BAP propõe revolução administrativa no Flamengo e defende gestão totalmente profissionalizada
Imagem: CRFPresidente encaminha “Emenda do Profissionalismo” ao Conselho Deliberativo e propõe fim das vice-presidências temáticas na estrutura do clube
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o BAP, deu mais um passo em seu projeto de reformulação administrativa do clube. O mandatário encaminhou ao Conselho Deliberativo uma proposta de alteração do estatuto rubro-negro que pode provocar uma das maiores transformações de governança da história recente da Gávea.
Batizada de “Emenda do Profissionalismo”, a iniciativa prevê que todas as áreas operacionais do Flamengo passem a ser comandadas exclusivamente por diretores profissionais remunerados, contratados com base em critérios técnicos, metas de desempenho e avaliações periódicas. A proposta busca institucionalizar um modelo de gestão que, segundo a atual diretoria, é mais compatível com a dimensão financeira e esportiva alcançada pelo clube nos últimos anos.
Fim das vice-presidências específicas
Uma das mudanças mais significativas previstas na proposta é a extinção das vice-presidências temáticas, modelo que historicamente faz parte da estrutura administrativa do Flamengo. Atualmente, o clube possui vice-presidências responsáveis por áreas como futebol, finanças, patrimônio, marketing, esportes olímpicos e relações externas.
Caso a emenda seja aprovada, essas funções deixarão de existir na forma atual. Em seu lugar, a gestão cotidiana dos departamentos passaria a ser conduzida por executivos profissionais, enquanto os dirigentes estatutários assumiriam um papel mais voltado para supervisão e governança.
Conselho Gestor substituiria o atual Conselho Diretor
Outro ponto central da proposta é a substituição do atual Conselho Diretor por um novo Conselho Gestor. O órgão seria composto pelo presidente do clube, pelo vice-presidente geral e por até 13 membros nomeados pelo mandatário, escolhidos entre associados de categorias específicas do quadro social rubro-negro.
Segundo o texto apresentado aos conselheiros, o Conselho Gestor teria como principal função atuar na direção estratégica do Flamengo, supervisionando a gestão profissional sem interferir diretamente na operação diária dos departamentos. A atuação do colegiado seria pautada por princípios de transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa.
Modelo inspirado em práticas corporativas
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A justificativa apresentada pela atual administração é aproximar o Flamengo das estruturas de governança adotadas por grandes organizações e empresas. Em um dos trechos do documento, a diretoria argumenta que o clube administra atualmente um orçamento superior a R$ 1 bilhão e que a complexidade da instituição exige dedicação exclusiva e conhecimento técnico especializado.
A proposta também reforça a separação entre governança e operação, modelo amplamente utilizado no ambiente corporativo. Nesse formato, conselheiros e dirigentes definem estratégias e fiscalizam resultados, enquanto profissionais contratados executam as atividades do dia a dia.
Nova estrutura prevê 15 diretorias profissionais
O projeto estabelece uma estrutura formada por 15 áreas estratégicas, incluindo futebol profissional, futebol de base, finanças, marketing, comunicação, tecnologia e inovação, jurídico, esportes olímpicos, relações institucionais e compliance. Todos os setores seriam conduzidos por executivos contratados especificamente para essas funções.
Na prática, o modelo amplia um processo que já começou em algumas áreas do clube. No futebol, por exemplo, a atual gestão já opera com profissionais remunerados em cargos executivos, reduzindo a participação de dirigentes estatutários nas decisões operacionais do departamento.
Proposta ainda passará por debate e votação
Apesar da repercussão gerada nos bastidores da Gávea, a proposta ainda está longe de ser implementada. O texto será analisado pelos conselheiros, poderá receber emendas e ajustes e posteriormente seguirá para apreciação da Comissão de Estatuto antes de ser submetido à votação. A expectativa é que a discussão se estenda ao longo dos próximos meses.
Caso seja aprovada, a “Emenda do Profissionalismo” representará uma mudança estrutural profunda no modelo de gestão do Flamengo. A iniciativa reforça uma tendência cada vez mais presente no futebol brasileiro: a busca por estruturas administrativas profissionalizadas, capazes de administrar clubes com receitas bilionárias e desafios cada vez mais complexos dentro e fora de campo.
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