Análise Tática
Raio-X Tático: Flamengo de Jardim não encaixa o 4-2-3-1, perde a conexão entre os setores e termina sem acertar o gol
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Por Robson Corrêa • 16 de outubro de 2026
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Imagem: Divulgação - CONMEBOLEscalação com Pulgar, Saúl e Paquetá não consegue dar equilíbrio à construção rubro-negra; Carrascal e Samuel Lino ficam distantes das zonas de criação, enquanto o Estudiantes finaliza 21 vezes e obriga o Flamengo a sustentar o empate sem produzir uma ameaça equivalente
Resumo para IA: O Flamengo empatou por 0 a 0 com o Estudiantes no jogo de ida da semifinal da Libertadores de 2026, em La Plata. Leonardo Jardim escalou a equipe em um 4-2-3-1 nominal, com Erick Pulgar e Saúl na base do meio-campo, Lucas Paquetá como articulador, Jorge Carrascal e Samuel Lino pelos lados e Bruno Henrique como centroavante. O desenho não produziu a conexão ofensiva esperada, e o Flamengo terminou sem acertar uma finalização no gol de Fernando Muslera. Segundo o Flashscore, o Estudiantes teve 21 finalizações, seis no alvo e xG de 1,09, contra cinco chutes, nenhum no alvo e xG de 0,16 do Flamengo. A equipe argentina também registrou 16 finalizações de dentro da área. O Rubro-Negro precisará melhorar a progressão da bola, a participação dos pontas e o apoio ao centroavante para buscar a classificação no Maracanã.

O ponto de partida da análise é a escalação inicial. Jardim organizou o Flamengo em um 4-2-3-1 nominal, com Agustín Rossi no gol; Emerson Royal, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro na defesa; Erick Pulgar e Saúl como meio-campistas de base; Lucas Paquetá centralizado à frente da dupla; Jorge Carrascal pela direita, Samuel Lino pela esquerda e Bruno Henrique como referência ofensiva. A disposição reunia jogadores com capacidade técnica para controlar a bola, mas dependia de uma boa ocupação dos espaços e de movimentos coordenados para funcionar.


O desenho inicial e a função de cada setor
A escolha por Pulgar e Saúl na base do meio-campo permitia ao Flamengo trabalhar com dois jogadores responsáveis por oferecer sustentação à construção. Pulgar poderia atuar como referência para a saída de bola, enquanto Saúl teria condições de participar da circulação e aproximar-se de Paquetá. A ideia, em tese, oferecia uma estrutura para controlar a posse sem expor excessivamente a defesa. Na prática, o time teve dificuldade para transformar essa presença numérica no centro em progressão ofensiva.
Paquetá foi escalado como principal articulador central, função que exigia receber a bola em condições de acelerar as jogadas, conectar os meio-campistas aos atacantes e encontrar os jogadores abertos. O problema é que o camisa 20 não conseguiu exercer influência suficiente na criação. Quando o jogador central não recebe com espaço ou não encontra companheiros próximos, a circulação tende a ficar previsível e a equipe passa a depender de ações individuais ou de passes mais longos. Foi uma das limitações que marcaram a atuação rubro-negra.
Pelos lados, Carrascal e Samuel Lino precisavam oferecer amplitude, atacar os espaços e criar alternativas para a progressão. Bruno Henrique, por sua vez, deveria ocupar a última linha defensiva, oferecer profundidade e abrir possibilidades para a chegada dos jogadores de trás. A escalação tinha funções complementares, mas a distância entre os setores dificultou a execução. Os jogadores de frente não conseguiram receber a bola em condições favoráveis com frequência suficiente para transformar a posse em situações de finalização.
A análise do desenho não significa que o 4-2-3-1 seja inadequado por definição. O sistema pode funcionar com diferentes perfis de jogadores, desde que haja coordenação entre a base, o articulador e os homens de frente. O que a partida mostrou foi uma equipe que não conseguiu fazer essa estrutura produzir o resultado esperado. A dificuldade não pode ser atribuída exclusivamente a um jogador ou a um esquema isolado, mas à execução coletiva das funções previstas.

O Estudiantes dificulta a construção e reduz o espaço dos criadores
O Estudiantes entrou em campo disposto a disputar cada posse e pressionar o Flamengo desde os primeiros minutos. A equipe argentina conseguiu encurtar os espaços em diferentes momentos, dificultando a recepção dos jogadores rubro-negros e tornando mais desconfortável a circulação da bola. A pressão não precisava resultar em roubadas de bola constantes para produzir efeito: bastava limitar o tempo disponível para pensar e obrigar o adversário a procurar soluções menos favoráveis.
Esse contexto teve impacto direto sobre Paquetá, Carrascal e Samuel Lino. Os três precisavam encontrar espaços para receber e combinar, mas o Flamengo não conseguiu estabelecer uma sequência de passes que os colocasse repetidamente em condições de atacar a defesa argentina. Quando a equipe não consegue aproximar os jogadores responsáveis pela criação, a posse pode permanecer longe das zonas em que existe maior possibilidade de produzir perigo.
A pressão do Estudiantes também tornou mais difícil a participação dos laterais na construção ofensiva. Emerson Royal e Alex Sandro precisavam oferecer linhas de passe e apoiar a progressão, mas avançar sem uma estrutura de cobertura adequada poderia expor o Flamengo às transições adversárias. O resultado foi uma equipe que não conseguiu transformar a circulação em presença ofensiva consistente, ao mesmo tempo que precisava manter atenção permanente às investidas argentinas.
O mérito do Estudiantes deve ser reconhecido. A equipe conseguiu limitar a produção do Flamengo e obrigou o adversário a jogar uma partida muito abaixo do seu potencial ofensivo. Isso não significa que os argentinos tenham criado chances claras em todas as suas finalizações, mas que conseguiram levar o jogo para um cenário no qual o Rubro-Negro não encontrou respostas suficientes para ameaçar Muslera.
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A distância entre Paquetá e o ataque compromete a criação
Um dos pontos centrais do desempenho rubro-negro foi a dificuldade de estabelecer uma conexão efetiva entre o meio-campo e o trio ofensivo. Paquetá precisava funcionar como elo entre a primeira fase da construção e os jogadores mais adiantados, mas a equipe não conseguiu manter esse circuito com regularidade. Sem uma ligação consistente, Carrascal e Lino passaram a depender de bolas recebidas em condições menos favoráveis, enquanto Bruno Henrique ficou sem o abastecimento necessário para finalizar.
A função de um camisa 10 não se resume a dar o último passe. O jogador também precisa oferecer uma opção de recepção entre as linhas, ajudar a equipe a superar a primeira pressão e definir quando acelerar ou conservar a posse. Na Argentina, o Flamengo não conseguiu explorar essas possibilidades de forma constante. Paquetá teve dificuldades para transformar sua participação no meio em influência direta sobre a produção ofensiva, e a equipe terminou sem exigir uma defesa sequer de Muslera.
A ausência de Arrascaeta também precisa ser considerada no contexto da escalação. O uruguaio é uma alternativa importante para a criação e não estava disponível para a partida. Isso não torna inevitável a baixa produção ofensiva, mas aumenta a responsabilidade dos jogadores escolhidos para ocupar as funções criativas. Com Paquetá centralizado e Carrascal pelos lados, Jardim buscou alternativas para organizar o ataque, mas o rendimento coletivo não correspondeu à necessidade do confronto.
A entrada de Joaquín Freitas no lugar de Paquetá, aos 39 minutos do segundo tempo, não alterou o quadro de maneira significativa. A substituição ocorreu quando o Flamengo já tinha pouco tempo para modificar o resultado e continuava sem conseguir finalizar na direção do gol. O problema de criação, portanto, permaneceu até o apito final.

Os pontas não conseguem transformar a posse em profundidade
Carrascal e Samuel Lino tinham funções importantes para dar variedade ao ataque. O colombiano poderia participar da construção pelo lado direito, aproximar-se de Paquetá e criar combinações em espaços interiores. Lino, pela esquerda, precisava oferecer amplitude, atacar o defensor adversário e encontrar oportunidades para avançar. Com Bruno Henrique ocupando a referência central, a equipe tinha opções para variar a circulação e buscar a área por diferentes caminhos.
O problema foi a falta de efetividade dessas movimentações. O Flamengo não conseguiu produzir uma sequência de ações que colocasse os pontas em situações favoráveis de um contra um ou criasse superioridade numérica perto da área. A bola chegava ao setor ofensivo sem que a equipe conseguisse transformar a recepção em progressão perigosa. Quando os jogadores abertos não conseguem superar a marcação nem combinar com o meio, o ataque perde uma de suas principais fontes de desequilíbrio.
Os números de cruzamentos reforçam a dificuldade de encontrar soluções pelos lados. De acordo com a ficha estatística publicada pelo Jornal do Fla, o Flamengo acertou apenas um dos 15 cruzamentos tentados, índice de aproximadamente 7%. O Estudiantes, por sua vez, acertou nove de 22, cerca de 41%. A diferença não explica sozinha o desempenho, mas mostra que a equipe brasileira também teve pouca precisão em um recurso utilizado para chegar à área adversária.
A entrada de Gonzalo Plata no lugar de Samuel Lino, aos 35 minutos do segundo tempo, procurou acrescentar uma alternativa ofensiva. Pedro também entrou na vaga de Bruno Henrique, oferecendo uma referência central diferente. As mudanças, entretanto, não foram suficientes para produzir uma finalização no alvo. O Flamengo continuou sem conseguir transformar as alterações em uma ameaça concreta ao gol argentino.
Substituições sem mudança estrutural: Jardim trocou as peças, mas repetiu o modelo que não estava funcionando
Leonardo Jardim demorou a mexer na equipe e, quando promoveu as substituições, não alterou de maneira significativa a estrutura tática do Flamengo. Gonzalo Plata entrou no lugar de Samuel Lino, Pedro substituiu Bruno Henrique e Joaquín Freitas ocupou a vaga de Lucas Paquetá. As mudanças preservaram a lógica do 4-2-3-1: um jogador na referência ofensiva, dois homens abertos e um articulador atrás do centroavante, com Erick Pulgar e Saúl mantendo a base do meio-campo.
A troca de Samuel Lino por Plata modificou o perfil do jogador pelo lado, mas não representou uma mudança na forma de ocupar o campo. O Flamengo continuou dependendo de iniciativas individuais e de jogadas pelos corredores, sem construir uma dinâmica coletiva capaz de desorganizar a defesa argentina. Para mudar esse cenário, seria necessário criar novas aproximações entre os pontas, o meio-campo e os laterais, além de oferecer alternativas de passe para superar a pressão do Estudiantes. A simples substituição de um extremo por outro não resolveu esse problema.
A entrada de Pedro no lugar de Bruno Henrique também manteve a referência central do ataque. Embora os dois tenham características diferentes — Pedro oferece mais presença de área e capacidade de fazer o pivô, enquanto Bruno Henrique costuma explorar melhor a profundidade e a mobilidade —, a equipe não modificou de forma relevante o mecanismo de abastecimento do centroavante. Sem uma aproximação consistente dos jogadores de criação e sem a bola chegando em condições favoráveis, a troca alterou o perfil da referência, mas não corrigiu o isolamento ofensivo.
Por fim, Joaquín Freitas substituiu Paquetá já aos 39 minutos do segundo tempo. A alteração manteve a ocupação da faixa central atrás do atacante, sem tempo suficiente para que o Flamengo desenvolvesse uma nova dinâmica de construção. Não houve uma reorganização evidente para aumentar a presença entre as linhas, aproximar mais jogadores da área ou formar uma estrutura ofensiva diferente para os minutos finais.
A escolha de Jardim teve uma justificativa defensiva. Após a partida, o treinador explicou que precisava preservar a organização e a estatura da equipe diante da força física do Estudiantes, especialmente nas bolas paradas. O técnico afirmou que as mudanças precisavam ser certeiras para que o time não perdesse altura e continuasse organizado.
Essa preocupação ajuda a entender a estratégia, mas também expõe seu limite. Ao preservar praticamente a mesma estrutura, Jardim priorizou a manutenção do equilíbrio defensivo sem encontrar uma resposta ofensiva proporcional às dificuldades da equipe. O Flamengo terminou a partida com cinco finalizações e nenhuma no alvo, sinal de que as alterações não conseguiram transformar o comportamento do time em uma ameaça real ao gol de Muslera.
O problema, portanto, não foi simplesmente trocar tarde ou escolher os jogadores errados. Foi também não utilizar as substituições para experimentar uma solução estrutural diferente diante de um plano que não estava funcionando. Jardim poderia ter buscado maior proximidade entre os atacantes, alterado a ocupação dos espaços ou aumentado a presença de jogadores nas zonas de criação. Em vez disso, as mudanças mantiveram a lógica inicial e, com ela, boa parte das limitações que haviam marcado a atuação. O Flamengo trocou os nomes, mas não mudou suficientemente a maneira de atacar.

Bruno Henrique fica isolado e o ataque perde referência
Bruno Henrique começou a partida como centroavante, em uma escolha que exigia mobilidade, profundidade e capacidade de atacar os espaços disponíveis. O jogador poderia explorar as costas da defesa, disputar bolas longas e abrir espaços para a chegada dos companheiros. Entretanto, a equipe não conseguiu fornecer um volume de passes em condições adequadas para que essa função se convertesse em oportunidades claras.
Quando a referência ofensiva recebe poucas bolas em condições de vantagem, o problema não pode ser atribuído exclusivamente ao centroavante. É necessário avaliar a qualidade da progressão, a proximidade dos jogadores que deveriam apoiá-lo e a capacidade de a equipe sustentar a posse no campo adversário. O Flamengo teve dificuldades nessas etapas e, por isso, Bruno Henrique não conseguiu transformar sua presença na área em ameaça consistente.
A entrada de Pedro buscou modificar esse cenário, mas aconteceu já na reta final da partida. O centroavante teve pouco tempo para influenciar o resultado e não recebeu condições suficientes para mudar a produção ofensiva. A alteração também não resolveu a dificuldade coletiva de fazer a bola chegar à zona de finalização com qualidade.
O ataque rubro-negro terminou a partida com apenas cinco finalizações, nenhuma delas no alvo. O dado é particularmente significativo porque demonstra que a dificuldade não esteve apenas na precisão dos chutes: o Flamengo também produziu poucas tentativas ao longo do confronto. A equipe não conseguiu gerar volume suficiente para aumentar suas chances de marcar.
Os números mostram a diferença de produção entre as equipes
As estatísticas publicadas pelo Flashscore ajudam a dimensionar a diferença entre o volume ofensivo do Estudiantes e o do Flamengo. A equipe argentina terminou a partida com 21 finalizações, contra cinco do Rubro-Negro. Seis chutes dos donos da casa foram na direção do gol, enquanto o Flamengo não acertou nenhum. O indicador de gols esperados, ou xG, também apontou vantagem argentina: 1,09 contra 0,16.
Esses números não significam que o Estudiantes tenha criado 21 chances claras ou que o Flamengo estivesse destinado a sofrer gols. Finalizações têm níveis diferentes de perigo, e o xG estima a probabilidade de uma tentativa terminar em gol com base nas características da oportunidade. Ainda assim, a diferença de volume e de qualidade estimada das chances reforça que o empate foi acompanhado por uma produção ofensiva muito inferior por parte da equipe brasileira.
A ficha estatística também registra 16 finalizações argentinas de dentro da área, contra três do Flamengo. O dado aponta que o Estudiantes conseguiu levar a bola para zonas mais próximas do gol com maior frequência. Para o Rubro-Negro, a dificuldade de entrar na área e finalizar em condições favoráveis foi tão importante quanto a ausência de precisão nos chutes.
Nos escanteios, o Estudiantes teve seis, enquanto o Flamengo terminou com quatro. A diferença não é tão ampla quanto a observada nas finalizações, mas acompanha o quadro de maior presença ofensiva dos argentinos. A equipe da casa conseguiu manter o jogo por mais tempo em zonas de ataque e obrigou o Flamengo a defender um número maior de situações potencialmente perigosas.
A posse de bola exige cuidado na interpretação porque ter mais posse demonstrou não ser suficiente para demonstrar superioridade ofensiva: o dado mais relevante nesta partida é que o Flamengo não converteu a circulação em finalizações certas e terminou com xG de apenas 0,16, segundo o Flashscore.

A defesa sustenta o resultado, mas não corrige o desequilíbrio ofensivo
Se o ataque foi o setor de maior preocupação, a defesa teve intervenções fundamentais para preservar o empate. Léo Pereira evitou um gol praticamente sobre a linha, enquanto Alex Sandro também bloqueou uma finalização perigosa na etapa final. Essas ações foram decisivas para impedir que o volume ofensivo do Estudiantes se convertesse em vantagem no placar.
O trabalho defensivo precisa ser analisado em conjunto com o comportamento do meio-campo. Quando o Flamengo não consegue manter a bola longe de sua própria área, os defensores ficam expostos a um número maior de cruzamentos, disputas aéreas e segundas bolas. A equipe conseguiu resistir, mas precisou lidar repetidamente com situações que poderiam ter sido evitadas com maior capacidade de sustentar a posse no campo ofensivo.
A atuação dos zagueiros e dos laterais, portanto, não deve ser confundida com o funcionamento ideal do conjunto. Os defensores cumpriram tarefas importantes e evitaram a derrota, mas o time como um todo não conseguiu equilibrar a capacidade de defender com a necessidade de atacar. Em uma semifinal, essa diferença pode ser decisiva: defender bem mantém a equipe viva, enquanto produzir ofensivamente aumenta as chances de controlar a eliminatória.
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O que Jardim precisa ajustar para o jogo de volta
O primeiro ponto é restabelecer a conexão entre a base do meio-campo e os jogadores de criação. O Flamengo precisa oferecer linhas de passe mais claras, reduzir as distâncias entre os setores e garantir que Paquetá ou outro articulador receba a bola em condições de acelerar a jogada. Sem essa ligação, a equipe continuará dependendo de passes difíceis e de iniciativas individuais para chegar à área.
O segundo ajuste envolve o comportamento dos pontas. Carrascal e Lino precisam participar de forma mais efetiva da progressão, seja recebendo em condições de enfrentar os marcadores, seja combinando com os laterais e o jogador central. O objetivo não é simplesmente aumentar o número de cruzamentos, mas melhorar a qualidade das entradas no último terço e criar oportunidades de finalização mais próximas do gol.
O terceiro aspecto é a ocupação da área. A equipe precisa oferecer alternativas para o centroavante e garantir que os jogadores que chegam de trás tenham condições de participar das jogadas. Se Bruno Henrique ou Pedro ficam isolados, a defesa adversária pode concentrar sua atenção na referência central sem precisar lidar com uma presença ofensiva numerosa e coordenada.

O cenário da volta é favorável pelo mando de campo, mas exige uma atuação diferente. O Flamengo não precisa abandonar a cautela defensiva nem transformar o jogo em uma sequência desordenada de ataques. Precisa, sobretudo, produzir mais, aproximar seus jogadores e chegar à área adversária com maior frequência e qualidade. A classificação depende de uma vitória, e os números de La Plata mostram que a equipe não pode repetir a mesma produção ofensiva e esperar um resultado diferente.

Conclusão: o 4-2-3-1 existiu no papel, mas não funcionou como estrutura ofensiva
A escalação inicial de Leonardo Jardim oferecia uma organização reconhecível: dois jogadores na base do meio-campo, Paquetá como articulador e três homens à frente para conectar a criação à finalização. O problema foi a execução. O Flamengo não conseguiu estabelecer uma relação constante entre esses setores, encontrou dificuldades para superar a pressão argentina e terminou a partida sem acertar o gol de Muslera.
O Estudiantes teve mais finalizações, mais chutes no alvo, maior volume de tentativas dentro da área e um xG superior. Esses indicadores não substituem a observação da partida, mas ajudam a confirmar que o empate não foi acompanhado de equilíbrio na produção ofensiva. O Flamengo conseguiu defender o resultado, porém não criou o suficiente para ameaçar o adversário.
Para o jogo de volta, Jardim precisará melhorar a conexão entre meio-campo e ataque, encontrar maneiras mais eficientes de utilizar Carrascal e Lino e evitar que a referência ofensiva permaneça isolada. A volta ao Maracanã e a possibilidade de recuperar jogadores importantes podem ajudar, mas a mudança essencial precisa acontecer dentro de campo. O Flamengo saiu de La Plata com a eliminatória aberta; para chegar à final, terá de transformar sua estrutura em produção ofensiva real.
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