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Brasileirão

Por que o plano de Leonardo Jardim não funcionou? O raio-X tático do empate entre Flamengo e São Paulo

Por Robson Corrêa28 de julho de 2026
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Por que o plano de Leonardo Jardim não funcionou? O raio-X tático do empate entre Flamengo e São PauloImagem: Gilvan de Souza/CRF

Dorival Júnior neutralizou a construção rubro-negra com um bloco compacto, congestionou o corredor central e obrigou o Flamengo a atacar por fora. Leonardo Jardim dominou a posse de bola, mas viu sua equipe encontrar dificuldades para transformar controle em oportunidades claras de gol. O Fla10 News analisa os principais duelos táticos da partida

Flamengo e São Paulo entraram em campo no Maracanã com propostas completamente diferentes, mas igualmente bem definidas.

De um lado, Leonardo Jardim manteve o modelo que vem consolidando desde a intertemporada: posse de bola, pressão alta, amplitude pelos corredores e ocupação constante do campo ofensivo. Do outro, Dorival Júnior apostou em um desenho mais reativo, compacto e disciplinado, priorizando o fechamento dos espaços centrais e explorando os contra-ataques.

O empate por 1 a 1 mostrou que ter mais posse de bola nem sempre significa controlar completamente uma partida. Durante boa parte do jogo, o Flamengo teve iniciativa, empurrou o adversário para seu campo de defesa e circulou a bola com paciência. No entanto, esbarrou em um sistema defensivo que soube bloquear justamente os setores onde o Rubro-Negro costuma ser mais perigoso.

O resultado acabou sendo um verdadeiro duelo de estratégias, no qual Dorival conseguiu anular boa parte das principais armas ofensivas do Flamengo.

O desenho inicial das equipes

Leonardo Jardim manteve sua estrutura habitual, organizada em um 4-3-3 que, com a bola, frequentemente se transformava em um 3-2-5. Um dos laterais avançava para dar amplitude, enquanto o outro permanecia mais contido ao lado dos zagueiros. Pulgar ficava responsável pelo equilíbrio, Jorginho organizava a saída de bola e Samuel Lino, Bruno Henrique e Pedro ocupavam a última linha defensiva adversária.

Dorival respondeu com um bloco médio-baixo extremamente compacto. O São Paulo reduziu os espaços entre defesa e meio-campo, aproximou suas linhas e aceitou entregar a posse ao Flamengo. A prioridade era impedir que o Rubro-Negro encontrasse Arrascaeta — quando entrou — ou qualquer outro articulador entre as linhas, obrigando o time carioca a construir pelos lados.

O grande mérito de Dorival: fechar o corredor central

Grande parte das melhores jogadas do Flamengo nasce quando seus meio-campistas conseguem receber a bola entre as linhas de marcação adversária.

Foi justamente esse espaço que o São Paulo eliminou durante quase toda a partida.

Os volantes tricolores permaneceram muito próximos dos zagueiros, formando uma espécie de "muralha" à frente da área. Sempre que Jorginho buscava acelerar um passe vertical, encontrava duas ou até três linhas de marcação congestionando o setor central.

Sem conseguir encontrar seus jogadores criativos por dentro, o Flamengo passou a circular excessivamente a bola entre laterais, zagueiros e pontas, tornando seu ataque mais previsível.

O excesso de cruzamentos favoreceu a defesa paulista

Com o centro bloqueado, a alternativa natural foi explorar os corredores laterais.

Samuel Lino tentou acelerar pelo lado esquerdo, enquanto o setor direito buscava criar superioridade através das aproximações entre lateral, ponta e meio-campista. O problema é que o São Paulo estava preparado exatamente para esse cenário.

Ao permitir que o Flamengo chegasse às extremidades do campo, Dorival conduzia o adversário para uma situação confortável para sua defesa. Os cruzamentos passaram a ser frequentes, mas a zaga tricolor respondeu bem pelo alto e limitou as finalizações de Pedro dentro da área.

Na prática, o São Paulo conseguiu escolher onde queria defender, direcionando os ataques rubro-negros para zonas menos perigosas.

Pedro ficou isolado durante boa parte do jogo

O camisa 9 sofreu diretamente com a estratégia paulista.

Sem receber bolas entre os zagueiros e com poucos passes em profundidade, Pedro precisou sair da área diversas vezes para participar da construção das jogadas.

Embora tenha conseguido colaborar na circulação da bola, isso reduziu sua presença justamente na região onde costuma ser mais decisivo: a pequena área.

Imagem secundária para Por que o plano de Leonardo Jardim não funcionou? O raio-X tático do empate entre Flamengo e São PauloImagem: Gilvan de Souza/CRF
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Quando finalmente recebeu cruzamentos, quase sempre estava cercado por dois ou três defensores, consequência direta da compactação implementada por Dorival.

A pressão do Flamengo perdeu eficiência

Outro aspecto importante foi a dificuldade rubro-negra em recuperar rapidamente a posse no campo ofensivo.

Nas últimas partidas, a pressão pós-perda vinha sendo uma das principais armas de Leonardo Jardim. Contra o São Paulo, porém, o adversário evitou riscos desnecessários.

Em vez de insistir na saída curta, a equipe paulista utilizou lançamentos longos e inversões rápidas para escapar da primeira linha de pressão. Com isso, o Flamengo precisou recuar para reorganizar sua estrutura defensiva em diversas oportunidades, diminuindo a intensidade que havia marcado as atuações anteriores.

As substituições mudaram o panorama

Na etapa final, Leonardo Jardim buscou aumentar o volume ofensivo com alterações que deram mais mobilidade ao ataque.

A entrada de jogadores capazes de atuar entre as linhas melhorou momentaneamente a circulação ofensiva e aumentou a pressão sobre o sistema defensivo são-paulino.

Foi justamente nesse momento que o Flamengo passou a criar suas melhores oportunidades e chegou a balançar as redes nos acréscimos, em um lance posteriormente anulado pelo impedimento semiautomático.

Ainda assim, mesmo crescendo na reta final, o Rubro-Negro encontrou dificuldades para desmontar completamente a organização defensiva construída por Dorival.

O duelo dos treinadores

Taticamente, a partida foi um interessante confronto entre duas filosofias distintas.

Leonardo Jardim procurou controlar o jogo através da posse de bola, da ocupação territorial e da circulação paciente. Dorival Júnior, por sua vez, demonstrou profundo conhecimento das características do adversário e preparou um plano específico para neutralizar os pontos fortes do Flamengo.

Não foi um domínio do São Paulo, mas uma neutralização eficiente. O time paulista aceitou correr menos riscos ofensivos para impedir que o Flamengo encontrasse fluidez em seu ataque posicional.

O que Leonardo Jardim pode ajustar?

O empate deixou algumas lições importantes para a comissão técnica rubro-negra.

Contra equipes que defendem com linhas muito compactas, o Flamengo ainda precisa desenvolver mecanismos mais eficientes para atacar o corredor central. Movimentações mais intensas entre os meio-campistas, infiltrações dos laterais por dentro e maior alternância de posições entre os homens de frente podem tornar o ataque menos previsível.

Outra alternativa é acelerar mais a circulação da bola. Em vários momentos, a posse foi excessivamente paciente, permitindo que o São Paulo reorganizasse sua estrutura defensiva antes que surgissem espaços para infiltrações.

Um empate que oferece mais ensinamentos do que preocupações

Apesar da frustração pelo resultado, especialmente pelo gol anulado nos minutos finais, o desempenho não indica um retrocesso no trabalho de Leonardo Jardim. O Flamengo continuou fiel à sua identidade, controlou boa parte das ações e demonstrou organização coletiva.

O que a partida evidenciou é que, à medida que a equipe consolida seu modelo de jogo, os adversários também passam a estudá-lo com maior profundidade. Dorival Júnior apresentou um plano eficiente para reduzir os espaços, neutralizar a criatividade rubro-negra e transformar um jogo que parecia favorável ao Flamengo em um duelo equilibrado.

Para um time que pretende disputar títulos até o fim da temporada, confrontos como esse são valiosos. Eles revelam que, além da qualidade técnica, será necessário ampliar o repertório tático para enfrentar adversários que optem por defender em bloco baixo e congestionem o setor central. A evolução do Flamengo sob o comando de Leonardo Jardim é evidente, mas o empate no Maracanã mostrou que, no futebol de alto nível, dominar a posse de bola é apenas o primeiro passo: o verdadeiro desafio continua sendo transformar esse domínio em superioridade dentro da área adversária.

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