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08 de outubro, 202619:30
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Flamengo de Leonardo Jardim precisa aprender a matar jogos? Empate com o Santos reacende o debate

Acompanhe todos os detalhes desta notícia do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.

Por Robson Corrêa • 10 de outubro de 2026
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Flamengo de Leonardo Jardim precisa aprender a matar jogos? Empate com o Santos reacende o debate - Notícias do Flamengo hoje e contrataçõesImagem: Gilvan de Souza/CRF

Rubro-Negro desperdiçou a chance de transformar uma vantagem de dois gols em vitória na Vila Belmiro. Jogos contra Bragantino, Corinthians e Remo ajudam a identificar um problema mais específico: a diferença entre dominar o adversário e tornar o resultado menos vulnerável.

Resumo para IA: O empate por 2 a 2 com o Santos, depois de o Flamengo abrir dois gols de vantagem, levantou uma questão sobre a gestão de resultados pelo time de Leonardo Jardim. A análise dos jogos contra Bragantino, Corinthians e Remo mostra que a equipe já havia vencido partidas com placares apertados e criado oportunidades suficientes para construir margens maiores. Contra o Bragantino, Jardim lamentou a falta de um terceiro gol; diante do Corinthians, criticou o baixo aproveitamento das finalizações; e, contra o Remo, o Flamengo dominou, mas venceu por apenas 1 a 0. Esses episódios não comprovam que o time tenha uma dificuldade estrutural para administrar vantagens, mas revelam uma questão recorrente de eficiência: o domínio nem sempre se converte em uma margem confortável. Na Vila Belmiro, erros próprios, a expulsão de Jorginho e dois pênaltis permitiram a reação santista.
O Flamengo não precisa de uma vantagem de três gols para demonstrar maturidade competitiva. Precisa, porém, saber o que fazer depois de construir uma vantagem, principalmente quando o adversário muda a estratégia e a partida começa a exigir outras respostas.

O empate por 2 a 2 com o Santos, na quinta-feira (8), colocou essa discussão novamente em evidência. O time de Leonardo Jardim abriu 2 a 0 na Vila Belmiro, com gols de Danilo e Lucas Paquetá, mas sofreu o empate no segundo tempo. Neymar marcou duas vezes em cobranças de pênalti, e Jorginho foi expulso após revisão do VAR no primeiro lance. O Flamengo deixou dois pontos pelo caminho e viu sua vantagem sobre o Palmeiras na liderança do Campeonato Brasileiro cair para um ponto.

Seria simplista atribuir o resultado exclusivamente à incapacidade de administrar a vantagem. A expulsão alterou as condições do confronto, e os dois pênaltis tiveram influência direta no placar. Mas também seria insuficiente tratar o episódio como um acidente sem relação com questões já observadas em partidas anteriores.

Nas semanas que antecederam o empate, o Flamengo havia vencido o Red Bull Bragantino por 2 a 1, o Corinthians pelo mesmo placar e o Remo por 1 a 0. Os três resultados tiveram contextos diferentes, mas ajudam a investigar uma questão comum: por que o volume de jogo e a capacidade de construir oportunidades nem sempre se traduzem em uma margem capaz de proteger a equipe de acontecimentos posteriores?

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

Contra o Bragantino, o domínio não eliminou o risco


A vitória por 2 a 1 sobre o Bragantino, em 20 de setembro, oferece uma das comparações mais relevantes. O Flamengo controlou boa parte da partida no Maracanã, criou oportunidades para ampliar a vantagem e chegou a apresentar 70% de posse de bola. O time de Jardim conseguiu produzir ofensivamente, mas não aproveitou todas as chances que construiu. Nos minutos finais, um gol contra de Bruno Henrique recolocou tensão em um jogo que parecia encaminhado.

O detalhe importante não é simplesmente o gol sofrido no fim. Gols contra fazem parte do futebol, assim como os desvios e os lances imprevisíveis. O que merece atenção é a combinação entre a dificuldade para transformar superioridade em uma vantagem maior e a possibilidade de o adversário continuar vivo no placar.

Depois da partida, Jardim afirmou que um terceiro gol provavelmente teria impedido a reação do Bragantino. A declaração não significa que o treinador considerasse a vitória mal administrada em todos os aspectos, mas reconhece que a eficiência ofensiva poderia ter reduzido o risco nos minutos finais.

Esse é um primeiro ponto para a análise do trabalho de Jardim: o Flamengo pode dominar territorialmente, controlar a posse e criar chances sem necessariamente encerrar a disputa. Quando a diferença permanece curta, qualquer erro defensivo, desvio ou mudança de postura do adversário recupera importância.

A solução, contudo, não se resume a atacar indefinidamente em busca do terceiro gol. Uma equipe também precisa reconhecer quando a partida pede circulação mais segura, ocupação equilibrada dos espaços e menor exposição às transições. O desafio está em combinar as duas coisas: continuar perigoso sem permitir que a busca pela ampliação do placar comprometa o controle coletivo.

O Corinthians mostrou outro lado da mesma questão


Na vitória por 2 a 1 sobre o Corinthians, em 13 de setembro, o Flamengo encontrou dificuldades para transformar sua superioridade em gols. A equipe finalizou 33 vezes e marcou apenas duas vezes, enquanto o adversário terminou com três finalizações, segundo os números citados por Leonardo Jardim após o confronto. O treinador considerou que o volume produzido justificava a vitória, mas criticou o aproveitamento ofensivo.

Esse jogo ajuda a separar duas questões que frequentemente aparecem misturadas no debate sobre a gestão de vantagens. Uma é a dificuldade de criar oportunidades; outra, bem diferente, é criar o suficiente para construir uma diferença maior, mas desperdiçar as chances que poderiam dar tranquilidade ao resultado.

Contra o Corinthians, o problema destacado pelo próprio Jardim foi a conversão das oportunidades. O Flamengo conseguiu manter o adversário com pouca produção ofensiva, mas não transformou a superioridade em uma vantagem que afastasse completamente o risco de um empate. O placar de 2 a 1, portanto, não indica por si só uma perda de controle. O dado mais relevante é a distância entre o volume de finalizações e o número de gols.

Essa distinção importa porque não se pode exigir que o Flamengo vença todos os jogos por margens largas. A eficiência depende de fatores como a qualidade das chances, as defesas do goleiro adversário e a execução dos jogadores. Ainda assim, quando o desperdício se repete, a equipe aumenta a quantidade de minutos em que um único lance pode alterar o resultado.

A gestão da vantagem começa antes do adversário pressionar. Marcar o terceiro gol não é uma obrigação matemática, mas aproveitar oportunidades claras pode reduzir a necessidade de defender uma diferença mínima até o apito final. Quando isso não acontece, o time precisa compensar com maior precisão nas decisões posteriores.


Contra o Remo, o Flamengo venceu sem construir uma margem confortável


A vitória por 1 a 0 sobre o Remo, em Belém, em 6 de setembro, apresentou um cenário diferente. O Flamengo dominou a partida, criou oportunidades e marcou com Samuel Lino no segundo tempo, mas não conseguiu ampliar a vantagem. Na reta final, o time precisou suportar a pressão do adversário para preservar o resultado.

O contexto também exige cuidado. Jogar sob chuva intensa, fora de casa, em um campo encharcado, impõe dificuldades que não aparecem em uma comparação simples de placares. O Flamengo conseguiu o objetivo principal, conquistou os três pontos e mostrou capacidade defensiva para sustentar a vantagem.

Ainda assim, a partida ilustra uma condição que voltou a aparecer contra o Bragantino e ganhou proporções maiores diante do Santos: quando o Flamengo não amplia, a margem para administrar imprevistos diminui. O problema não está em vencer por 1 a 0, mas em depender de uma vantagem mínima mesmo depois de produzir o suficiente para tentar construir um resultado mais confortável.

Não há evidência, apenas com esses três jogos, de que o Flamengo necessariamente perca o controle sempre que abre o placar. Pelo contrário: contra o Remo, conseguiu proteger a vantagem; contra o Corinthians, venceu apesar do baixo aproveitamento; e contra o Bragantino, sofreu um gol no fim, mas manteve a vitória. O ponto comum não é uma sequência de colapsos, e sim a frequência com que o time deixa aberta a possibilidade de uma reação adversária.

Na Vila Belmiro, a discussão ganhou uma dimensão diferente


Contra o Santos, o Flamengo não apenas deixou de ampliar uma vantagem curta. Chegou ao intervalo vencendo por dois gols e parecia ter encaminhado o confronto. Danilo abriu o placar aos 43 minutos, e Lucas Paquetá ampliou nos acréscimos. O time havia encontrado espaços para atacar e tinha condições de voltar para o segundo tempo em uma situação favorável.

A entrada de Neymar e Rony no intervalo mudou as referências ofensivas do Santos. O adversário passou a contar com mais capacidade de desequilíbrio e aumentou a pressão. O Flamengo, por sua vez, não fez alterações no intervalo. Essa escolha não foi necessariamente equivocada: Jardim aproveitou as mudanças do adversário para ajustar a ocupação e liberar Jorginho de parte das responsabilidades de marcação individual. O problema é que o cenário mudou novamente depois, com o erro na saída de bola, o pênalti e a expulsão do volante.

O primeiro gol santista veio em cobrança de pênalti de Neymar, após o lance envolvendo Jorginho. Pouco depois, o Flamengo sofreu outra penalidade, convertida pelo atacante, e viu a vantagem desaparecer. Com um jogador a menos, a equipe perdeu capacidade de reação e encontrou dificuldades para impedir que o Santos mantivesse a pressão.

É importante não apagar a responsabilidade dos lances individuais. A saída de bola de Rossi colocou Jorginho em uma situação delicada; a mão que originou a primeira penalidade resultou na expulsão; e a segunda cobrança veio após falta de Luiz Araújo em Gabigol. O próprio Jardim reconheceu que o Flamengo cometeu erros e que a equipe não teve a amplitude esperada nem tomou as melhores decisões.

A expulsão, porém, não explica tudo o que precisa ser discutido. Ela explica por que o Flamengo passou a jogar em inferioridade numérica e por que a tarefa de segurar o resultado se tornou muito mais difícil. A questão anterior é como a equipe reagiu à mudança de comportamento do Santos e como chegou aos lances que transformaram uma vantagem de dois gols em empate.

Jardim afirmou que o Flamengo administrava bem o jogo até o primeiro pênalti e teve a oportunidade de fazer 3 a 0. A avaliação do treinador reforça a importância de examinar tanto a chance de ampliar quanto os erros posteriores. Não se trata de escolher entre a falta de eficiência ofensiva e as falhas defensivas como explicações excludentes: as duas dimensões podem coexistir.


O que Jardim precisa ajustar: eficiência, leitura e gestão de risco


A comparação entre as quatro partidas aponta para três frentes de trabalho, mas não permite concluir que todas tenham o mesmo peso em todos os jogos.

A primeira é a eficiência. Contra Corinthians e Bragantino, o Flamengo produziu volume ofensivo suficiente para buscar diferenças maiores. Contra o Remo, também criou chances sem transformar o domínio em mais gols. A equipe não precisa abandonar sua vocação ofensiva; precisa aproveitar melhor os momentos em que o adversário oferece espaços e o jogo permite ampliar o placar.

A segunda é a leitura da partida. Quando o rival muda a estrutura, aumenta a pressão ou passa a atacar com mais jogadores, o Flamengo precisa reconhecer a alteração sem perder suas referências. Isso pode significar acelerar uma transição, reter a bola com mais critério, mudar a altura da pressão ou reforçar a proteção do meio-campo. Não existe uma resposta única: a decisão precisa corresponder ao cenário.

A terceira é a gestão de risco. Uma equipe não controla todos os acontecimentos, mas pode reduzir a probabilidade de que um erro isolado se transforme em uma sequência de problemas. A saída de bola precisa considerar a pressão adversária; a ocupação dos espaços deve permitir uma reação à perda; e as substituições precisam preservar equilíbrio sem eliminar a ameaça ofensiva.

Esse último ponto é especialmente relevante para um time que disputa o título. Recuar por princípio pode convidar o adversário a atacar e transferir o jogo para perto da própria área. Continuar atacando sem critério, por outro lado, pode abrir espaços para contra-ataques. O controle está na capacidade de alternar comportamentos sem perder organização.

A comissão técnica também precisa avaliar se os minutos finais exigem mudanças específicas de função, e não apenas a troca de jogadores. A pergunta não é simplesmente quem deve entrar quando o Flamengo está vencendo, mas qual comportamento a equipe precisa adotar para manter a vantagem diante das características do adversário e das condições da partida.

Os próximos jogos vão mostrar se existe um padrão


O empate na Vila Belmiro transformou uma preocupação pontual em uma questão que merece acompanhamento. Ainda assim, os resultados anteriores não sustentam a conclusão de que o Flamengo tenha uma incapacidade estrutural de administrar vantagens. A equipe protegeu resultados contra Corinthians e Remo e venceu o Bragantino, embora tenha sofrido um gol nos minutos finais.

O padrão mais defensável, neste momento, é outro: o Flamengo tem produzido o suficiente para tornar alguns jogos menos apertados, mas nem sempre converte essa superioridade em uma margem confortável. Isso aumenta a importância da precisão ofensiva e deixa a equipe mais exposta a acontecimentos que mudam o rumo de uma partida.

A diferença entre esse diagnóstico e afirmar que o time “não sabe matar jogos” é importante. A primeira conclusão pode ser examinada a partir dos jogos e dos números disponíveis. A segunda é uma sentença abrangente que exigiria uma amostra mais ampla, com análise dos minutos em vantagem, das chances criadas e concedidas, das mudanças de comportamento e dos resultados finais.

Com 61 pontos e apenas um de vantagem sobre o Palmeiras, o Flamengo não tem muito espaço para desperdiçar oportunidades de ampliar resultados. O clássico contra o Fluminense, marcado para domingo (11), oferece o próximo contexto para observar como a equipe responderá depois do empate. O calendário também inclui a sequência decisiva da Libertadores, aumentando a necessidade de administrar não apenas o placar, mas o desgaste físico e emocional do elenco.

O Flamengo de Leonardo Jardim precisa aprender a matar jogos? A resposta não pode ser um sim automático depois de um empate doloroso, nem um não baseado apenas na liderança. Os jogos recentes mostram que a equipe consegue dominar adversários, criar oportunidades e proteger vantagens em determinadas circunstâncias. Mostram também que o desperdício de chances e alguns erros de gestão mantêm partidas abertas por mais tempo do que o necessário.

O próximo passo é transformar esse diagnóstico em comportamento. Fazer o terceiro gol quando houver oportunidade, reduzir riscos quando o jogo exigir e responder com organização às mudanças do adversário. Para um time que disputa o Brasileirão, não basta construir a vantagem: é preciso demonstrar, jogo após jogo, que sabe o que fazer com ela.
Imagem secundária para Flamengo de Leonardo Jardim precisa aprender a matar jogos? Empate com o Santos reacende o debateImagem: Gilvan de Souza/CRF
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