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Investigação

Abuso sexual em menores, FBI na cola de 300 milhões, jatos particulares e mansões de luxo: jornalista investigativo francês expõe as entranhas da relação entre AFA e FIFA.

Por Redação Fla1011 de julho de 2026
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Abuso sexual em menores, FBI na cola de 300 milhões, jatos particulares e mansões de luxo: jornalista investigativo francês expõe as entranhas da relação entre AFA e FIFA. Imagem: Arte Fla10

O esquema de como a AFA transformou a paixão nacional em um balcão de negócios, a trama que choca o mundo da bola e expõe a podridão por trás dos gols de Messi.

No turbilhão do futebol internacional, onde a glória e a paixão se entrelaçam com cifras astronômicas e interesses obscuros, poucos ousam desvendar as entranhas do poder. Essa história, que é um mergulho profundo nas inter-relações explosivas entre o dinheiro e o poder no mundo do futebol, nos é trazida à tona pelo jornalista investigativo Romain Molina.

Para quem não o conhece, Molina é uma voz incômoda e respeitada no jornalismo esportivo mundial, conhecido por suas investigações implacáveis sobre corrupção, abusos e manipulações nos bastidores do futebol. Com trabalhos notórios que expuseram esquemas em diversas federações e clubes, Molina se tornou uma referência para quem busca a verdade por trás dos panos. Sua coragem em enfrentar gigantes como a FIFA e a UEFA lhe rendeu tanto admiração quanto inimigos poderosos. É com base em sua transcrição, "A Máfia do Futebol Argentino", que desvendamos essa teia de aranha.

Segundo Molina, em uma recente exposição em seu canal no YouTube (link para o vídeo completo ao final desta matéria), o que vem se desenrolando na Argentina é um enredo digno de páginas policiais, e a FIFA, que deveria ser a guardiã da ética, parece ter se tornado uma cúmplice silenciosa, ou pior, ativa.

O Caso Guachi: Abuso e Silêncio Cúmplice

A matéria começa em 2021, com um escândalo que, por si só, já deveria ter abalado as estruturas do futebol argentino e mundial. Diego Guachi, treinador das seleções jovens femininas da AFA (sub-16 ou sub-17), foi acusado de maus-tratos, assédio psicológico e até sexual contra menores. As denúncias, levadas à FIFPro (o sindicato mundial dos jogadores) e à Comissão de Ética da FIFA, revelavam um padrão de comportamento hediondo. Guachi teria proferido frases como: "O que eu vou ter que fazer para isso mudar? Ir ao chuveiro e sodomizar vocês?" e sugerido que as jogadoras "baixassem a calça e fossem estupradas" para permanecer na seleção.

O mais chocante, porém, não é apenas a gravidade das acusações, mas a resposta das entidades. A FIFA, após uma investigação que se arrastou por anos, concluiu que as "provas eram insuficientes" e Guachi foi liberado sem sanções. Pior: a entidade máxima do futebol divulgou os nomes das vítimas, que haviam pedido anonimato total por medo de represálias. Molina, que acompanhou o caso de perto, já alertava em 2022: "Ele nunca será punido". E, de fato, Guachi segue atuando em clubes, com denúncias que já somam oito, sem qualquer punição efetiva na Argentina . A mensagem era clara: a AFA seria protegida, e as meninas, sacrificadas. Um padrão de conivência que, infelizmente, Molina já havia testemunhado em outros países como França, Colômbia, Haiti e Gabão.

A Teia Financeira: 300 Milhões de Dólares e Empresas-Fantasma

Mas o escândalo Guachi é apenas a ponta do iceberg. A investigação do FBI, que apura o desvio e lavagem de mais de 300 milhões de dólares, revela uma trama financeira complexa que envolve a AFA e a FIFA. O ponto central é a empresa TourProdEnter, criada em Miami, apenas três meses e meio antes da Copa do Mundo de 2022, por um produtor de teatro argentino e sua esposa, o Sr. Faraoni. Essa empresa, sem qualquer histórico no futebol, recebeu da AFA, nove dias antes da conquista argentina, os direitos comerciais exclusivos de tudo relacionado ao exterior: logística, jogos, direitos de TV, etc.

O dinheiro gerado pelos gols de Messi, pela Copa do Mundo e pelos patrocínios da Adidas, que deveria ir para a AFA, foi direcionado para a TourProdEnter. A FIFA, que se vangloria de fiscalizar o fluxo de dinheiro, transferiu 42 milhões de dólares diretamente para essa empresa novata. O contrato previa que a TourProdEnter ficaria com 30% do valor, repassando 70% à AFA. No entanto, "apenas uma parte ínfima realmente chegou" à federação, que, aliás, não divulga suas contas.

O esquema se aprofunda com a criação de uma rede de "empresas-fantasma" e "laranjas". A TourProdEnter abria contas em bancos como Bank of America, Citibank e JP Morgan, distribuindo o dinheiro para outras empresas, muitas delas fictícias e sediadas no mesmo endereço em Miami. Pessoas de Bariloche, com histórico de dívidas e falência, passaram a receber milhões de dólares. No total, cerca de 42 milhões de dólares dos mais de 300 milhões foram desviados para essas empresas-fantasma.

Imagem secundária para Abuso sexual em menores, FBI na cola de 300 milhões, jatos particulares e mansões de luxo: jornalista investigativo francês expõe as entranhas da relação entre AFA e FIFA. Imagem: Reprodução - Canal Romain Molina

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Jatos, Mansões e um Clube Italiano: O Luxo da Corrupção

Para onde foi todo esse dinheiro? A resposta é simples: para manter um estilo de vida luxuoso para os dirigentes. O presidente da AFA, "Chiqui" Tapia, passou a viajar em um Gulfstream G400, um dos jatos mais caros do mundo. Iates e karts também foram pagos por essas empresas. Há até mesmo uma mansão gigantesca, com pista para helicóptero, piscinas e instalações para cavalos, cujo verdadeiro proprietário é suspeito de ser o tesoureiro da AFA.

O esquema foi tão audacioso que permitiu a Faraoni e outros se tornarem proprietários do clube italiano Perugia. Em 2024, Faraoni adquiriu 80% das ações do clube, que estava endividado em 3 milhões de dólares, por um custo total de pouco mais de 6 milhões de dólares. A federação italiana, furiosa, aplicou sanções por falta de clareza financeira.

Proteção Judicial e Conflito Político

Durante anos, a AFA foi protegida judicialmente. A transferência da sede da federação para uma região da província de Buenos Aires, com a ajuda de um governador peronista e próximo de Tapia, garantiu que juízes bloqueassem investigações e atrasassem processos. Tapia e seus aliados conseguiram, assim, se manter no poder.

Hoje, há um conflito entre o presidente Milei e o presidente da AFA, que se recusa a aceitar a privatização do futebol. O contrato com a empresa de Miami foi prorrogado até 2030, revelando a cumplicidade de todo o bureau federal e de outros clubes. O futebol argentino, um desastre institucional, vê a confiança entre torcedores e instituições completamente rompida .

Vaidade ou estupidez? A Lição do FIFA-Gate Ignorada

O mais estarrecedor é a aparente ignorância da história. Há dez anos, dirigentes latino-americanos caíram no FIFA-Gate justamente por fazer negócios com bancos e empresas americanas, o que permitiu a ação da justiça dos EUA. Como explicar que, após essa lição, a AFA e a FIFA continuem a usar empresas americanas em esquemas tão transparentes?

Romain Molina aponta que a FIFA enviou dinheiro para a empresa da Flórida e falhou na auditoria, o que é "inacreditável". Ele também menciona ameaças, censura e o sumiço de credenciais de jornalistas que tentaram investigar. A influência de Emilio García, diretor jurídico da FIFA, na CONMEBOL e sua proximidade com Infantino, presidente da FIFA, levantam sérias questões sobre a integridade da entidade.

O futebol, a paixão de milhões, está sendo corroído por dentro. A máfia argentina, com a conivência de figuras poderosas da FIFA, transformou o esporte em um balcão de negócios sujos, onde a ética e a justiça são meros detalhes. É hora do mundo do futebol exigir transparência e responsabilidade, antes que a paixão se transforme em desilusão total.

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