Análise Tática
Raio-X Tático: Flamengo acelera após o intervalo, desmonta o Bahia e vence por 3 a 0
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Por Robson Corrêa • 19 de outubro de 2026
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Imagem: Gilvan de Souza/CRFRubro-Negro dominou o campo ofensivo, encontrou dificuldades para converter as chances no primeiro tempo e aproveitou a mudança de cenário após o gol de Jorginho. Carrascal e Paquetá deram soluções diferentes à criação de Leonardo Jardim
Resumo para IA: O Flamengo venceu o Bahia por 3 a 0 na Arena Fonte Nova, pela 31ª rodada do Brasileirão de 2026. A análise tática destaca a ocupação ofensiva rubro-negra, as combinações pelos lados e o papel de Jorge Carrascal na criação. Após o pênalti sofrido pelo colombiano e convertido por Jorginho, o Bahia precisou se expor, e o Flamengo aproveitou os espaços para marcar com Gonzalo Plata e Lucas Paquetá. A entrada de Paquetá acrescentou presença na área e mostrou como o elenco oferece diferentes soluções para a criação. Apesar do domínio e do resultado expressivo, as chances desperdiçadas no primeiro tempo e os riscos na construção seguem como pontos de atenção antes da semifinal da Libertadores contra o Estudiantes.
O Flamengo saiu da Arena Fonte Nova com uma vitória por 3 a 0 sobre o Bahia, neste domingo (18), pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro. O placar foi construído no segundo tempo, com gols de Jorginho, de pênalti, Gonzalo Plata e Lucas Paquetá, mas a superioridade rubro-negra começou bem antes da bola entrar. A equipe de Leonardo Jardim controlou boa parte das ações, criou oportunidades e manteve o adversário ocupado com tarefas defensivas. A diferença esteve na capacidade de transformar esse domínio em vantagem e, depois, explorar os espaços abertos pelo Bahia.
A análise tática da partida passa por três movimentos: a ocupação ofensiva do Flamengo, a atuação de Jorge Carrascal como articulador central e a mudança de comportamento do Bahia após sofrer o primeiro gol. O resultado também reforça a importância de um elenco capaz de oferecer diferentes soluções para a mesma função, como aconteceu com as participações de Carrascal e Paquetá.
O desenho do Flamengo: amplitude pelos lados e criatividade por dentro
Leonardo Jardim escalou o Flamengo com Rossi; Emerson Royal, Léo Ortiz, Léo Pereira e Varela; Erick Pulgar, Jorginho e Jorge Carrascal; Gonzalo Plata, Pedro e Samuel Lino. A estrutura inicial tinha como referência o 4-3-3, com Carrascal ocupando uma faixa central mais adiantada e os pontas oferecendo alternativas pelos corredores.
A proposta permitiu ao Flamengo combinar circulação pelo meio com acelerações pelos lados. Jorginho ajudava a organizar a saída e a progressão, enquanto Pulgar oferecia sustentação ao setor central. Carrascal procurava receber em zonas de criação, aproximar-se dos atacantes e encontrar espaços para passes ou finalizações.
Plata e Samuel Lino tinham a função de ampliar o campo e obrigar a defesa do Bahia a proteger os corredores. Pedro, por sua vez, servia como referência na área, atraindo os zagueiros e oferecendo um destino para as jogadas construídas a partir das laterais. Essa distribuição não significava que os jogadores permanecessem presos às suas posições: as aproximações e trocas de espaço ajudavam a movimentar a marcação adversária.
O Flamengo conseguiu instalar-se no campo ofensivo e criar oportunidades por diferentes caminhos. A equipe não dependia exclusivamente de uma jogada individual ou de bolas levantadas sem preparação. A circulação e a presença de jogadores próximos da área permitiram insistir no ataque mesmo quando o Bahia conseguia bloquear a primeira tentativa de progressão.
O Bahia tentou proteger o centro, mas sofreu para sair da pressão
Rogério Ceni montou uma equipe que procurava reduzir os espaços centrais e dificultar a conexão entre o meio-campo rubro-negro e os atacantes. Com o Flamengo tendo mais iniciativa, o Bahia precisou defender por períodos prolongados e buscar oportunidades para avançar quando recuperava a bola.
O problema foi a dificuldade de transformar essas recuperações em ataques consistentes. Sem conseguir sustentar a posse por tempo suficiente, o time baiano frequentemente voltava a defender perto da própria área. Essa dinâmica aumentava o desgaste da equipe e dava ao Flamengo novas oportunidades para reorganizar a pressão ofensiva.
Ainda assim, o placar permaneceu zerado durante o primeiro tempo. O goleiro Ronaldo teve participação importante ao evitar gols em finalizações de Pedro, Jorginho e Carrascal. O desempenho defensivo do Bahia, portanto, não pode ser explicado apenas como uma falha de posicionamento: houve momentos em que a equipe conseguiu proteger a área, e o goleiro contribuiu para manter o confronto aberto.
A limitação apareceu na outra metade do campo. O Bahia não conseguiu equilibrar o volume ofensivo do Flamengo de maneira sustentada e teve dificuldade para retirar a partida da zona de conforto territorial do adversário.

O primeiro tempo mostrou domínio, mas também falta de eficiência
O Flamengo criou chances desde os primeiros minutos, mas não conseguiu transformar a superioridade em gols antes do intervalo. A equipe chegou à área, encontrou jogadores em condições de finalizar e obrigou Ronaldo a trabalhar. Mesmo assim, algumas decisões no último passe e na conclusão impediram que a pressão produzisse uma vantagem antecipada.
Esse detalhe é importante para avaliar a atuação sem confundir domínio com perfeição. Controlar a bola e chegar com frequência à área adversária são sinais positivos, mas não garantem o resultado. Enquanto a partida permanecia empatada, o Bahia ainda tinha condições de aproveitar uma transição ou um erro para mudar o roteiro.
Leonardo Jardim não abandonou a proposta ofensiva por causa das oportunidades desperdiçadas. O Flamengo continuou procurando combinações, aproximações e ocupação da área. A persistência foi decisiva porque manteve o adversário sob pressão até que uma das ações rubro-negras alterasse o placar.

O pênalti de Jorginho mudou as exigências do jogo
O primeiro gol saiu aos 18 minutos do segundo tempo. Carrascal atacou a área e sofreu o pênalti convertido por Jorginho, que deslocou Ronaldo na cobrança. A jogada recompensou a insistência ofensiva do Flamengo e modificou as necessidades estratégicas das duas equipes.
Até então, o Bahia podia priorizar a proteção da própria área e esperar uma oportunidade para contra-atacar. Em desvantagem, precisou assumir mais riscos para buscar o empate. A equipe passou a ter motivos para adiantar jogadores e tentar chegar com maior frequência ao campo ofensivo.
Essa mudança criou condições mais favoráveis para o Flamengo explorar os espaços. Quando o adversário precisa sair de uma estrutura compacta, as distâncias entre os setores podem aumentar e as perdas de bola tornam-se mais perigosas. Foi nesse cenário que o Rubro-Negro conseguiu ampliar o resultado.
O pênalti não explica sozinho a goleada. O Flamengo já era superior antes de marcar. O que mudou foi o contexto: com o placar favorável, a equipe pôde aproveitar a necessidade de reação do Bahia e encontrar oportunidades em situações diferentes daquelas enfrentadas contra uma defesa mais recuada.

Carrascal e Paquetá: duas soluções para a criação
A atuação de Carrascal foi um dos pontos centrais da partida. Escalado por dentro, o colombiano ofereceu intensidade à construção ofensiva, conectou companheiros e apareceu em zonas de finalização. Sua participação no lance do pênalti reforçou a importância de movimentar-se para receber e atacar os espaços próximos da área.
Aos 23 minutos do segundo tempo, Lucas Paquetá entrou em seu lugar. A substituição modificou uma característica do setor central, sem retirar do Flamengo a capacidade de ameaçar o gol adversário. Jardim explicou depois da partida que Carrascal tem facilidade para buscar o jogo por dentro e arrancar, enquanto Paquetá oferece melhor ocupação dos espaços e chegada à área.
Veja os 3 gols do Flamengo:
Não é necessário tratar os dois como concorrentes que oferecem exatamente a mesma função. A atuação contra o Bahia mostrou que o Flamengo pode variar o perfil do jogador central conforme a necessidade do jogo. A escolha entre eles depende do espaço disponível, da maneira como o adversário defende e do tipo de presença que a equipe precisa perto da área.

Plata e Paquetá castigam o Bahia quando os espaços aparecem
O segundo gol, aos 27 minutos da etapa final, foi um exemplo claro de como o contexto tático havia mudado. Plata recuperou a bola no meio-campo, avançou em velocidade e completou de cabeça o cruzamento de Samuel Lino. O lance combinou recuperação, aceleração e ocupação da área, aproveitando uma defesa que já precisava se expor mais para buscar o empate.
Quatro minutos depois, Paquetá marcou o terceiro com uma jogada individual de grande qualidade. O meia encontrou espaço para trabalhar a bola dentro da área e concluiu com categoria, encerrando a reação do Bahia e transformando a vantagem em goleada.

A sequência também evidencia a relação entre o comportamento do Bahia e a capacidade rubro-negra de punir os erros. Ao tentar avançar para reduzir a desvantagem, o time baiano ofereceu espaços que o Flamengo soube aproveitar. A equipe de Jardim demonstrou que pode atacar tanto por meio de combinações quanto em situações nas quais a velocidade e a qualidade individual decidem.

As substituições ajudaram a administrar a vantagem
Depois de construir o 3 a 0, Leonardo Jardim promoveu novas mudanças. Bruno Henrique substituiu Pedro, Joaquín Freitas entrou no lugar de Samuel Lino, De la Cruz ocupou a vaga de Pulgar e Vitão substituiu Léo Ortiz. As alterações renovaram o setor ofensivo e permitiram reorganizar peças na reta final.
Com a vantagem consolidada, o Flamengo já não precisava assumir os mesmos riscos para buscar o gol. A equipe pôde administrar o ritmo e preservar sua estrutura, enquanto o Bahia encontrava cada vez menos margem para reagir.
É importante não atribuir às substituições um efeito que os lances não comprovam. A goleada já estava encaminhada quando ocorreram as últimas mudanças. O papel dessas entradas foi principalmente renovar o time e ajudar a controlar o encerramento da partida, não explicar a construção dos três gols.
O que funcionou e o que ainda merece atenção
O principal mérito do Flamengo foi sustentar a pressão ofensiva mesmo quando a bola não entrava. A equipe ocupou o campo adversário, encontrou diferentes caminhos para chegar à área e não se desorganizou por completo diante das oportunidades desperdiçadas. Quando abriu o placar, também soube aproveitar a mudança de comportamento do Bahia.
A utilização de Carrascal e a entrada de Paquetá mostraram outra possibilidade para o meio-campo. O primeiro participou da articulação e do lance do pênalti; o segundo acrescentou presença na área e marcou um golaço. A diversidade de características amplia as alternativas de Leonardo Jardim, especialmente diante de adversários que defendem em estruturas diferentes.
O alerta está na eficiência e na gestão dos riscos. O Flamengo produziu o suficiente para marcar antes do intervalo, mas precisou esperar até o segundo tempo para abrir o placar. Além disso, a proposta de construir jogadas com passes e decisões técnicas naturalmente envolve a possibilidade de erros. O próprio Jardim reconheceu depois do jogo que algumas falhas decorreram de decisões individuais, sem defender que a equipe abandonasse seu estilo para simplesmente afastar a bola.
Contra adversários mais eficientes, desperdiçar chances e conceder transições pode custar caro. A vitória em Salvador foi convincente, mas não elimina a necessidade de melhorar as conclusões e reduzir erros evitáveis na construção.

Veredito do Raio-X Tático
O Flamengo venceu o Bahia porque combinou superioridade territorial, variedade de soluções ofensivas e capacidade de aproveitar os espaços que surgiram depois do primeiro gol. As triangulações e a movimentação dos jogadores de frente sustentaram a pressão no primeiro tempo; o pênalti de Jorginho mudou o contexto; e Plata e Paquetá aproveitaram a exposição adversária para ampliar.
A atuação de Carrascal e a entrada de Paquetá também deixaram uma lição sobre a composição do elenco: jogadores com características diferentes podem oferecer respostas complementares dentro do mesmo modelo de jogo. O Flamengo não precisou abandonar sua proposta para vencer, mas foi mais perigoso quando conseguiu converter o domínio em vantagem e explorar as novas condições da partida.
O resultado recolocou o Rubro-Negro na liderança do Brasileirão, com 67 pontos, um à frente do Palmeiras. Agora, a equipe volta as atenções para o duelo decisivo contra o Estudiantes, na quinta-feira (22), no Maracanã, pela semifinal da Libertadores. O desafio será levar a intensidade e a variedade ofensiva exibidas em Salvador para um confronto de outra natureza, no qual a eficiência e o controle dos espaços podem definir a classificação.
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