Flamengo vence o Benfica, conquista o Troféu do Algarve e encerra intertemporada em Portugal com sinais animadores para o restante da temporada
Imagem: Gilvan de Souza/CRFCom atuação madura, organização tática e mais uma vez decisivo, Wallace Yan lidera vitória rubro-negra sobre os portugueses e reforça a sensação de que o Flamengo volta da Europa mais forte do que chegou
O Flamengo encerrou sua passagem por Portugal da melhor maneira possível. Diante do Benfica, no Estádio Algarve, o Rubro-Negro venceu por 2 a 1, conquistou o Troféu do Algarve e fechou a intertemporada europeia com a sensação de dever cumprido e, principalmente, com respostas importantes para Leonardo Jardim na reta decisiva da temporada.
Mais do que o troféu, o amistoso deixou sinais claros de evolução coletiva, consolidação de ideias de jogo e revelou que alguns jovens da base estão cada vez mais preparados para assumir protagonismo no elenco profissional.
Entre eles, um nome voltou a se destacar acima dos demais: Wallace Yan.
O desenho tático: Jardim apostou na posse; Benfica tentou acelerar as transições
Leonardo Jardim iniciou a partida com o Flamengo estruturado em um 4-3-3 bastante móvel, utilizando Pulgar como volante central responsável pela saída de bola, Jorginho e Arrascaeta como interiores e três homens mais agressivos na frente para atacar os espaços deixados pela defesa portuguesa.
Sem a bola, a equipe se reorganizava rapidamente em um 4-1-4-1 compacto, pressionando principalmente os corredores laterais e dificultando a construção curta do Benfica desde sua defesa.
Já Marco Silva montou o Benfica em um 4-2-3-1 tradicional, tentando aproveitar a velocidade de seus pontas e as movimentações de Pavlidis para atacar os espaços às costas dos laterais rubro-negros.
A proposta portuguesa era clara: permitir que o Flamengo tivesse mais posse e buscar ataques rápidos em transições verticais.
Durante boa parte do primeiro tempo, no entanto, o plano português encontrou dificuldades diante da boa compactação do meio-campo rubro-negro.
O Flamengo controlava territorialmente a partida e obrigava o Benfica a defender mais próximo de sua área do que normalmente costuma fazer em Portugal.
Flamengo domina o primeiro tempo e Samuel Lino abre o placar
A superioridade territorial do Flamengo finalmente se transformou em vantagem no placar nos acréscimos da primeira etapa.
Após boa circulação de bola pelo lado direito, Emerson Royal encontrou espaço para avançar e cruzou na medida para Samuel Lino aparecer entre os zagueiros e finalizar para o fundo das redes, abrindo o marcador para o Rubro-Negro no Estádio Algarve.
O gol premiava uma equipe que havia controlado melhor o jogo e criado as oportunidades mais perigosas da partida até aquele momento.
Resposta imediata do Benfica recoloca os portugueses no jogo
A vantagem rubro-negra, entretanto, durou muito pouco.
Praticamente na sequência do reinício da partida, o Benfica conseguiu um pênalti após jogada construída pelo lado esquerdo do ataque português, após um carrinho desnecessário de Bruno Henrique em lance que gerou a dúvida se a falta foi cometida dentro ou fora da área. Porém, a ausência de VAR na partida impediu que o lance fosse revisto.
Na cobrança, Pavlidis deslocou Rossi e deixou tudo igual no marcador, devolvendo confiança ao time da casa e recolocando o equilíbrio no confronto.
O empate mudou completamente a dinâmica do jogo.
O Benfica passou a pressionar mais alto, aumentou a intensidade da marcação e conseguiu, pela primeira vez na partida, empurrar o Flamengo para próximo de sua área.
Foi justamente o momento mais difícil do Rubro-Negro em toda a intertemporada portuguesa.
Em um dos momentos mais difíceis, Rossi não consegue encaixar uma bola fácil que rebate para os pés do argentino Prestianni que mandou a bola na trave, com o gol livre.
Prestianni que no passado esteve envolvido em um caso de injúria racial contra Vinícius Jr., em um jogo válido pela Champions League, foi muito vaiado pela torcida rubro-negra, aos gritos de ``racista``. O argentino também foi perseguido em campo, sofrendo duras faltas de Royal, Pulgar e João Victor.
Nos minutos finais da partida, Wallace Yan recebeu uma bola enfiada por Samuel Lino, cara a cara com o goleiro. Porém, na hora de decidir, optou pela pior escolha: tentou uma cavadinha para encobrir o goleiro, que recuperou a bola com facilidade devido à sua grande estatura, evitando o gol que seria o último prego no caixão do Benfica.
O Algarve virou arquibancada rubro-negra
Se dentro de campo o Flamengo se sentiu em casa em vários momentos da partida, fora dele a sensação foi ainda mais evidente.
Desde horas antes do apito inicial, os arredores do Estádio Algarve já eram tomados por camisas rubro-negras, bandeiras, faixas e cantos que normalmente se escutam no Maracanã ou nas ruas do Rio de Janeiro.
Embora o confronto acontecesse em território português e diante de um dos maiores clubes do país, a torcida do Flamengo transformou as arquibancadas em um ambiente amplamente favorável ao Rubro-Negro, ocupando grande parte dos setores do estádio e protagonizando uma das imagens mais marcantes da noite.
Durante praticamente os 90 minutos, os cânticos da Nação se sobrepuseram em diversos momentos aos dos torcedores benfiquistas, empurrando a equipe principalmente nos momentos de maior pressão portuguesa após o empate de Pavlidis.
A explosão nas arquibancadas após o gol de Wallace Yan deu a dimensão do tamanho da presença rubro-negra no Algarve. Por alguns segundos, o estádio português pareceu transportado para o Maracanã.
Imagem: Gilvan de Souza/CRFPublicidade
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A cena serviu também como mais uma demonstração da força internacional da torcida do Flamengo. Espalhada por todos os continentes, a Nação voltou a provar que dificilmente existe um lugar do mundo onde o Rubro-Negro jogue sem se sentir representado nas arquibancadas.
Mais do que apoiar, a torcida participou ativamente da conquista do Troféu do Algarve e transformou um amistoso de pré-temporada em uma atmosfera que lembrava noites decisivas de Libertadores.
Portugal recebeu o Flamengo como visitante. As arquibancadas, no entanto, contaram uma história completamente diferente.
Qual time no planeta é capaz desta façanha?
Wallace Yan muda novamente o jogo
Foi então que surgiu novamente Wallace Yan.
O jovem atacante entrou no segundo tempo e precisou de poucos minutos para alterar completamente o panorama da partida.
Aos 69 minutos, Samuel Lino recebeu aberto pela esquerda, levantou a cabeça e encontrou Wallace Yan atacando o espaço entre os zagueiros portugueses.
O camisa 64 apareceu no tempo certo, finalizou com precisão e recolocou o Flamengo em vantagem no placar, marcando o gol do título rubro-negro em Portugal.
O lance resumiu perfeitamente uma das maiores virtudes do atacante: leitura de espaço.
Wallace Yan talvez ainda não seja o jogador mais técnico do elenco, nem o mais veloz ou fisicamente dominante, mas possui algo extremamente raro para um jogador tão jovem: inteligência para atacar os espaços certos no momento correto.
Foi exatamente isso que aconteceu no lance do gol. Enquanto os zagueiros do Benfica acompanhavam a movimentação dos jogadores mais próximos da bola, Wallace percebeu o vazio entre as linhas e apareceu livre para decidir.
Não foi acaso. Foi entendimento de jogo.
Wallace Yan deixa de ser promessa e passa a ser opção real
A intertemporada portuguesa provavelmente marcou uma mudança importante no status de Wallace Yan dentro do elenco profissional.
Se antes ele era visto apenas como uma promessa interessante da base, agora passa a ser enxergado como uma alternativa concreta para partidas do Brasileirão, da Copa do Brasil e até mesmo da Libertadores.
Durante os amistosos em Portugal, o atacante participou diretamente de gols, pressionou adversários, atacou profundidade, mostrou intensidade sem a bola e demonstrou personalidade mesmo diante de adversários europeus experientes.
Poucos jogadores aproveitaram tanto essa intertemporada quanto ele.
Os bons sinais deixados pela intertemporada
Mais importante do que os resultados obtidos contra River Plate, Lausanne e Benfica foi a evolução apresentada pelo Flamengo ao longo das três partidas.
A equipe mostrou organização defensiva, intensidade sem bola, maior capacidade de pressão pós-perda e um modelo ofensivo muito mais coletivo do que aquele observado nos primeiros meses da temporada.
Também chamou a atenção a quantidade de jovens aproveitando oportunidades e competindo em alto nível contra adversários importantes.
Lorran, Wallace Yan, Joshua e outros Garotos do Ninho mostraram que podem oferecer soluções importantes durante o calendário apertado que o Flamengo terá pela frente.
Agora começa a temporada de verdade
Com o retorno ao Brasil, Leonardo Jardim voltará a contar com os jogadores que disputaram a Copa do Mundo e terá pela frente um desafio completamente diferente daquele encontrado em Portugal.
Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil exigirão profundidade de elenco, capacidade de adaptação e gestão física quase perfeita.
Mas se a intertemporada servia para gerar dúvidas, ela termina deixando convicções.
O Flamengo volta da Europa com um modelo de jogo mais claro, com jovens pedindo passagem e com a sensação de que existe um grupo cada vez mais preparado para competir em alto nível até dezembro.
O Troféu do Algarve não vale pontos, não garante classificação e não entra na galeria dos grandes títulos da história rubro-negra.
Mas pode acabar sendo lembrado no futuro como o torneio que consolidou ideias, fortaleceu um elenco e apresentou definitivamente Wallace Yan ao futebol profissional do Flamengo.
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