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Flamengo na História

Relembre os momentos que marcaram nossa trajetória.

História

O Artilheiro das Decisões: o homem que marcou os gols que levaram o Flamengo ao topo do mundo

Não era o jogador mais técnico daquele time, mas tinha uma característica que valia ouro em partidas grandes: quando o Flamengo precisava de um gol, Nunes aparecia; relembre a trajetória do camisa 9 que virou símbolo da geração de 80

Publicado em 21 de agosto de 2026
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Por Redação Fla10
O Artilheiro das Decisões: o homem que marcou os gols que levaram o Flamengo ao topo do mundoImagem: Acervo

Existem jogadores que são lembrados pela técnica. Outros, pela quantidade de gols. Alguns ficam marcados por títulos. E existem aqueles que parecem ter sido feitos para um momento específico: a decisão.

No Flamengo, esse jogador tem nome e sobrenome: João Batista Nunes de Oliveira.

O atacante ganhou um apelido que resume perfeitamente sua passagem pelo clube: Artilheiro das Decisões. E não foi por acaso.

Nunes marcou gols em algumas das partidas mais importantes da história rubro-negra e foi uma das peças fundamentais da geração que, entre 1980 e 1983, transformou o Flamengo em uma potência nacional e internacional.

Foram títulos brasileiros, Campeonato Carioca, Libertadores e, finalmente, o Mundial Interclubes.

No centro de tudo estava um camisa 9 que talvez não tivesse o brilho técnico de Zico, a elegância de Júnior ou a criatividade de Adílio, mas possuía algo que não se ensina: o instinto de aparecer quando a história estava sendo escrita.

UM GAROTO QUE O FLAMENGO QUASE DEIXOU ESCAPAR

A relação entre Nunes e Flamengo começou muito antes de ele se transformar em ídolo.

Em 1969, ainda adolescente, o atacante chamou a atenção justamente em Feira de Santana, na Bahia, durante um amistoso entre Flamengo e Fluminense de Feira.

Nunes disputou a partida preliminar e se destacou. O Flamengo percebeu seu potencial e, no ano seguinte, ele chegou ao Rio de Janeiro para integrar as categorias de base.

Mas a história poderia ter terminado ali.

Depois de alguns anos na formação rubro-negra, Nunes não conseguiu se firmar como profissional e deixou o clube. Passou pelo Confiança, onde foi artilheiro do Campeonato Sergipano de 1974, com 17 gols, além de defender outras equipes antes de reconstruir sua carreira.

O Flamengo, porém, voltaria a cruzar o caminho daquele atacante.

E dessa vez Nunes chegaria à Gávea para fazer história.

1980: O PRIMEIRO CAPÍTULO DO ARTILHEIRO DAS DECISÕES

Nunes retornou ao Flamengo em 1980, justamente no início da transformação do clube em uma potência do futebol brasileiro.

A geração liderada por Zico já apresentava um futebol envolvente, com jogadores como Júnior, Andrade, Adílio, Tita e Carpegiani.

Faltava uma peça na frente.

Um atacante capaz de transformar a criação daquele time em gols.

Nunes rapidamente assumiu esse papel.

Sua estreia pelo Flamengo aconteceu diante da Ponte Preta, no Maracanã. Marcou um gol e ainda participou da construção do outro no empate por 2 a 2.

Mas seria na decisão do Campeonato Brasileiro daquele ano que ele começaria a construir definitivamente sua lenda.

O GOL QUE DEU AO FLAMENGO SEU PRIMEIRO BRASILEIRO

O adversário era o Atlético-MG de Reinaldo, Cerezo e Éder.

O Flamengo havia perdido o primeiro jogo por 1 a 0 no Mineirão e precisava vencer no Maracanã.

O cenário era de pressão máxima.

E Nunes apareceu.

Logo aos sete minutos, abriu o placar.

O Atlético reagiu.

O Flamengo voltou a marcar.

O time mineiro buscou novamente o empate.

A tensão aumentava.

Até que, aos 37 minutos do segundo tempo, Nunes recebeu dentro da área, partiu para cima da marcação e finalizou com violência para colocar o Flamengo novamente na frente.

3 a 2.

Título brasileiro.

O camisa 9 acabava de produzir uma das primeiras grandes imagens de sua carreira no Flamengo.

A partir daquele momento, o apelido estava praticamente criado.

ARTILHEIRO DAS DECISÕES.

NUNES NÃO PRECISAVA DE MUITAS CHANCES

O estilo de Nunes ajudava a explicar por que ele era tão perigoso.

Não era um atacante que precisava participar de todas as jogadas.

Sua função era outra.

Enquanto Zico organizava, Júnior avançava, Adílio criava e Tita se movimentava, Nunes precisava interpretar o último espaço.

Atacava a área.

Antecipava os zagueiros.

Esperava o momento certo.

E finalizava.

Era um atacante de área em um time que produzia muitas situações de gol.

Essa combinação era devastadora.

O Flamengo tinha jogadores capazes de encontrar espaços.

Nunes tinha a capacidade de ocupá-los.

1981: O ANO EM QUE O FLAMENGO CONQUISTOU A AMÉRICA

Se 1980 apresentou Nunes ao grande público, 1981 transformou seu nome em patrimônio rubro-negro.

O Flamengo conquistou o Campeonato Carioca, a Libertadores e o Mundial Interclubes.

Na campanha continental, Nunes marcou seis gols.

Ele não marcou na decisão da Libertadores contra o Cobreloa, mas foi importante durante a trajetória até a conquista.

Um dos momentos mais emblemáticos aconteceu contra o Deportivo Cali, na Colômbia.

Em um ambiente extremamente difícil, o Flamengo precisava jogar com inteligência.

Nunes marcou o gol da vitória por 1 a 0 e ajudou a equipe a sair de campo com um resultado fundamental para a campanha.

Anos depois, o próprio atacante apontaria aquela partida como seu jogo histórico na Libertadores.

A decisão contra o Cobreloa foi vencida por Zico.

O Galinho marcou os dois gols do Flamengo no terceiro jogo, disputado no Estádio Centenário, em Montevidéu.

Mas Nunes fazia parte da engrenagem que havia levado aquele time até ali.

E ainda teria seu grande momento alguns dias depois.

TÓQUIO: QUANDO NUNES ENTROU DEFINITIVAMENTE PARA A HISTÓRIA

13 de dezembro de 1981.

Estádio Nacional de Tóquio.

De um lado, o Flamengo.

Do outro, o Liverpool, então campeão europeu.

Era a partida que colocaria frente a frente duas das maiores equipes do futebol mundial.

Imagem secundária para O Artilheiro das Decisões: o homem que marcou os gols que levaram o Flamengo ao topo do mundoImagem: Acervo
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E Nunes transformou a decisão em sua própria obra-prima.

Aos 13 minutos do primeiro tempo, recebeu lançamento perfeito de Zico, invadiu o espaço entre os defensores e finalizou para abrir o placar.

Flamengo 1 a 0.

Pouco depois, Adílio marcou o segundo.

O Liverpool precisava reagir.

Mas o Flamengo continuava jogando.

Aos 41 minutos, novamente Nunes.

Zico encontrou o atacante por trás da defesa.

O camisa 9 dominou e finalizou para fazer o terceiro.

Flamengo 3 a 0 Liverpool.

Dois gols de Nunes.

Uma atuação histórica.

O título mundial estava conquistado.

E existe um detalhe ainda mais simbólico.

Zico foi eleito o melhor jogador daquela competição, mas participou diretamente dos três gols da final: deu os dois passes para Nunes e participou da jogada que originou o gol de Adílio.

Era a perfeita representação daquele Flamengo.

Zico pensava.

Adílio criava.

Leandro e os demais davam equilíbrio.

E Nunes colocava a bola dentro da rede.

O CAMISA 9 PERFEITO PARA AQUELE FLAMENGO

É impossível analisar o Flamengo de 1981 apenas pelos números de Zico.

O grande diferencial daquela equipe era a complementaridade.

E talvez justamente por isso Nunes tenha sido tão importante.

Seu jogo combinava com a liberdade criativa do camisa 10.

Quando Zico saía da área, Nunes ocupava o espaço.

Quando Adílio avançava, o atacante atacava a última linha.

Quando Júnior chegava pelo lado, Nunes procurava o primeiro pau ou o espaço entre os zagueiros.

O Flamengo possuía um centroavante que entendia perfeitamente o que o restante do time produzia.

ERA UM TIME DE CRAQUES — E NUNES ERA O HOMEM DA ÚLTIMA PALAVRA.

O “JOÃO DANADO”

Nunes também possuía uma personalidade que combinava perfeitamente com o Flamengo daquela época.

Era irreverente, provocador, competitivo e extremamente confiante.

O apelido “João Danado” traduzia bem esse comportamento.

Não era um atacante preocupado em construir uma imagem de jogador elegante.

Era um jogador que incomodava os adversários.

Que disputava.

Que brigava.

Que aparecia.

E que não fugia da responsabilidade.

Por isso, sua relação com a torcida rapidamente se tornou especial.

1982: MAIS UMA DECISÃO, MAIS UM GOL

A história do Artilheiro das Decisões não terminou em Tóquio.

No Campeonato Brasileiro de 1982, Nunes voltou a aparecer na final.

O adversário era o Grêmio.

No jogo decisivo, disputado no Maracanã, o Flamengo venceu por 1 a 0.

E quem marcou?

Nunes.

Mais uma vez, quando o título estava em jogo, o camisa 9 apareceu.

Era seu quarto título garantido por gols decisivos pelo Flamengo, depois dos Brasileiros de 1980 e 1982, do Carioca de 1981 e do Mundial de 1981.

OS NÚMEROS DE UM ÍDOLO

A trajetória de Nunes pelo Flamengo foi marcada por diferentes passagens.

Ao todo, os registros oficiais do clube contabilizam 214 partidas e 99 gols com a camisa rubro-negra.

Além dos títulos e dos gols, sua importância está justamente na qualidade dos momentos em que marcou.

Ele não foi apenas um goleador.

Foi um jogador que marcou gols que mudaram a história do Flamengo.

O LEGADO DO ARTILHEIRO DAS DECISÕES

O futebol brasileiro produziu inúmeros grandes centroavantes.

Mas poucos construíram uma relação tão forte com partidas decisivas quanto Nunes.

Seu nome está ligado ao primeiro Campeonato Brasileiro do Flamengo.

Está ligado à conquista da Libertadores.

Está ligado ao título brasileiro de 1982.

E está eternamente ligado à imagem de dois gols diante do Liverpool em Tóquio.

Quando a bola entrou duas vezes naquela tarde japonesa, Nunes deixou de ser apenas um jogador daquela geração.

Virou personagem da história do Flamengo.

NUNES FOI O HOMEM QUE ENTENDEU UMA DAS GRANDES VERDADES DO FUTEBOL: EM JOGOS COMUNS, O GOL VALE UM. EM UMA DECISÃO, ELE PODE VALER UMA ETERNIDADE.

E foi exatamente assim que o camisa 9 entrou para a história do Flamengo.

Não como o jogador mais habilidoso.

Não como o maior ídolo daquela geração.

Mas como aquele que aparecia quando o Flamengo mais precisava.

O Artilheiro das Decisões.

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