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Brasileirão - 25 rodada

30 de agosto, 202616:00
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Flamengo na História

Relembre os momentos que marcaram nossa trajetória.

História

O Tri da Copa do Brasil: A conquista que iniciou a revolução Rubro-Negra.

O título de 2013 nasceu em meio à crise, sobreviveu a noites dramáticas e terminou com o Flamengo levantando a taça de forma apoteótica diante de quase 70 mil torcedores no novo Maracanã

Publicado em 28 de agosto de 2026
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Por Redação Fla10
O Tri da Copa do Brasil: A conquista que iniciou a revolução Rubro-Negra.Imagem: Acervo

Há títulos que entram para a história pelos grandes times que os conquistaram. Outros ficam marcados justamente porque ninguém esperava que aquele grupo chegasse tão longe.

A Copa do Brasil de 2013 pertence à segunda categoria.

O Flamengo daquele ano não era apontado como favorito. O elenco havia passado por mudanças, a temporada começou cercada de desconfiança e o ambiente chegou ao limite em setembro, quando Mano Menezes deixou o comando da equipe após uma sequência de resultados ruins.

Poucos meses depois, aquele mesmo Flamengo estava no Maracanã, diante de quase 70 mil torcedores, levantando a terceira Copa do Brasil de sua história.

No caminho, surgiram personagens que se transformariam em símbolos daquela campanha.

Hernane, o Brocador.

Elias, um jogador de raça e refino.

E uma torcida que transformou o Maracanã em um dos grandes protagonistas da conquista.

Foi uma campanha de 14 partidas, com 11 vitórias, dois empates e apenas uma derrota. O Flamengo marcou presença em momentos decisivos e terminou a competição como campeão e com Hernane na artilharia, com oito gols.

UM FLAMENGO QUE COMEÇOU A COPA SEM SABER QUE ESTAVA CONSTRUINDO UMA HISTÓRIA

A trajetória começou contra o Remo.

No primeiro confronto, em Belém, Rafinha marcou o gol da vitória por 1 a 0. Na partida de volta, Hernane assumiu o protagonismo e marcou os três gols da vitória por 3 a 0.

Era o primeiro aviso de que aquele centroavante poderia ter uma participação especial na competição.

Na fase seguinte, o adversário foi o Campinense.

O Flamengo venceu os dois jogos, por 2 a 1, e avançou.

Depois veio o ASA.

Novamente, duas vitórias: 2 a 0 fora de casa e 2 a 1 no Rio.

O Flamengo chegou às oitavas de final invicto e passou a enfrentar adversários cada vez mais difíceis.

E foi justamente nesse momento que a história começou a ganhar outra dimensão.

O CRUZEIRO ERA O FAVORITO. MAS, O FLAMENGO TINHA O MARACANÃ

Nas oitavas de final, o adversário era o Cruzeiro.

A equipe mineira vivia uma temporada excepcional e posteriormente conquistaria o Campeonato Brasileiro. No primeiro confronto, em Belo Horizonte, venceu o Flamengo por 2 a 1.

A situação rubro-negra ficou complicada.

Para avançar, seria necessário vencer no Rio.

E o Flamengo tinha uma arma que começava a aparecer com cada vez mais força: o Maracanã.

Na noite de 28 de agosto, quase 50 mil torcedores foram ao estádio.

Elias entrou em campo com dores musculares, mas decidiu jogar.

A torcida comemorou sua escalação quase como se fosse um gol.

A partida caminhava para o fim e o placar permanecia zerado.

Até que, aos 43 minutos do segundo tempo, aconteceu.

Paulinho avançou pela direita e cruzou.

Elias apareceu na área.

Finalizou.

Gol do Flamengo.

O Maracanã explodiu.

O 1 a 0 era suficiente para eliminar o Cruzeiro e colocar o Flamengo nas quartas de final, tendo em vista que o regulamento da competição na época usava como critério de desempate os gols marcados fora de casa.

Naquele momento, o Flamengo começou a entender que aquela Copa do Brasil poderia ser diferente.

O BOTAFOGO E A NOITE EM QUE O BROCADOR VIROU LENDA

Nas quartas de final, o adversário era o Botafogo.

O primeiro jogo terminou empatado em 1 a 1.

Tudo seria decidido no segundo confronto.

E foi justamente aí que Hernane escreveu uma das páginas mais marcantes de sua passagem pelo Flamengo.

No Maracanã, o atacante fez três gols.

Três.

O Flamengo venceu por 4 a 0 e avançou para a semifinal.

O quarto gol foi marcado por Léo Moura, de pênalti, em uma noite que também ficou marcada pelo aniversário do lateral-direito.

Mas o grande personagem foi Hernane.

O centroavante já não era apenas o atacante que fazia gols.

Era o Brocador.

O apelido havia ganhado força entre os torcedores e se transformava em uma espécie de identidade.

Hernane fazia gols de todas as maneiras.

De cabeça.

Com o pé esquerdo.

Com o pé direito.

Dentro da área.

No rebote.

E, principalmente, nos momentos em que o Flamengo precisava.

A SEMIFINAL CONTRA O GOIÁS E A FORÇA DA CAMISA

O Goiás apareceu no caminho das semifinais.

Mais uma vez, o Flamengo precisou mostrar capacidade para jogar sob pressão.

Na primeira partida, venceu por 2 a 1 em Goiânia.

No Maracanã, confirmou a classificação com outra vitória por 2 a 1.

O Flamengo estava na final.

O adversário seria o Atlético-PR.

E havia uma coincidência que tornava aquela decisão ainda mais simbólica.

Poucos meses antes, o Flamengo havia sido derrotado pelo próprio Atlético-PR no Maracanã.

Aquela partida, disputada em setembro, fazia parte de um momento de crise que culminaria na saída de Mano Menezes.

Agora, os dois times voltariam a se encontrar no mesmo estádio.

Só que em circunstâncias completamente diferentes.

O PRIMEIRO JOGO DA FINAL: UM EMPATE QUE DEIXOU TUDO ABERTO

Em Curitiba, Flamengo e Atlético-PR fizeram uma partida equilibrada.

O placar terminou em 1 a 1.

Amaral marcou para o Flamengo.

O resultado deixou a decisão completamente aberta.

O Flamengo poderia ser campeão com uma vitória no Maracanã.

Também poderia levantar a taça com um empate sem gols.

Mas havia uma certeza.

A decisão seria diante da Nação.

E o Maracanã estava preparado para uma noite histórica.

27 DE NOVEMBRO DE 2013: O MARACANÃ VOLTA A SER CAMPEÃO

A final de 2013 teve um significado que ultrapassava a própria Copa do Brasil.

O Maracanã havia passado por uma longa reforma para a Copa do Mundo de 2014.

O Flamengo seria o primeiro campeão de uma decisão de clubes na nova era do estádio.

Quase 70 mil torcedores estiveram presentes naquela noite.

Foram 57.991 pagantes e 68.857 presentes, em uma das maiores festas da história recente do estádio.

Antes da partida, um mosaico tomou as arquibancadas.

"Conte comigo, Mengão."

Era mais do que uma frase.

Era a síntese de uma relação construída durante uma temporada inteira.

O Flamengo havia sido criticado.

Havia enfrentado momentos de crise.

Havia perdido partidas importantes.

Mas a torcida permanecera ao lado da equipe.

E naquela noite a arquibancada queria participar da história.

O JOGO DO TÍTULO

O primeiro tempo terminou sem gols.

Mas o Flamengo era superior.

A equipe controlava as ações e pressionava o Atlético-PR.

Hernane se movimentava constantemente, saindo da área para abrir espaços e aproximar os companheiros.

Luiz Antonio também aparecia como uma das principais armas ofensivas.

O Atlético-PR precisava marcar.

O Flamengo precisava evitar qualquer erro que pudesse colocar o título em risco.

O relógio avançava.

A ansiedade aumentava.

Imagem secundária para O Tri da Copa do Brasil: A conquista que iniciou a revolução Rubro-Negra.Imagem: Alexandre Vida/CRF
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E a torcida começava a sentir que aquela seria uma daquelas noites em que o sofrimento faria parte da conquista.

ATÉ QUE ELIAS APARECEU

Aos 42 minutos do segundo tempo, a história finalmente mudou.

Paulinho fez uma grande jogada.

Avançou pela esquerda, passou pelo marcador e encontrou Elias em condição para finalizar.

O volante apareceu livre.

Chutou.

Gol.

Flamengo 1 a 0.

O Maracanã explodiu.

Elias correu em direção à torcida.

Seus companheiros foram atrás.

A arquibancada virou uma massa vermelha e preta.

O gol colocava o Flamengo em vantagem e deixava o título praticamente encaminhado.

Mas ainda faltava a assinatura do Brocador.

HERNANE, O GOL QUE FECHOU A HISTÓRIA

O Atlético-PR precisava atacar.

O Flamengo encontrou espaços.

E Luiz Antonio colocou Hernane em condição de finalizar.

O Brocador recebeu e marcou.

2 a 0.

Aquele era o oitavo gol de Hernane na Copa do Brasil.

Era também o gol que selava o título.

O atacante terminou a competição como artilheiro e fechou 2013 com impressionantes 34 gols.

Na comemoração, Hernane correu para a torcida.

O homem que havia chegado ao clube sem o status de grande estrela terminava aquela noite como um dos grandes personagens da temporada.

O BROCADOR E A TEMPORADA QUE MUDOU SUA HISTÓRIA

Hernane não foi apenas o artilheiro da Copa do Brasil.

Ele foi um dos símbolos daquele Flamengo.

Terminou o ano como artilheiro do time no Campeonato Brasileiro, com 14 gols, e como goleador da temporada, com 34. Na Copa do Brasil, foram oito gols.

Mais importante do que os números, porém, foi a maneira como ele se conectou com a torcida.

O apelido Brocador nasceu como uma brincadeira e terminou como uma identidade.

Na final, o próprio telão do Maracanã apresentou o nome que a arquibancada havia adotado.

Era a confirmação de que Hernane havia conquistado um lugar especial naquela geração.

ELIAS, O OUTRO HERÓI

Se Hernane foi o rosto goleador da campanha, Elias foi seu símbolo de raça.

O volante participou de momentos decisivos e marcou gols fundamentais.

Contra o Cruzeiro, foi dele o gol que classificou o Flamengo.

Na final, novamente apareceu.

Foi dele o primeiro gol da vitória por 2 a 0 sobre o Atlético-PR.

Elias também representava uma característica daquele time: jogadores dispostos a competir até o limite.

Não era um Flamengo de estrelas internacionais.

Era um Flamengo construído em torno de organização, entrega, espírito coletivo e jogadores que entenderam o tamanho da oportunidade.

JAYME DE ALMEIDA E A VIRADA QUE NINGUÉM ESPERAVA

Outro personagem fundamental foi Jayme de Almeida.

O técnico assumiu interinamente após a saída de Mano Menezes e conseguiu transformar o ambiente do elenco.

A mudança não aconteceu apenas no quadro tático.

A equipe recuperou confiança.

Os jogadores passaram a demonstrar maior comprometimento.

E o Flamengo encontrou uma identidade competitiva justamente quando a temporada parecia caminhar para o fracasso.

A campanha da Copa do Brasil acabou se tornando a maior conquista da gestão Eduardo Bandeira de Mello até aquele momento.

A ARQUIBANCADA COMO PARTE DO TIME

Talvez nenhum elemento explique melhor aquela conquista do que a relação entre o time e a torcida.

A partir das oitavas de final, o Maracanã passou a ser uma espécie de extensão do campo.

Contra o Cruzeiro, a torcida empurrou o Flamengo até o gol de Elias.

Contra o Botafogo, participou da goleada.

Contra o Goiás, sustentou a equipe.

E, na final, transformou o estádio em uma festa antes mesmo do apito inicial.

A própria CBF destaca que o Flamengo disputou quatro partidas no Maracanã naquela campanha, com média superior a 50 mil torcedores.

Não era apenas uma questão de público.

Era pressão.

Era atmosfera.

Era confiança.

Os adversários precisavam jogar contra 11 jogadores dentro do campo e uma arquibancada que não parava.

UM TÍTULO QUE COMEÇOU NA CRISE E TERMINOU NA GLÓRIA

O mais curioso sobre a Copa do Brasil de 2013 é que ela poderia ter sido completamente diferente.

O Flamengo começou a temporada cercado de dúvidas.

Perdeu jogadores importantes.

Mudou de treinador.

Passou por momentos de instabilidade.

Chegou a conviver com a possibilidade de uma temporada frustrante.

Mas encontrou, no meio da crise, os personagens de que precisava.

Hernane virou Brocador.

Elias virou herói.

Jayme virou o comandante da reação.

E o Maracanã voltou a ser o palco de uma grande conquista rubro-negra.

O TRI FOI MAIS DO QUE UMA TAÇA

A vitória por 2 a 0 sobre o Atlético-PR colocou o terceiro troféu da Copa do Brasil na galeria do Flamengo, depois das conquistas de 1990 e 2006.

Mas aquele título representou algo maior.

Foi a vitória de um grupo que não tinha o favoritismo.

Foi a consagração de jogadores que chegaram ao fim da temporada transformados em protagonistas.

Foi a primeira grande conquista do Flamengo no novo Maracanã.

E foi uma demonstração daquilo que tantas vezes aparece na história do clube: quando o time consegue transformar a energia da arquibancada em confiança dentro de campo, o Flamengo se torna muito difícil de ser derrotado.

Em 2013, essa conexão foi levada ao limite.

O Flamengo não tinha apenas um time.

Tinha o Brocador.

Tinha Elias.

Tinha Jayme.

E tinha uma Nação inteira empurrando.

Foi assim que um Flamengo desacreditado entrou para a história como tricampeão da Copa do Brasil.

O TÍTULO QUE AJUDOU A MUDAR O FLAMENGO FORA DE CAMPO

A Copa do Brasil de 2013 também precisa ser analisada sob uma perspectiva que vai além das quatro linhas. A conquista aconteceu justamente no início de um período de profunda transformação administrativa no Flamengo e ajudou a criar um ambiente de confiança em torno do projeto que começava a ser implantado no clube.

Quando a nova gestão assumiu o Flamengo, no fim de 2012, encontrou uma instituição com graves problemas financeiros, elevado endividamento e dificuldades para equilibrar as contas. A prioridade passou a ser reorganizar as finanças, melhorar a governança e criar condições para que o clube pudesse voltar a investir no futebol de maneira sustentável.

O título de 2013 não resolveu os problemas financeiros do Flamengo, mas teve um valor simbólico e esportivo enorme. Foi a primeira grande conquista nacional da nova administração e mostrou que a reconstrução institucional poderia caminhar lado a lado com resultados dentro de campo.

A taça também ajudou a fortalecer a relação entre clube, torcida e patrocinadores. Um Flamengo novamente competitivo e capaz de conquistar títulos recuperava capacidade de gerar receitas, atrair parceiros e ampliar seu potencial comercial.

Esse processo seria ainda mais importante nos anos seguintes. A administração de Eduardo Bandeira de Mello passou a defender uma mudança de cultura dentro do clube: controlar despesas, renegociar dívidas, aumentar receitas recorrentes e reduzir a dependência de soluções emergenciais para manter o futebol funcionando.

A conquista da Copa do Brasil, portanto, não deve ser vista como a causa isolada da transformação financeira do Flamengo. Ela foi, sobretudo, um dos primeiros grandes símbolos de que o clube começava a sair de um período de instabilidade e a construir as bases para um novo ciclo.

O contraste com o Flamengo que viria depois é impressionante. Poucos anos mais tarde, o clube estaria disputando e conquistando títulos nacionais e internacionais com investimentos muito maiores, estrutura profissionalizada e receitas em patamares completamente diferentes.

Mas essa história não começou em 2019.

Ela começou antes, quando o Flamengo ainda precisava reconstruir sua própria casa.

E o título de 2013 ocupou um lugar especial nesse processo porque mostrou à torcida que a reconstrução não significava abrir mão da ambição esportiva.

O Flamengo poderia organizar suas contas, recuperar sua credibilidade e, ao mesmo tempo, voltar a levantar troféus.

A Copa do Brasil de 2013 foi o primeiro grande sinal de que essas duas coisas poderiam caminhar juntas.

O clube ainda estava longe de se tornar a potência financeira que seria anos depois, mas já começava a construir o caminho que levaria até lá.

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