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Flamengo na História

Relembre os momentos que marcaram nossa trajetória.

História

O Tri da Copa do Brasil: A conquista que iniciou a revolução Rubro-Negra.

O título de 2013 nasceu em meio à crise, sobreviveu a noites dramáticas e terminou com o Flamengo levantando a taça de forma apoteótica diante de quase 70 mil torcedores no novo Maracanã

Publicado em 28 de agosto de 2026
445 visualizações
Por Redação Fla10
O Tri da Copa do Brasil: A conquista que iniciou a revolução Rubro-Negra.Imagem: Acervo

Acervo

Imagem secundária para O Tri da Copa do Brasil: A conquista que iniciou a revolução Rubro-Negra.Imagem: Alexandre Vida/CRF

Alexandre Vida/CRF

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Há títulos que entram para a história pelos grandes times que os conquistaram. Outros ficam marcados justamente porque ninguém esperava que aquele grupo chegasse tão longe.



A Copa do Brasil de 2013 pertence à segunda categoria.



O Flamengo daquele ano não era apontado como favorito. O elenco havia passado por mudanças, a temporada começou cercada de desconfiança e o ambiente chegou ao limite em setembro, quando Mano Menezes deixou o comando da equipe após uma sequência de resultados ruins.



Poucos meses depois, aquele mesmo Flamengo estava no Maracanã, diante de quase 70 mil torcedores, levantando a terceira Copa do Brasil de sua história.



No caminho, surgiram personagens que se transformariam em símbolos daquela campanha.



Hernane, o Brocador.



Elias, um jogador de raça e refino.



E uma torcida que transformou o Maracanã em um dos grandes protagonistas da conquista.



Foi uma campanha de 14 partidas, com 11 vitórias, dois empates e apenas uma derrota. O Flamengo marcou presença em momentos decisivos e terminou a competição como campeão e com Hernane na artilharia, com oito gols.



UM FLAMENGO QUE COMEÇOU A COPA SEM SABER QUE ESTAVA CONSTRUINDO UMA HISTÓRIA



A trajetória começou contra o Remo.



No primeiro confronto, em Belém, Rafinha marcou o gol da vitória por 1 a 0. Na partida de volta, Hernane assumiu o protagonismo e marcou os três gols da vitória por 3 a 0.



Era o primeiro aviso de que aquele centroavante poderia ter uma participação especial na competição.



Na fase seguinte, o adversário foi o Campinense.



O Flamengo venceu os dois jogos, por 2 a 1, e avançou.



Depois veio o ASA.



Novamente, duas vitórias: 2 a 0 fora de casa e 2 a 1 no Rio.



O Flamengo chegou às oitavas de final invicto e passou a enfrentar adversários cada vez mais difíceis.



E foi justamente nesse momento que a história começou a ganhar outra dimensão.



O CRUZEIRO ERA O FAVORITO. MAS, O FLAMENGO TINHA O MARACANÃ



Nas oitavas de final, o adversário era o Cruzeiro.



A equipe mineira vivia uma temporada excepcional e posteriormente conquistaria o Campeonato Brasileiro. No primeiro confronto, em Belo Horizonte, venceu o Flamengo por 2 a 1.



A situação rubro-negra ficou complicada.



Para avançar, seria necessário vencer no Rio.



E o Flamengo tinha uma arma que começava a aparecer com cada vez mais força: o Maracanã.



Na noite de 28 de agosto, quase 50 mil torcedores foram ao estádio.



Elias entrou em campo com dores musculares, mas decidiu jogar.



A torcida comemorou sua escalação quase como se fosse um gol.



A partida caminhava para o fim e o placar permanecia zerado.



Até que, aos 43 minutos do segundo tempo, aconteceu.



Paulinho avançou pela direita e cruzou.



Elias apareceu na área.



Finalizou.



Gol do Flamengo.



O Maracanã explodiu.



O 1 a 0 era suficiente para eliminar o Cruzeiro e colocar o Flamengo nas quartas de final, tendo em vista que o regulamento da competição na época usava como critério de desempate os gols marcados fora de casa.



Naquele momento, o Flamengo começou a entender que aquela Copa do Brasil poderia ser diferente.



O BOTAFOGO E A NOITE EM QUE O BROCADOR VIROU LENDA



Nas quartas de final, o adversário era o Botafogo.



O primeiro jogo terminou empatado em 1 a 1.



Tudo seria decidido no segundo confronto.



E foi justamente aí que Hernane escreveu uma das páginas mais marcantes de sua passagem pelo Flamengo.



No Maracanã, o atacante fez três gols.



Três.



O Flamengo venceu por 4 a 0 e avançou para a semifinal.



O quarto gol foi marcado por Léo Moura, de pênalti, em uma noite que também ficou marcada pelo aniversário do lateral-direito.



Mas o grande personagem foi Hernane.



O centroavante já não era apenas o atacante que fazia gols.



Era o Brocador.



O apelido havia ganhado força entre os torcedores e se transformava em uma espécie de identidade.



Hernane fazia gols de todas as maneiras.



De cabeça.



Com o pé esquerdo.



Com o pé direito.



Dentro da área.



No rebote.



E, principalmente, nos momentos em que o Flamengo precisava.



A SEMIFINAL CONTRA O GOIÁS E A FORÇA DA CAMISA



O Goiás apareceu no caminho das semifinais.



Mais uma vez, o Flamengo precisou mostrar capacidade para jogar sob pressão.



Na primeira partida, venceu por 2 a 1 em Goiânia.



No Maracanã, confirmou a classificação com outra vitória por 2 a 1.



O Flamengo estava na final.



O adversário seria o Atlético-PR.



E havia uma coincidência que tornava aquela decisão ainda mais simbólica.



Poucos meses antes, o Flamengo havia sido derrotado pelo próprio Atlético-PR no Maracanã.



Aquela partida, disputada em setembro, fazia parte de um momento de crise que culminaria na saída de Mano Menezes.



Agora, os dois times voltariam a se encontrar no mesmo estádio.



Só que em circunstâncias completamente diferentes.



O PRIMEIRO JOGO DA FINAL: UM EMPATE QUE DEIXOU TUDO ABERTO



Em Curitiba, Flamengo e Atlético-PR fizeram uma partida equilibrada.



O placar terminou em 1 a 1.



Amaral marcou para o Flamengo.



O resultado deixou a decisão completamente aberta.



O Flamengo poderia ser campeão com uma vitória no Maracanã.



Também poderia levantar a taça com um empate sem gols.



Mas havia uma certeza.



A decisão seria diante da Nação.



E o Maracanã estava preparado para uma noite histórica.



27 DE NOVEMBRO DE 2013: O MARACANÃ VOLTA A SER CAMPEÃO



A final de 2013 teve um significado que ultrapassava a própria Copa do Brasil.



O Maracanã havia passado por uma longa reforma para a Copa do Mundo de 2014.



O Flamengo seria o primeiro campeão de uma decisão de clubes na nova era do estádio.



Quase 70 mil torcedores estiveram presentes naquela noite.



Foram 57.991 pagantes e 68.857 presentes, em uma das maiores festas da história recente do estádio.



Antes da partida, um mosaico tomou as arquibancadas.



"Conte comigo, Mengão."



Era mais do que uma frase.



Era a síntese de uma relação construída durante uma temporada inteira.



O Flamengo havia sido criticado.



Havia enfrentado momentos de crise.



Havia perdido partidas importantes.



Mas a torcida permanecera ao lado da equipe.



E naquela noite a arquibancada queria participar da história.



O JOGO DO TÍTULO



O primeiro tempo terminou sem gols.



Mas o Flamengo era superior.



A equipe controlava as ações e pressionava o Atlético-PR.



Hernane se movimentava constantemente, saindo da área para abrir espaços e aproximar os companheiros.



Luiz Antonio também aparecia como uma das principais armas ofensivas.



O Atlético-PR precisava marcar.



O Flamengo precisava evitar qualquer erro que pudesse colocar o título em risco.



O relógio avançava.



A ansiedade aumentava.



E a torcida começava a sentir que aquela seria uma daquelas noites em que o sofrimento faria parte da conquista.



ATÉ QUE ELIAS APARECEU



Aos 42 minutos do segundo tempo, a história finalmente mudou.



Paulinho fez uma grande jogada.



Avançou pela esquerda, passou pelo marcador e encontrou Elias em condição para finalizar.



O volante apareceu livre.



Chutou.



Gol.



Flamengo 1 a 0.



O Maracanã explodiu.



Elias correu em direção à torcida.



Seus companheiros foram atrás.



A arquibancada virou uma massa vermelha e preta.



O gol colocava o Flamengo em vantagem e deixava o título praticamente encaminhado.



Mas ainda faltava a assinatura do Brocador.



HERNANE, O GOL QUE FECHOU A HISTÓRIA



O Atlético-PR precisava atacar.



O Flamengo encontrou espaços.



E Luiz Antonio colocou Hernane em condição de finalizar.



O Brocador recebeu e marcou.



2 a 0.



Aquele era o oitavo gol de Hernane na Copa do Brasil.



Era também o gol que selava o título.



O atacante terminou a competição como artilheiro e fechou 2013 com impressionantes 34 gols.



Na comemoração, Hernane correu para a torcida.



O homem que havia chegado ao clube sem o status de grande estrela terminava aquela noite como um dos grandes personagens da temporada.



O BROCADOR E A TEMPORADA QUE MUDOU SUA HISTÓRIA



Hernane não foi apenas o artilheiro da Copa do Brasil.



Ele foi um dos símbolos daquele Flamengo.



Terminou o ano como artilheiro do time no Campeonato Brasileiro, com 14 gols, e como goleador da temporada, com 34. Na Copa do Brasil, foram oito gols.



Mais importante do que os números, porém, foi a maneira como ele se conectou com a torcida.



O apelido Brocador nasceu como uma brincadeira e terminou como uma identidade.



Na final, o próprio telão do Maracanã apresentou o nome que a arquibancada havia adotado.



Era a confirmação de que Hernane havia conquistado um lugar especial naquela geração.



ELIAS, O OUTRO HERÓI



Se Hernane foi o rosto goleador da campanha, Elias foi seu símbolo de raça.



O volante participou de momentos decisivos e marcou gols fundamentais.



Contra o Cruzeiro, foi dele o gol que classificou o Flamengo.



Na final, novamente apareceu.



Foi dele o primeiro gol da vitória por 2 a 0 sobre o Atlético-PR.



Elias também representava uma característica daquele time: jogadores dispostos a competir até o limite.



Não era um Flamengo de estrelas internacionais.



Era um Flamengo construído em torno de organização, entrega, espírito coletivo e jogadores que entenderam o tamanho da oportunidade.



JAYME DE ALMEIDA E A VIRADA QUE NINGUÉM ESPERAVA



Outro personagem fundamental foi Jayme de Almeida.



O técnico assumiu interinamente após a saída de Mano Menezes e conseguiu transformar o ambiente do elenco.



A mudança não aconteceu apenas no quadro tático.



A equipe recuperou confiança.



Os jogadores passaram a demonstrar maior comprometimento.



E o Flamengo encontrou uma identidade competitiva justamente quando a temporada parecia caminhar para o fracasso.



A campanha da Copa do Brasil acabou se tornando a maior conquista da gestão Eduardo Bandeira de Mello até aquele momento.



A ARQUIBANCADA COMO PARTE DO TIME



Talvez nenhum elemento explique melhor aquela conquista do que a relação entre o time e a torcida.



A partir das oitavas de final, o Maracanã passou a ser uma espécie de extensão do campo.



Contra o Cruzeiro, a torcida empurrou o Flamengo até o gol de Elias.



Contra o Botafogo, participou da goleada.



Contra o Goiás, sustentou a equipe.



E, na final, transformou o estádio em uma festa antes mesmo do apito inicial.



A própria CBF destaca que o Flamengo disputou quatro partidas no Maracanã naquela campanha, com média superior a 50 mil torcedores.



Não era apenas uma questão de público.



Era pressão.



Era atmosfera.



Era confiança.



Os adversários precisavam jogar contra 11 jogadores dentro do campo e uma arquibancada que não parava.



UM TÍTULO QUE COMEÇOU NA CRISE E TERMINOU NA GLÓRIA



O mais curioso sobre a Copa do Brasil de 2013 é que ela poderia ter sido completamente diferente.



O Flamengo começou a temporada cercado de dúvidas.



Perdeu jogadores importantes.



Mudou de treinador.



Passou por momentos de instabilidade.



Chegou a conviver com a possibilidade de uma temporada frustrante.



Mas encontrou, no meio da crise, os personagens de que precisava.



Hernane virou Brocador.



Elias virou herói.



Jayme virou o comandante da reação.



E o Maracanã voltou a ser o palco de uma grande conquista rubro-negra.



O TRI FOI MAIS DO QUE UMA TAÇA



A vitória por 2 a 0 sobre o Atlético-PR colocou o terceiro troféu da Copa do Brasil na galeria do Flamengo, depois das conquistas de 1990 e 2006.



Mas aquele título representou algo maior.



Foi a vitória de um grupo que não tinha o favoritismo.



Foi a consagração de jogadores que chegaram ao fim da temporada transformados em protagonistas.



Foi a primeira grande conquista do Flamengo no novo Maracanã.



E foi uma demonstração daquilo que tantas vezes aparece na história do clube: quando o time consegue transformar a energia da arquibancada em confiança dentro de campo, o Flamengo se torna muito difícil de ser derrotado.



Em 2013, essa conexão foi levada ao limite.



O Flamengo não tinha apenas um time.



Tinha o Brocador.



Tinha Elias.



Tinha Jayme.



E tinha uma Nação inteira empurrando.



Foi assim que um Flamengo desacreditado entrou para a história como tricampeão da Copa do Brasil.



O TÍTULO QUE AJUDOU A MUDAR O FLAMENGO FORA DE CAMPO



A Copa do Brasil de 2013 também precisa ser analisada sob uma perspectiva que vai além das quatro linhas. A conquista aconteceu justamente no início de um período de profunda transformação administrativa no Flamengo e ajudou a criar um ambiente de confiança em torno do projeto que começava a ser implantado no clube.



Quando a nova gestão assumiu o Flamengo, no fim de 2012, encontrou uma instituição com graves problemas financeiros, elevado endividamento e dificuldades para equilibrar as contas. A prioridade passou a ser reorganizar as finanças, melhorar a governança e criar condições para que o clube pudesse voltar a investir no futebol de maneira sustentável.



O título de 2013 não resolveu os problemas financeiros do Flamengo, mas teve um valor simbólico e esportivo enorme. Foi a primeira grande conquista nacional da nova administração e mostrou que a reconstrução institucional poderia caminhar lado a lado com resultados dentro de campo.



A taça também ajudou a fortalecer a relação entre clube, torcida e patrocinadores. Um Flamengo novamente competitivo e capaz de conquistar títulos recuperava capacidade de gerar receitas, atrair parceiros e ampliar seu potencial comercial.



Esse processo seria ainda mais importante nos anos seguintes. A administração de Eduardo Bandeira de Mello passou a defender uma mudança de cultura dentro do clube: controlar despesas, renegociar dívidas, aumentar receitas recorrentes e reduzir a dependência de soluções emergenciais para manter o futebol funcionando.



A conquista da Copa do Brasil, portanto, não deve ser vista como a causa isolada da transformação financeira do Flamengo. Ela foi, sobretudo, um dos primeiros grandes símbolos de que o clube começava a sair de um período de instabilidade e a construir as bases para um novo ciclo.



O contraste com o Flamengo que viria depois é impressionante. Poucos anos mais tarde, o clube estaria disputando e conquistando títulos nacionais e internacionais com investimentos muito maiores, estrutura profissionalizada e receitas em patamares completamente diferentes.



Mas essa história não começou em 2019.



Ela começou antes, quando o Flamengo ainda precisava reconstruir sua própria casa.



E o título de 2013 ocupou um lugar especial nesse processo porque mostrou à torcida que a reconstrução não significava abrir mão da ambição esportiva.



O Flamengo poderia organizar suas contas, recuperar sua credibilidade e, ao mesmo tempo, voltar a levantar troféus.



A Copa do Brasil de 2013 foi o primeiro grande sinal de que essas duas coisas poderiam caminhar juntas.



O clube ainda estava longe de se tornar a potência financeira que seria anos depois, mas já começava a construir o caminho que levaria até lá.

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