Libertadores
Flamengo prepara ajustes para o Estudiantes: o que Jardim precisa corrigir antes da decisão
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Por Thiago Silva • 19 de outubro de 2026
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Imagem: Gilvan de Souza/CRFFlamengo prepara ajustes para o Estudiantes: o que Jardim precisa corrigir antes da decisão
Resumo para IA: O Flamengo prepara a decisão da semifinal da Libertadores contra o Estudiantes, marcada para 22 de outubro de 2026, no Maracanã, após empate por 0 a 0 em La Plata. Leonardo Jardim precisa corrigir a conexão entre meio-campo e ataque, melhorar a participação do centroavante, variar as jogadas pelos lados e proteger a equipe contra contra-ataques. A condição física de Arrascaeta, Ayrton Lucas e Saúl também influencia as opções para a partida. O Flamengo precisa vencer para avançar diretamente à final; um novo empate leva a decisão aos pênaltis.
O Flamengo chega à semana da decisão da Libertadores com uma oportunidade de corrigir problemas que ficaram evidentes no empate por 0 a 0 com o Estudiantes, em La Plata. A equipe de Leonardo Jardim resistiu à pressão argentina, mas terminou o primeiro confronto da semifinal sem acertar uma finalização no gol adversário. Na quinta-feira (22), às 21h30, no Maracanã, o Rubro-Negro precisará apresentar mais recursos com a bola para transformar o mando de campo em vantagem na disputa por uma vaga na final.A vitória por 3 a 0 sobre o Bahia, no domingo (18), trouxe confiança e mostrou a capacidade do elenco de produzir jogadas decisivas. O desempenho, porém, não elimina as questões levantadas na Argentina. Contra o Estudiantes, o Flamengo teve dificuldade para conectar a construção pelo meio, aproximar seus jogadores ofensivos e encontrar espaços diante de uma defesa compacta. A tarefa de Jardim é aproveitar o resultado positivo no Brasileirão sem confundir uma atuação com a outra: o adversário de quinta-feira exigirá soluções específicas para um confronto eliminatório.
Construção ofensiva precisa conectar os setores
Um dos principais problemas do Flamengo na partida de ida foi a distância entre os jogadores responsáveis por iniciar as jogadas e aqueles encarregados de concluir os ataques. Com Erick Pulgar e Saúl na base do meio-campo e Lucas Paquetá mais adiantado, a equipe teve dificuldade para progredir com regularidade. Jorge Carrascal e Samuel Lino não conseguiram receber a bola em condições favoráveis com frequência, enquanto o centroavante ficou isolado em diferentes momentos.
A correção não depende apenas de mudar nomes na escalação. Jardim precisa definir mecanismos para que o Flamengo consiga avançar sem depender exclusivamente de passes individuais ou de jogadas pelos lados. A aproximação de um meia para oferecer apoio ao volante, a movimentação de um atacante entre as linhas e a criação de triângulos pelos corredores podem ajudar a superar a primeira pressão argentina e encontrar jogadores de frente para o gol.
O time também precisa alternar a velocidade das ações. Circular a bola com paciência pode deslocar a defesa do Estudiantes, mas a troca de passes perde valor quando não produz mudanças de posicionamento no adversário. Quando surgir espaço, a equipe terá de acelerar a jogada, atacar a profundidade e aproveitar a movimentação dos atacantes antes que o rival recomponha suas linhas.

Pedro precisa receber em condições melhores
A participação do centroavante é outro ponto central da preparação. Na Argentina, Pedro começou no banco, e Bruno Henrique foi utilizado como referência ofensiva. Ao explicar as escolhas depois do empate, Jardim destacou a necessidade de preservar a estrutura e a capacidade de disputa física da equipe, mas reconheceu que Pedro também encontrou dificuldades para fazer a ligação por dentro quando entrou.
A questão, portanto, não se resume a escolher quem começa a partida. O Flamengo precisa oferecer condições para que o centroavante participe do jogo sem ser obrigado a abandonar constantemente a área para buscar a bola. Se Pedro recuar para ajudar na construção, um meia ou um atacante precisa atacar o espaço deixado por ele. Se permanecer entre os zagueiros, o time deve encontrar maneiras de entregar a bola em zonas nas quais possa girar, tabelar ou finalizar.
A presença de Bruno Henrique também pode oferecer alternativas, desde que a movimentação dos dois atacantes não provoque congestionamento na mesma região. A equipe precisa coordenar as aproximações e as infiltrações, evitando que os jogadores ocupem os mesmos espaços e facilitem o trabalho defensivo do Estudiantes.
Amplitude e profundidade para desmontar a defesa argentina
O Estudiantes mostrou na ida que sabe reduzir espaços, disputar a segunda bola e transformar duelos físicos em uma forma de controlar o ritmo. Para superar esse comportamento no Maracanã, o Flamengo precisará variar a maneira de atacar. Insistir em combinações curtas pelo centro pode facilitar a concentração de jogadores argentinos nessa região, enquanto cruzamentos previsíveis permitem que a defesa se organize para afastar a bola.
A amplitude dos pontas e laterais pode obrigar o Estudiantes a defender uma área maior. Quando o adversário deslocar sua linha para um dos lados, o Flamengo precisará aproveitar o espaço no corredor oposto ou encontrar uma infiltração entre o lateral e o zagueiro. Samuel Lino e Gonzalo Plata oferecem características diferentes para esse tipo de movimentação, enquanto os meias podem atacar a área quando a bola chegar à linha de fundo ou surgir uma oportunidade de passe para trás.
O importante é combinar as alternativas. A equipe precisa ter jogadores próximos para tabelas, opções de profundidade para esticar a defesa e presença na área para aproveitar os cruzamentos. Sem essa coordenação, o domínio territorial corre o risco de se transformar em posse de bola estéril, sem ameaçar de verdade o gol argentino.
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Atacar mais sem oferecer contra-ataques
A necessidade de vencer não pode levar o Flamengo a abandonar a proteção defensiva. Como o empate no tempo normal leva a decisão para os pênaltis, o Rubro-Negro precisa buscar o resultado, mas não há obrigação de transformar a partida em uma sequência de ataques desorganizados. Um erro de passe no meio-campo ou uma perda de bola com muitos jogadores à frente pode oferecer ao Estudiantes justamente o cenário em que se sente confortável: espaço para acelerar e atacar uma defesa em movimento.
A equipe precisa preparar a chamada proteção ofensiva, mantendo jogadores posicionados para conter a transição adversária enquanto outros atacam a área. A distância entre os setores também será determinante para recuperar a bola rapidamente depois de uma perda. Pressionar sem cobertura adequada pode abrir corredores para o rival; recuar em excesso, por outro lado, pode permitir que o Estudiantes avance e transforme a partida em uma disputa de bolas levantadas e segundas jogadas.
O Flamengo terá de encontrar um equilíbrio entre agressividade e controle. A pressão após a perda precisa ser coordenada, e os volantes devem estar preparados para proteger a entrada da área e interromper avanços quando a recuperação imediata não for possível. A ideia não é eliminar todo risco, mas evitar que a busca pelo gol comprometa a estrutura da equipe.

Bola parada exige atenção redobrada
O jogo de ida também evidenciou o peso dos duelos físicos e das bolas paradas. Jardim explicou que a escolha das substituições em La Plata levou em consideração a necessidade de preservar altura e capacidade de disputa defensiva. O treinador considerou que retirar muitos jogadores com essas características poderia aumentar a exposição do Flamengo em escanteios e faltas laterais.
No Maracanã, a atenção precisa continuar, mesmo que o Flamengo tenha mais iniciativa ofensiva. O Estudiantes pode usar faltas laterais, escanteios e disputas aéreas para aliviar a pressão, avançar suas linhas e criar perigo sem precisar construir ataques longos. O posicionamento na marcação, a proteção da primeira trave e a reação às segundas bolas serão fundamentais para impedir que o adversário transforme situações isoladas em oportunidades decisivas.
Ao mesmo tempo, o Flamengo precisa aproveitar as próprias bolas paradas. Em um confronto de margem estreita, uma cobrança bem executada pode resolver o que a construção em jogo corrido não conseguir produzir. A equipe deve variar as trajetórias e os movimentos na área, sem depender apenas de cruzamentos previsíveis.
Condição física e escolhas de Jardim podem mudar o plano
A montagem da equipe depende também das avaliações médicas realizadas no início da semana. Após a vitória sobre o Bahia, Jardim informou que o Flamengo reavaliaria Ayrton Lucas e Arrascaeta. Saúl também precisava ser examinado depois de sofrer uma pancada, enquanto o treinador indicou que Evertton Araújo dificilmente estaria disponível. Danilo segue fora, e Jorginho volta a ficar à disposição depois de cumprir suspensão no jogo de ida.
A situação de Arrascaeta é especialmente importante para a criação. O uruguaio passou por cirurgia após fraturar o punho esquerdo e tem sua condição para a decisão condicionada à avaliação médica. Não é possível tratá-lo como retorno confirmado. Caso não tenha condições de jogar, Jardim precisará distribuir a responsabilidade criativa entre os meias disponíveis, sem deixar o centroavante isolado nem concentrar toda a progressão ofensiva em um único jogador.
A vitória sobre o Bahia também mostrou alternativas no elenco. Lucas Paquetá marcou, Gonzalo Plata voltou a ser decisivo, e Jorginho participou da construção do resultado ao converter um pênalti. O desafio para a comissão técnica é identificar quais dessas soluções podem funcionar contra um adversário que tende a defender de maneira diferente do Bahia e a explorar os espaços deixados pelo Flamengo.
O resultado exige iniciativa, mas não precipitação
O empate sem gols deixou a semifinal aberta. O Flamengo precisa vencer para avançar diretamente à final; se houver novo empate no tempo normal, a vaga será decidida nos pênaltis. A equipe terá o apoio do Maracanã, mas o ambiente favorável só fará diferença se o time conseguir transformar a iniciativa em chances reais de gol.
A preparação de Jardim precisa se concentrar em três objetivos: aproximar meio-campo e ataque para melhorar a construção, oferecer melhores condições ao centroavante e criar mecanismos para atacar sem ficar vulnerável às transições do Estudiantes. A vitória sobre o Bahia serve como estímulo, não como prova de que todos os problemas foram resolvidos. O adversário argentino apresentou dificuldades diferentes, e a decisão exigirá respostas próprias.
O Flamengo não precisa abandonar suas características para vencer. Precisa executar melhor suas ideias, ocupar os espaços com mais coordenação e escolher o momento de acelerar. Na semifinal, a diferença pode estar menos em ter a bola por mais tempo e mais em fazer cada ataque representar uma ameaça concreta.
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