Com um toque rápido, deixou Samuel Lino em condições de atacar a defesa.
O atacante recebeu, encarou William, deixou o marcador no chão e finalizou com precisão.
Mais um golaço.assista o gol aqui
Flamengo 2 a 1.
O Maracanã voltou a explodir.
E o gol teve um significado tático enorme.
O Flamengo não precisou mudar completamente seu modelo para recuperar a vantagem.
Voltou a utilizar os mesmos mecanismos que haviam funcionado no primeiro tempo: aproximação entre os jogadores ofensivos, circulação rápida e ataque aos espaços.
ONDE LEONARDO JARDIM VENCEU O DUELO TÁTICO
A principal vantagem do Flamengo esteve na ocupação do meio-campo.
Jardim organizou sua equipe em um 4-3-3, com Pulgar funcionando como referência de equilíbrio, Jorginho participando da construção e Arrascaeta recebendo liberdade para avançar e se aproximar dos atacantes.
Na prática, o sistema se transformava constantemente.
Com a bola, o Flamengo conseguia formar uma estrutura ofensiva muito mais agressiva, com os laterais avançando e Arrascaeta se aproximando de Pedro.
Sem a bola, o time conseguia formar linhas mais compactas e pressionar a primeira construção do Cruzeiro.
O resultado foi uma superioridade territorial impressionante no primeiro tempo.
O CRUZEIRO TENTOU JOGAR NO CONTRA-ATAQUE, MAS FICOU SEM CAMPO
Artur Jorge precisava de espaço para que Wesley, Arroyo e Kaio Jorge pudessem explorar velocidade.
O problema é que o Flamengo quase não ofereceu esse espaço durante a primeira etapa.
Ao pressionar alto, o Rubro-Negro recuperava a bola antes que o Cruzeiro conseguisse acelerar.
Quando a Raposa conseguia sair, Pulgar e Jorginho fechavam o corredor central.
O Cruzeiro acabou obrigado a recorrer a lançamentos e ataques mais diretos.
Foi exatamente o tipo de jogo que favorecia o Flamengo.
O SEGUNDO TEMPO MOSTROU A FRAGILIDADE QUE A GOLEADA SOBRE O MIRASSOL ESCONDEU
Mas a partida também confirmou um problema que Leonardo Jardim ainda precisa corrigir.
Quando o Cruzeiro conseguiu quebrar a primeira pressão, encontrou espaços.
O gol de Romero nasceu justamente de uma situação em que o Flamengo não conseguiu controlar completamente a segunda bola e permitiu que o volante tivesse espaço para finalizar.
Depois do empate, a Raposa também encontrou momentos para atacar.
Matheus Pereira chegou a ter uma oportunidade perigosa dentro da área, mas Pulgar desviou a bola e evitou uma situação ainda mais complicada para Rossi.
O Flamengo precisa aprender a administrar melhor esses momentos.
A agressividade é uma virtude.
Mas, em mata-mata, é preciso saber quando acelerar e quando controlar.
ARRASCAETA, O DONO DOS MOMENTOS GRANDES
Mais uma vez, Arrascaeta apareceu quando o Flamengo mais precisava.
O uruguaio não apenas marcou o primeiro gol.
Foi o jogador responsável por conectar o meio-campo ao ataque, movimentar-se entre as linhas e acelerar as jogadas no último terço.
Sua atuação teve exatamente a característica que tornou o camisa 10 um dos maiores ídolos da história recente do clube: capacidade de aparecer nos momentos decisivos.
E, nesta noite, o Maracanã voltou a testemunhar isso.
JORGINHO: EXPERIÊNCIA PARA UMA NOITE DE PRESSÃO
Jorginho também merece destaque especial.
O volante foi importante na construção, participou da pressão e ainda salvou uma bola em cima da linha no início do segundo tempo.
Foi uma atuação que combinou técnica e leitura de jogo.
Mais do que distribuir passes, Jorginho entendeu quando acelerar, quando controlar e quando ocupar o espaço deixado pelos companheiros.
Em uma partida de Libertadores, esse tipo de experiência pesa.
PULGAR: O HOMEM QUE DEU EQUILÍBRIO AO FLAMENGO
Pulgar foi outro dos grandes nomes da classificação.
Seu trabalho foi menos vistoso do que os gols de Arrascaeta e Samuel Lino, mas fundamental para a estrutura.
Foi responsável por proteger a defesa, controlar a região central e interromper algumas das melhores tentativas do Cruzeiro.
No momento mais perigoso da reta final, apareceu novamente para desviar a finalização de Matheus Pereira.
É exatamente esse tipo de atuação silenciosa que permite aos jogadores ofensivos assumirem protagonismo.
O CRUZEIRO TEVE CORAGEM, MAS NÃO TEVE A MESMA EFICIÊNCIA
Artur Jorge merece crédito pela reação do Cruzeiro.
O time voltou muito melhor para o segundo tempo, aumentou a intensidade e conseguiu tirar o Flamengo da zona de conforto.
Mas faltou qualidade na última decisão.
Depois do 2 a 1, a Raposa teve momentos para pressionar, mas não conseguiu transformar posse e volume em chances claras suficientes para buscar o empate.
O Flamengo, por outro lado, também teve oportunidades para matar o confronto.
A diferença esteve na eficiência.
OS TRÊS GOLS QUE CONTARAM A HISTÓRIA DA PARTIDA
O primeiro gol foi a síntese do Flamengo dominante: Arrascaeta recebeu de Pedro, conduziu para dentro e acertou uma finalização precisa aos 34 minutos.
O segundo mostrou a reação do Cruzeiro: Gerson encontrou Romero, que aproveitou espaço e acertou um chute de fora da área aos cinco minutos da segunda etapa.
O terceiro foi novamente a resposta rubro-negra: Pedro encontrou Samuel Lino, que desmontou William no um contra um e finalizou para fazer 2 a 1 aos 16 minutos.
Três gols diferentes.
Três momentos diferentes.
E uma mesma história: o Flamengo sempre encontrou uma resposta.
UMA TORCIDA QUE TRANSFORMOU O MARACANÃ EM FATOR DECISIVO
O resultado também precisa ser dividido com a torcida.
O Maracanã foi parte ativa da classificação.
Desde o mosaico antes do jogo até os minutos finais, a Nação criou um ambiente de Libertadores.
A cada pressão rubro-negra, o estádio empurrava.
Depois do empate de Romero, o apoio não diminuiu.
E, quando Samuel Lino marcou o segundo, a explosão nas arquibancadas deixou claro que o Maracanã havia novamente assumido seu papel histórico em uma noite continental.
A festa começou antes da bola rolar e terminou depois do apito final.
O FLAMENGO ESTÁ NAS QUARTAS
A vitória por 2 a 1 colocou o Flamengo nas quartas de final da Libertadores pela décima vez e manteve o Rubro-Negro vivo na luta pelo quinto título continental. O adversário ainda será definido entre Independiente del Valle e Tolima, confronto que teve sua definição adiada.
Mas, mais do que a classificação, a noite no Maracanã deixou uma mensagem.
O Flamengo mostrou que pode dominar uma equipe de alto nível.
Mostrou que seu modelo de pressão funciona.
Mostrou que Jorginho e Pulgar podem oferecer o equilíbrio necessário para liberar Arrascaeta.
Mostrou que Pedro pode ser decisivo mesmo sem marcar.
E mostrou que Samuel Lino começa a assumir o protagonismo que se esperava dele.
Ainda existem problemas defensivos a corrigir.
Ainda existe margem para evolução.
Mas, quando o Flamengo joga com a intensidade apresentada no primeiro tempo, com a qualidade técnica de Arrascaeta e Pedro e com a energia de Samuel Lino pelos lados, o time de Leonardo Jardim se transforma em uma equipe extremamente difícil de controlar.
O Cruzeiro sobreviveu ao primeiro tempo. Reagiu no segundo. Mas o Flamengo teve a resposta que precisava.
E, no Maracanã, diante de uma torcida que transformou a noite em uma verdadeira festa de Libertadores, foi suficiente para colocar o Rubro-Negro entre os oito melhores da América.
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