“Nos sentimos ameaçados”: bastidores revelados por Boto expõem noite de caos vivida pelo Flamengo na Colômbia
Imagem: CRFDiretor do Flamengo relata invasão ao acesso do vestiário, clima de medo e pressão para continuidade da partida em Medellín após episódios de violência na Libertadores
Os bastidores da noite que terminou com o cancelamento de Independiente Medellín x Flamengo, pela Copa Libertadores, revelam um cenário ainda mais tenso do que o visto pelas transmissões de televisão. Em depoimento após o episódio ocorrido no Estádio Atanasio Girardot, o diretor de futebol rubro-negro, José Boto, afirmou que integrantes da delegação chegaram a se sentir ameaçados durante a confusão causada por torcedores colombianos.
Segundo o dirigente português, houve invasão ao túnel de acesso ao vestiário do Flamengo, situação que aumentou a preocupação da comissão técnica e dos jogadores em meio ao ambiente de caos no estádio. Boto relatou que objetos foram arremessados em direção ao gramado e às áreas internas do estádio, incluindo sinalizadores, pedras e estruturas metálicas.
— Não sabíamos o que havia lá dentro, se havia uma arma, uma faca ou qualquer outro objeto, e nos sentimos um pouco ameaçados — declarou o dirigente, ao comentar os momentos de tensão vividos pela delegação rubro-negra.
A partida foi interrompida ainda nos primeiros minutos após invasão de torcedores e confrontos nas arquibancadas. Imagens registraram incêndios em setores do estádio, bombas sendo lançadas e ação da polícia com gás lacrimogêneo para tentar conter os protestos. O jogo acabou cancelado por falta de segurança.
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Internamente, o Flamengo sustenta que jamais se recusou a jogar. A condição imposta pelo clube era apenas uma: garantia total de segurança para atletas, funcionários e torcedores. Segundo Boto, dirigentes locais e representantes do governo colombiano ainda tentaram encontrar alternativas para retomar a partida após a evacuação parcial do estádio, hipótese descartada pelo Flamengo diante do risco de agravamento da situação.
O técnico Leonardo Jardim também reforçou o posicionamento do clube e afirmou que não existiam condições mínimas para continuidade do espetáculo. O treinador português criticou a demora para interrupção definitiva da partida e destacou que a integridade física dos envolvidos precisava estar acima de qualquer decisão esportiva.
Nos bastidores da Conmebol, cresce a expectativa pela oficialização da vitória do Flamengo por W.O. O regulamento disciplinar da entidade prevê derrota automática do mandante quando há falha grave de segurança que impeça a realização da partida. A diretoria rubro-negra trabalha com confiança em relação à confirmação do placar administrativo nos próximos dias.
Mesmo após a noite turbulenta em Medellín, a delegação seguiu viagem diretamente para Porto Alegre, onde enfrenta o Grêmio pelo Campeonato Brasileiro. A comissão técnica agora tenta administrar o desgaste físico e emocional provocado pelo episódio, enquanto o clube aguarda a decisão oficial da Conmebol sobre um dos capítulos mais caóticos da atual edição da Libertadores.
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