Argentina sofre, supera a resistência suíça na prorrogação e marca encontro histórico com a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo
Imagem: FIFAAtual campeã mundial precisou de 120 minutos, brilhou novamente nos momentos decisivos e segue viva na busca pelo bicampeonato consecutivo que não acontece desde o Brasil de 1962
A Argentina está novamente entre as quatro melhores seleções do planeta.
Mas, desta vez, a classificação esteve longe de ser tranquila.
Depois de uma batalha de 120 minutos em Kansas City, os atuais campeões do mundo derrotaram a Suíça por 3 a 1 na prorrogação e garantiram vaga na semifinal da Copa do Mundo de 2026, onde enfrentarão a Inglaterra em um dos confrontos mais aguardados deste Mundial.
Mais uma vez, a seleção de Lionel Scaloni precisou sofrer, resistir e encontrar forças nos minutos finais para continuar sua caminhada rumo ao bicampeonato mundial.
Se contra Cabo Verde e Egito a Argentina já havia escapado por muito pouco da eliminação, desta vez a vítima da capacidade argentina de sobreviver em jogos caóticos foi a disciplinada seleção suíça.
O duelo entre a posse argentina e a organização suíça
Scaloni iniciou a partida repetindo o 4-3-3 que acompanha a Argentina durante praticamente todo o ciclo da Copa.
Enzo Fernández e Mac Allister tinham liberdade para avançar entre linhas, enquanto Messi circulava por todo o setor ofensivo procurando espaços para acelerar o jogo e conectar Julián Álvarez ao ataque.
A Suíça respondeu com seu tradicional sistema de três zagueiros, formando um 3-4-2-1 extremamente compacto sem a bola e apostando em transições rápidas com Ndoye, Vargas e Embolo explorando os espaços às costas dos laterais argentinos.
Durante boa parte do primeiro tempo, o plano suíço funcionou apenas parcialmente.
A Argentina dominava a posse, controlava territorialmente a partida e empurrava os europeus para próximo de sua área.
Mac Allister abre o placar e recompensa o domínio argentino
O gol argentino surgiu cedo.
Aos 10 minutos, Messi encontrou espaço pelo lado direito e cruzou na medida para Alexis Mac Allister aparecer infiltrando entre os defensores suíços e cabecear para o fundo das redes, colocando a Albiceleste em vantagem. O lance também entrou para a história ao se transformar na décima assistência de Lionel Messi em Copas do Mundo, um novo recorde absoluto da competição.
O cenário parecia ideal para os sul-americanos.
Com a vantagem no placar e maior controle da posse, a expectativa era de uma classificação relativamente confortável.
A Suíça, porém, tinha outros planos.
Ndoye empata e devolve o drama ao lado argentino
Aos poucos, os suíços começaram a encontrar espaços nos corredores laterais e passaram a crescer na partida.
A recompensa chegou aos 67 minutos, quando Dan Ndoye aproveitou desorganização defensiva da Argentina para finalizar e empatar o confronto, recolocando os europeus definitivamente no jogo.
O empate mudou completamente a dinâmica da partida.
A Argentina passou a atacar de forma mais emocional do que organizada, enquanto a Suíça encontrava cada vez mais espaço para contra-atacar e ameaçar a defesa sul-americana.
Durante alguns minutos, a sensação era de que o segundo gol suíço estava mais próximo do que o argentino.
Expulsão de Embolo muda completamente o jogo
O momento decisivo do confronto aconteceu aos 72 minutos.
Breel Embolo recebeu cartão vermelho após revisão do VAR por simulação dentro da área argentina, decisão que gerou forte debate e alterou completamente o rumo da partida.
Com um jogador a menos, a Suíça foi obrigada a abandonar parte de sua agressividade ofensiva e passou a concentrar praticamente todos os esforços na proteção da própria área.
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Mesmo assim, a equipe de Murat Yakin resistiu heroicamente durante todo o restante do tempo regulamentar e boa parte da prorrogação.
Grande parte dessa resistência passou pelas mãos de Gregor Kobel.
O goleiro suíço realizou uma sequência impressionante de defesas e manteve viva a esperança europeia até os minutos finais do confronto.
Julián Álvarez aparece quando os campeões precisam
Quando tudo indicava que a disputa caminharia para os pênaltis, surgiu novamente a capacidade argentina de decidir jogos grandes.
Aos 112 minutos, Julián Álvarez recebeu na entrada da área, ajeitou rapidamente e acertou um chute espetacular no ângulo de Kobel para recolocar a Argentina em vantagem.
Foi o gol que desmontou emocionalmente a resistência suíça.
Exausta fisicamente após quase cinquenta minutos jogando com um atleta a menos, a equipe europeia já não conseguia pressionar como antes.
Lautaro fecha a conta e confirma a classificação
Nos acréscimos da prorrogação, Lautaro Martínez aproveitou um rebote deixado pela defesa suíça e marcou o terceiro gol argentino, encerrando definitivamente qualquer possibilidade de reação.
O placar final talvez tenha sido mais largo do que aquilo que o jogo apresentou.
Durante boa parte da noite, a Suíça competiu em igualdade contra os campeões do mundo e esteve muito próxima de levar a decisão para as penalidades.
Messi continua reescrevendo a história das Copas
Mesmo sem marcar, Lionel Messi voltou a ser decisivo.
Além da assistência para o gol de Mac Allister, o camisa 10 estabeleceu mais um recorde histórico ao alcançar sua décima assistência em Copas do Mundo e ampliar ainda mais sua lista de marcas no principal torneio do futebol mundial.
Aos 39 anos e disputando sua sexta Copa do Mundo, Messi continua sendo o centro gravitacional em torno do qual gira todo o jogo ofensivo argentino.
Talvez já não exista mais a explosão física dos anos de Barcelona.
Mas seguem existindo a leitura de jogo, a capacidade de acelerar jogadas e a habilidade quase sobrenatural de aparecer nos momentos decisivos.
Agora vem a Inglaterra
A vitória coloca a Argentina diante de um desafio que muitos consideram uma final antecipada.
Na semifinal, a Albiceleste enfrentará a Inglaterra de Jude Bellingham, Harry Kane e Declan Rice, em um duelo carregado de rivalidade histórica e lembranças que atravessam gerações, de 1966 ao gol da "Mão de Deus" em 1986.
Será também o encontro entre duas equipes que chegam às semifinais de formas muito parecidas: sem encantar durante todo o torneio, mas demonstrando enorme capacidade de sobrevivência nos momentos mais difíceis.
A Argentina segue viva.
Sofrendo, oscilando e convivendo com o caos mais do que seus torcedores gostariam.
Mas campeões do mundo raramente sabem vencer apenas de uma maneira.
E esta Argentina parece ter aprendido a arte mais importante de todas em uma Copa do Mundo:
A arte de continuar sobrevivendo.
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