Bellingham decide na prorrogação, Inglaterra derruba a Noruega de Haaland e volta às semifinais da Copa do Mundo
Imagem: FIFACamisa 10 inglês marcou os dois gols da vitória por 2 a 1 em Miami e encerrou o sonho da geração de ouro norueguesa em uma das partidas mais dramáticas do Mundial
A Inglaterra está novamente entre as quatro melhores seleções do planeta.
Em uma partida intensa, dramática e cercada por lances polêmicos, os ingleses derrotaram a Noruega por 2 a 1 na prorrogação, neste sábado, em Miami, e garantiram vaga nas semifinais da Copa do Mundo de 2026. O grande nome da noite foi Jude Bellingham, autor dos dois gols ingleses e responsável por carregar os Três Leões nos momentos mais difíceis do confronto.
Para a Noruega, fica o fim de uma campanha histórica que recolocou o país no mapa do futebol mundial e confirmou o potencial de uma geração liderada por Erling Haaland e Martin Ødegaard.
Noruega entrou para jogar sem medo
Ao contrário do que muitos esperavam, a seleção norueguesa não recuou diante do favoritismo inglês.
Ståle Solbakken manteve seu tradicional 4-3-3, utilizando Ødegaard como cérebro da equipe, Schjelderup e Sørloth atacando os corredores e Haaland ocupando permanentemente os zagueiros ingleses. A ideia era clara: atacar rapidamente os espaços deixados pelos laterais da Inglaterra e explorar o jogo físico de seu camisa 9.
Thomas Tuchel respondeu com uma Inglaterra organizada em um 4-3-3 de posse de bola, com Declan Rice responsável pelo equilíbrio defensivo e Bellingham recebendo liberdade para atacar os espaços entre as linhas norueguesas.
Durante os primeiros minutos, a estratégia escandinava funcionou melhor.
A Noruega pressionava a saída inglesa, dificultava a construção pelo meio e conseguia impedir que Harry Kane e Bellingham participassem do jogo perto da área.
Schjelderup abre o placar e faz Miami acreditar na zebra
A superioridade norueguesa foi premiada aos 36 minutos do primeiro tempo.
Após rápida transição ofensiva, Andreas Schjelderup apareceu livre para finalizar e colocar os noruegueses em vantagem, incendiando o Hard Rock Stadium e aproximando a seleção de sua primeira semifinal de Copa do Mundo na história.
O gol aumentou ainda mais a confiança dos comandados de Solbakken.
Haaland continuava atraindo marcação dupla, Ødegaard encontrava espaços entre as linhas inglesas e a sensação naquele momento era de que a Noruega estava mais próxima do segundo gol do que a Inglaterra do empate.
Bellingham aparece no momento em que os grandes aparecem
Mas grandes jogadores costumam aparecer justamente quando seus times mais precisam.
Nos acréscimos da primeira etapa, Jude Bellingham aproveitou sobra dentro da área e empatou a partida, recolocando a Inglaterra no jogo poucos segundos antes do intervalo.
O gol mudou completamente o aspecto emocional do confronto.
A Inglaterra voltou para o segundo tempo mais agressiva, pressionando a saída de bola e conseguindo impedir que Ødegaard recebesse com liberdade para organizar os ataques noruegueses.
Haaland travado e defesa inglesa cresce no jogo
Se contra o Brasil bastaram poucos minutos para decidir uma classificação praticamente sozinho, desta vez Haaland encontrou um cenário completamente diferente.
John Stones e Marc Guéhi realizaram uma partida praticamente impecável na marcação do centroavante do Manchester City, limitando seus movimentos dentro da área e reduzindo drasticamente o número de oportunidades claras criadas pela Noruega.
Jordan Pickford também apareceu quando necessário e fez uma defesa importante em uma das poucas finalizações perigosas do camisa 9 norueguês.
Pela primeira vez nesta Copa do Mundo, Haaland terminou uma partida sem marcar gols.
VAR entra em ação e aumenta a tensão
A partida ainda reservou espaço para controvérsias de arbitragem.
Um gol que colocaria a Noruega novamente em vantagem acabou anulado após revisão do VAR, que identificou uma infração cometida por Haaland na origem da jogada. A decisão gerou fortes reclamações dos jogadores escandinavos e aumentou o clima de tensão dentro de campo.
Também houve discussões envolvendo o lance do empate inglês, após imagens indicarem possível contato da bola com o cabo da câmera aérea instalada sobre o gramado. A arbitragem, entretanto, validou o lance normalmente.
O lance do cabo da câmera virou o centro da discussão mundial
O primeiro gol inglês, marcado por Jude Bellingham ainda nos acréscimos do primeiro tempo, rapidamente deixou de ser apenas um lance importante da partida para se transformar em uma das maiores polêmicas desta Copa do Mundo.
Jogadores, comissão técnica e dirigentes da Noruega reclamaram imediatamente de um suposto toque da bola no cabo da câmera aérea instalada sobre o gramado segundos antes da recuperação inglesa que originou o empate.
Pelas regras do futebol, caso a bola toque efetivamente em um objeto externo suspenso sobre o campo, a partida deve ser imediatamente interrompida e reiniciada com bola ao chão no local da interferência.
As imagens da transmissão deram a impressão visual de um pequeno desvio na trajetória da bola, alimentando ainda mais os protestos noruegueses e transformando o lance em tema dominante das redes sociais após a partida.
Horas depois do confronto, a FIFA divulgou esclarecimento oficial afirmando que os sensores presentes na bola utilizada durante a Copa do Mundo não registraram qualquer contato com o cabo da câmera, motivo pelo qual o VAR decidiu validar normalmente o lance que culminou no gol inglês.
Segundo a entidade, a tecnologia embarcada na bola é capaz de detectar até mesmo toques mínimos, inferiores aos utilizados pelo sistema semiautomático de impedimento, e não identificou qualquer alteração compatível com um contato externo.
A explicação, no entanto, não foi suficiente para convencer os noruegueses.
O técnico Ståle Solbakken e o goleiro Ørjan Nyland mantiveram publicamente a convicção de que houve interferência no lance e classificaram a decisão como extremamente difícil de aceitar em um jogo de quartas de final de Copa do Mundo.
Imagem: FIFAPublicidade
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Mesmo com o posicionamento oficial da FIFA, a jogada já entrou para a galeria das grandes controvérsias deste Mundial e certamente continuará sendo debatida muito depois do encerramento do torneio.
Bellingham decide na prorrogação
A igualdade persistiu durante todo o tempo regulamentar e levou a decisão para a prorrogação.
Foi então que surgiu novamente Jude Bellingham.
Logo nos primeiros minutos do tempo extra, o meia inglês aproveitou falha do goleiro Ørjan Nyland após chute aparentemente controlado e empurrou para as redes o gol que colocaria a Inglaterra definitivamente nas semifinais da Copa do Mundo.
A Noruega ainda tentou reagir nos minutos finais, empurrou a Inglaterra para trás e colocou bolas na área até o último lance, mas os ingleses conseguiram resistir à pressão e confirmaram a classificação.
A Inglaterra de Tuchel cresce na hora certa
Mesmo sem apresentar um futebol brilhante, a equipe inglesa parece repetir um padrão comum das grandes campanhas em Copas do Mundo: crescer nos momentos decisivos.
A Inglaterra talvez ainda não tenha encantado o torneio, mas mostrou capacidade de adaptação, competitividade e uma impressionante força mental para sobreviver a jogos difíceis.
Com Bellingham vivendo o melhor momento de sua carreira e Harry Kane oferecendo liderança e experiência, os ingleses chegam às semifinais como candidatos reais ao título mundial.
Fim do sonho, início de uma nova era para a Noruega
A eliminação certamente dói para os noruegueses.
Mas ela não apaga a dimensão histórica da campanha realizada em solo norte-americano.
Depois de quase três décadas longe dos grandes palcos, a Noruega voltou a disputar uma Copa, chegou às quartas de final, eliminou o Brasil e mostrou ao mundo que possui uma geração capaz de competir com qualquer seleção do planeta.
Haaland, Ødegaard, Schjelderup e companhia deixam os Estados Unidos eliminados.
Mas deixam também a sensação de que este talvez tenha sido apenas o primeiro capítulo de uma geração que ainda promete escrever páginas importantes na história do futebol norueguês.
A maldição brasileira continua viva na Copa do Mundo
A classificação inglesa também manteve viva uma das estatísticas mais curiosas da história das Copas do Mundo.
Desde 1938, toda seleção que elimina o Brasil termina a competição no pódio do Mundial, seja como campeã, vice-campeã ou terceira colocada.
A Noruega havia entrado para essa lista ao derrotar a Seleção Brasileira nas oitavas de final com dois gols de Erling Haaland, ampliando uma sequência histórica que atravessa praticamente nove décadas de Copas do Mundo.
Itália em 1938, Hungria em 1954, Portugal em 1966, Itália em 1982, França em 1986, Argentina em 1990, França em 1998 e 2006, Holanda em 2010, Alemanha em 2014, Bélgica em 2018 e Croácia em 2022 são alguns dos exemplos que sustentam essa impressionante coincidência estatística.
Com a eliminação diante da Inglaterra nas quartas de final, a Noruega interrompeu a possibilidade de ampliar a marca.
A campanha norueguesa recoloca o país entre as potências emergentes do futebol mundial
Apesar da eliminação, a campanha realizada pela Noruega em solo norte-americano dificilmente será esquecida pelos seus torcedores.
A equipe escandinava não apenas alcançou suas primeiras quartas de final de Copa do Mundo em décadas, como eliminou o Brasil em uma das maiores surpresas do torneio e apresentou ao mundo uma geração capaz de competir em igualdade com qualquer potência do futebol internacional.
A combinação entre a força física de Haaland, a inteligência de Ødegaard, a velocidade de Schjelderup e a maturidade tática apresentada pela equipe ao longo da competição transformou a Noruega em uma das histórias mais marcantes deste Mundial.
Mais do que uma campanha histórica, os noruegueses deixam os Estados Unidos com algo ainda mais valioso: a sensação de que o futuro pode ser ainda melhor do que o presente.
Se esta Copa serviu para apresentar a Noruega ao grande público, os próximos ciclos internacionais podem servir para consolidá-la definitivamente entre as seleções mais competitivas da Europa.
Agora, o maior teste da geração inglesa
A classificação sobre a Noruega coloca a Inglaterra diante daquele que talvez seja seu desafio mais difícil em toda a Copa do Mundo até aqui.
Nas semifinais, os comandados de Thomas Tuchel enfrentarão uma seleção acostumada aos grandes palcos e que chega embalada por uma campanha cada vez mais convincente no torneio.
Será o momento em que a maturidade emocional, a capacidade de adaptação tática e o talento individual precisarão aparecer simultaneamente para os ingleses.
Se contra a Noruega a Inglaterra precisou buscar forças para reagir diante da adversidade, a semifinal exigirá algo ainda maior: controlar o jogo contra um adversário do mais alto nível e suportar a pressão natural que acompanha qualquer partida a um passo da final da Copa do Mundo.
A boa notícia para os Três Leões é que Jude Bellingham parece viver justamente o tipo de momento capaz de decidir torneios inteiros.
Com Harry Kane oferecendo experiência, Declan Rice garantindo equilíbrio e uma defesa cada vez mais sólida, a Inglaterra começa a acreditar que a espera por um novo título mundial pode finalmente estar próxima do fim.
A próxima partida não valerá apenas uma vaga na decisão.
Valerá a oportunidade de transformar uma geração promissora em uma geração histórica.
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