Marrocos faz história, elimina a Holanda nos pênaltis e segue sonhando alto na Copa do Mundo
Imagem: FIFALeões do Atlas buscam empate nos acréscimos, superam a favorita Holanda nas penalidades e avançam às oitavas para enfrentar o Canadá
Marrocos voltou a provar ao mundo que seu desempenho histórico na Copa do Mundo de 2022 não foi acaso. Em mais uma atuação marcada por personalidade, organização tática e muita resiliência, os Leões do Atlas eliminaram a poderosa Holanda nos pênaltis e garantiram vaga às oitavas de final da Copa do Mundo de 2026.
Depois de empatarem por 1 a 1 no tempo regulamentar e na prorrogação, os marroquinos levaram a melhor nas penalidades por 3 a 2, em um confronto eletrizante disputado no Estádio BBVA, em Monterrey. Agora, a seleção africana enfrentará o Canadá em busca de uma inédita vaga nas quartas de final do torneio.
Como foi o jogo
A Holanda começou a partida tentando impor seu estilo tradicional de posse de bola e circulação rápida. Apesar disso, encontrou pela frente um Marrocos extremamente compacto, disciplinado taticamente e perigoso nos contra-ataques.
O primeiro gol da partida saiu apenas no segundo tempo. Cody Gakpo abriu o placar para a seleção holandesa e emocionou os torcedores ao dedicar a comemoração ao filho que perdeu recentemente durante a gestação de sua companheira. O atacante foi um dos poucos destaques ofensivos da Laranja Mecânica na partida.
Mesmo atrás no placar, Marrocos não se desesperou. A equipe africana manteve a intensidade, continuou pressionando e acabou sendo recompensada nos acréscimos da etapa final, quando Issa Diop apareceu para empatar a partida e levar a decisão para a prorrogação.
Durante o tempo extra, os marroquinos seguiram melhores em campo, criando as oportunidades mais perigosas e obrigando o goleiro Bart Verbruggen a realizar grandes intervenções para manter sua equipe viva na disputa.
Análise tática: Marrocos dominou a Holanda do início ao fim
Se o placar permaneceu empatado durante 120 minutos, a análise tática mostra que Marrocos foi amplamente superior à Holanda na maior parte do confronto. Os números comprovam a sensação deixada em campo: a seleção africana terminou a partida com cerca de 70% de posse de bola, mais finalizações e maior volume ofensivo, dominando territorialmente uma das seleções mais tradicionais do futebol mundial.
A postura holandesa surpreendeu até mesmo o técnico marroquino Mohamed Ouahbi. Conhecida historicamente por valorizar a posse e o futebol ofensivo, a Holanda adotou uma estratégia muito mais conservadora, baixando suas linhas defensivas e apostando em transições rápidas. Ronald Koeman montou sua equipe em um 3-4-3 que, sem a bola, frequentemente transformava-se em uma linha de cinco defensores, deixando Cody Gakpo e Brian Brobbey isolados no ataque.
Marrocos, por outro lado, apresentou uma atuação extremamente moderna. Organizada em um 4-5-1 bastante flexível, a equipe africana controlou o meio-campo através da qualidade técnica de jogadores como Azzedine Ounahi, El Aynaoui e El Khannouss, além da constante participação de Brahim Díaz entre as linhas. Com a posse, os Leões do Atlas empurravam a Holanda para trás, construindo suas jogadas com paciência e ocupando praticamente todo o campo ofensivo.
Outro aspecto decisivo foi a atuação dos laterais Hakimi e Mazraoui. Os dois participaram ativamente da construção ofensiva, dando amplitude ao time e criando superioridade numérica pelos corredores. Hakimi, inclusive, foi um dos jogadores mais influentes da partida, aparecendo constantemente no campo de ataque e obrigando a defesa holandesa a permanecer em estado de alerta durante praticamente todo o confronto.
Enquanto Marrocos controlava a bola e ditava o ritmo, a Holanda encontrou enormes dificuldades para criar. Em diversos momentos, a equipe europeia abusou das ligações diretas e demonstrou pouca criatividade na construção ofensiva. Não por acaso, o goleiro Bart Verbruggen acabou sendo um dos principais destaques holandeses ainda no primeiro tempo, realizando intervenções fundamentais para impedir que os africanos construíssem uma vantagem ainda antes do intervalo.
Mesmo após sofrer o gol de Gakpo, Marrocos manteve sua identidade e continuou pressionando. O empate nos acréscimos, marcado por Issa Diop, foi consequência natural de uma equipe que nunca abriu mão de atacar e que acreditou até o último segundo. Ao final da partida, a sensação era clara: Marrocos não apenas eliminou a Holanda. Marrocos dominou a Holanda. E a classificação veio como prêmio merecido por uma atuação coletiva de altíssimo nível.
Os protagonistas da classificação marroquina
Além da superioridade coletiva apresentada por Marrocos, alguns jogadores tiveram papel determinante no desenrolar da partida e acabaram se tornando peças-chave para o resultado histórico.
Bart Verbruggen: o responsável por manter a Holanda viva
Apesar da eliminação, o goleiro holandês foi um dos melhores jogadores em campo. Constantemente exigido pelo ataque marroquino, Verbruggen realizou importantes defesas durante os 120 minutos, evitando que a Holanda sofresse uma derrota ainda no tempo regulamentar. Sua atuação foi especialmente destacada no primeiro tempo, quando protagonizou intervenções decisivas em finalizações de Ounahi e Brahim Díaz. Sem suas defesas, a história da partida poderia ter sido definida muito antes das penalidades.
Cody Gakpo: o brilho solitário da Holanda
Em uma atuação coletiva bastante abaixo do esperado da seleção holandesa, Cody Gakpo foi o principal nome ofensivo da equipe europeia. Além de marcar o gol que colocou a Holanda em vantagem, o atacante mostrou movimentação constante e tentou, praticamente sozinho, oferecer profundidade ao sistema ofensivo comandado por Ronald Koeman. No entanto, acabou isolado durante boa parte do jogo, consequência direta da dificuldade holandesa em manter a posse de bola e construir jogadas ofensivas consistentes.
Issa Diop: o símbolo da resistência marroquina
Se Marrocos teve um jogador que personificou a entrega e a crença da equipe, esse nome foi Issa Diop. Seguro defensivamente durante toda a partida, o zagueiro ainda apareceu no momento mais importante do jogo para marcar o gol de empate nos acréscimos do segundo tempo. Sua atuação foi praticamente impecável, vencendo duelos aéreos, interceptando ataques holandeses e demonstrando enorme liderança dentro de campo. O gol coroou uma exibição de altíssimo nível e transformou Diop em um dos grandes heróis da classificação.
Hakimi e Ounahi comandaram o espetáculo marroquino
Embora Diop tenha sido decisivo, o domínio marroquino passou principalmente pelos pés de Achraf Hakimi e Azzedine Ounahi. Hakimi controlou o corredor direito com autoridade, oferecendo amplitude ofensiva e intensidade defensiva durante toda a partida. Já Ounahi foi o cérebro da equipe africana, comandando a circulação de bola, organizando as ações ofensivas e ditando o ritmo do jogo no meio-campo. Juntos, foram fundamentais para que Marrocos conseguisse controlar uma seleção historicamente reconhecida pela qualidade técnica como a Holanda.
Festival de emoções e drama absoluto nos pênaltis
Imagem: FIFAPublicidade
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Se os 120 minutos já haviam sido intensos, a disputa por pênaltis transformou a classificação marroquina em um verdadeiro roteiro cinematográfico.
O primeiro golpe veio logo no início da série. Neil El Aynaoui, um dos destaques do meio-campo marroquino durante a partida, desperdiçou sua cobrança ao parar nas mãos do goleiro Bart Verbruggen, permitindo que a Holanda saísse na frente emocionalmente na disputa. Porém, a vantagem holandesa durou pouco.
Justin Kluivert, filho do lendário Patrick Kluivert, também não conseguiu converter sua cobrança, recolocando Marrocos na disputa e devolvendo a tensão ao Estádio BBVA. A partir daí, cada cobrança passou a ser acompanhada por um silêncio ensurdecedor nas arquibancadas.
Soufiane Rahimi bateu para Marrocos e viu Verbruggen tocar na bola. O goleiro holandês parecia ter realizado uma defesa espetacular, mas, para desespero da torcida europeia, a bola escapou por baixo de seu corpo e lentamente cruzou a linha do gol. O lance mudou completamente o panorama emocional da disputa.
A pressão passou então para os holandeses. Quinten Timber foi para a cobrança seguinte sabendo que precisava converter, mas acabou mandando para fora, aumentando ainda mais a tensão sobre a Laranja Mecânica.
Marrocos teve a chance de liquidar a classificação antecipadamente quando Achraf Hakimi caminhou para a marca da cal. O capitão, porém, acertou a trave, adiando a festa africana e reacendendo as esperanças holandesas.
Tudo ficou para a última cobrança holandesa. Crysencio Summerville precisava marcar para manter sua seleção viva na Copa do Mundo. Diante dele estava Bono, especialista em decisões por pênaltis e herói marroquino em mais uma noite de Mundial. O atacante bateu buscando o ângulo, mas Bono voou no canto e fez uma defesa espetacular com a mão esquerda, levando a torcida marroquina à loucura.
Restava apenas uma cobrança. Ismael Saibari caminhou lentamente até a bola sob enorme pressão. O estádio inteiro parou. Com extrema categoria e sangue frio, o camisa marroquino deslocou Verbruggen e estufou as redes, selando a vitória por 3 a 2 e desencadeando uma explosão de alegria nas arquibancadas. Jogadores, comissão técnica e torcedores invadiram o gramado para celebrar uma classificação que já faz parte da história do futebol marroquino.
Bono, o especialista em decisões
Se Marrocos avançou às oitavas de final, boa parte do mérito passa pelas mãos de Yassine Bono. Acostumado a brilhar em momentos decisivos, o goleiro voltou a demonstrar por que é considerado um dos maiores especialistas do futebol mundial em disputas por pênaltis.
Mais do que reflexo, Bono impressiona pela frieza. Durante toda a série contra a Holanda, o goleiro marroquino manteve a expressão serena, sem demonstrar nervosismo mesmo nos momentos de maior pressão. Sua postura psicológica é uma das grandes armas: Bono procura permanecer imóvel até o último instante, estudando atentamente o corpo do cobrador antes de escolher o canto da defesa.
Outro aspecto que chama atenção é sua técnica. Diferentemente de muitos goleiros que antecipam o movimento, Bono costuma esperar a definição da batida para então reagir com explosão. Essa característica reduz as chances de ser enganado por paradinhas ou mudanças de direção de última hora, tornando-o extremamente eficiente em disputas de penalidades.
Não é a primeira vez que o camisa 1 decide uma classificação dessa maneira. Nas últimas temporadas, tanto por clubes quanto pela seleção marroquina, Bono construiu uma reputação de verdadeiro "pegador de pênaltis", acumulando atuações memoráveis em torneios continentais e internacionais.
Contra a Holanda, mais uma vez, ele mostrou que quando a decisão vai para a marca da cal, Marrocos possui uma arma capaz de desequilibrar qualquer confronto.
"Dominamos completamente", diz técnico marroquino
Após a classificação, o técnico de Marrocos não escondeu a satisfação e afirmou que sua equipe mereceu avançar.
"Dominamos completamente a partida", declarou o treinador, ressaltando a superioridade apresentada pelos Leões do Atlas principalmente após o intervalo.
Os números corroboram a análise do comandante. Marrocos teve maior volume ofensivo na reta final do jogo e foi constantemente mais agressivo que a Holanda, sobretudo nos momentos decisivos da partida.
Wilton Pereira Sampaio vira assunto nas redes
A arbitragem do brasileiro Wilton Pereira Sampaio também repercutiu intensamente nas redes sociais. Diversos torcedores criticaram decisões tomadas ao longo do confronto, especialmente pela quantidade de faltas duras e pela condução disciplinar da partida, considerada excessivamente permissiva por parte da torcida.
Apesar das reclamações, não houve grandes polêmicas envolvendo lances capitais, e a classificação marroquina acabou sendo amplamente reconhecida como justa pela imprensa internacional.
Marrocos segue escrevendo sua história
Depois do histórico quarto lugar conquistado na Copa do Mundo de 2022, Marrocos mostra novamente que pertence à elite do futebol mundial. A eliminação da Holanda, uma das seleções mais tradicionais do planeta, reforça ainda mais o crescimento do futebol marroquino nos últimos anos.
Agora, os Leões do Atlas terão pela frente o Canadá. Mas, depois de derrubar a Holanda, poucos ousam duvidar da capacidade desta geração marroquina de continuar fazendo história.
O futebol africano ganha mais um capítulo memorável em sua trajetória nos Mundiais. E Marrocos, mais uma vez, prova que está pronto para desafiar qualquer gigante que apareça pelo caminho.
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