Raio-X Tático: Flamengo domina Corinthians, mas quase transforma superioridade em sofrimento
Acompanhe todos os detalhes desta análise do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.
Imagem: Adriano Fontes/CRFRubro-Negro controlou completamente o primeiro tempo, empilhou chances e abriu o placar logo após o intervalo, mas reduziu a intensidade e permitiu a reação do Corinthians antes de recuperar a vitória no fim
O 2 a 1 do Flamengo sobre o Corinthians, neste domingo, no Maracanã, pode ser dividido em duas partidas diferentes. Na primeira, o Rubro-Negro controlou território, posse, circulação e volume ofensivo. Na segunda, depois de abrir o placar, reduziu a intensidade, permitiu que o adversário crescesse e transformou uma partida dominada em um confronto aberto até os minutos finais.
É justamente essa diferença que explica o placar apertado.
O Flamengo foi muito superior ao Corinthians durante o primeiro tempo. A equipe de Leonardo Jardim ocupou o campo ofensivo praticamente de maneira permanente e empurrou o adversário para trás. O Corinthians, montado com uma equipe bastante modificada em razão da decisão contra o Estudiantes pela Libertadores, praticamente não conseguiu sair para o jogo.
O domínio foi expressivo: o Flamengo terminou a primeira etapa com 73% de posse de bola e 16 finalizações, enquanto o Corinthians não conseguiu finalizar.
O problema rubro-negro foi outro: transformar domínio em vantagem no placar.
O Flamengo abriu o campo e isolou o Corinthians
Leonardo Jardim manteve o Flamengo estruturado para controlar a saída adversária e ocupar os corredores. A circulação começava pelos zagueiros e volantes, passava pelos jogadores de meio e buscava constantemente os lados do campo para abrir a linha defensiva corintiana.
A presença de Ayrton Lucas pela esquerda foi importante nesse mecanismo. O lateral ofereceu profundidade enquanto Samuel Lino podia receber em zonas mais adiantadas. Do outro lado, Plata também buscava criar situações de um contra um e ampliar o campo.
Com Arrascaeta circulando por dentro e Paquetá participando da construção, o Flamengo conseguiu formar superioridades ao redor da área corintiana.
O Corinthians, por sua vez, tinha dificuldades para pressionar a saída. Quando tentava avançar suas linhas, abria espaços entre meio-campo e defesa. Quando recuava, entregava ao Flamengo tempo e território para construir.
Foi por isso que o primeiro tempo teve praticamente um único protagonista.
O problema estava na última ação
O Flamengo chegava com frequência, mas faltava precisão na conclusão.
Pedro teve uma oportunidade clara diante de Hugo Souza. Ayrton Lucas também apareceu para finalizar depois do rebote. Arrascaeta participou da construção de outra grande chance para Pedro, que acabou finalizando para fora.
Hugo Souza foi importante para manter o Corinthians vivo, enquanto João Pedro Tchoca também evitou um gol praticamente certo ao afastar uma finalização de Ayrton Lucas em cima da linha.
Taticamente, porém, o mais relevante era perceber que o Flamengo estava conseguindo chegar.
A equipe não precisava necessariamente mudar sua estrutura. Precisava apenas ser mais eficiente.
Paquetá transforma a pressão em gol
A resposta veio logo no início do segundo tempo.
Aos dois minutos, Arrascaeta cobrou escanteio, Hugo Souza saiu para afastar e se chocou com um companheiro. A bola ficou na área e Lucas Paquetá apareceu para aproveitar a sobra e finalizar de esquerda.
O gol foi importante não apenas pelo placar, mas porque confirmou uma das principais virtudes do Flamengo na partida: a capacidade de ocupar a área adversária com vários jogadores.
O meio-campista não estava simplesmente esperando a bola fora da área. Paquetá atacou o espaço e apareceu exatamente onde a segunda bola poderia cair.
O Flamengo, enfim, tinha a vantagem que seu domínio merecia.
O erro tático do Flamengo veio depois do gol
É aqui que o jogo muda.
Com 1 a 0 no placar, o Flamengo diminuiu a pressão. A equipe passou a circular a bola com menos agressividade, perdeu um pouco da intensidade na recuperação após a perda e permitiu que o Corinthians respirasse.
Esse detalhe foi fundamental.
Até então, o Corinthians praticamente não havia conseguido jogar. Quando o Flamengo reduziu a pressão, o time paulista ganhou metros e começou a encontrar seus jogadores mais criativos.
Fernando Diniz aproveitou o momento para modificar a equipe. As entradas de jogadores como Rodrigo Garro e Kaio César deram ao Corinthians maior capacidade de associação e aceleração no último terço.
A equipe que praticamente não havia finalizado no primeiro tempo passou a encontrar caminhos para atacar.
O empate nasce justamente da mudança de comportamento
Aos 32 minutos, o Corinthians construiu a jogada do empate com uma sequência que mostra a diferença entre as duas etapas.
Breno Bidon encontrou Kaio César, que tabelou com Rodrigo Garro dentro da área. O atacante recebeu novamente e serviu Gui Negão, que completou para o gol.
Não foi apenas uma falha individual da defesa. O lance mostrou que o Corinthians havia conseguido transportar o jogo para zonas que não ocupava no primeiro tempo.
O Flamengo deixou de controlar o território e passou a defender mais perto da própria área.
Foi o principal alerta tático da partida para Leonardo Jardim.
Um time que havia controlado completamente o primeiro tempo não precisava necessariamente continuar atacando com a mesma intensidade. Mas precisava continuar controlando o adversário.
E durante alguns minutos deixou de fazê-lo.

Bruno Henrique e Freitas recolocam o Flamengo no caminho
O gol da vitória também teve uma construção tática interessante.
Samuel Lino participou da circulação, Jorginho deu sequência de primeira e Joaquín Freitas apareceu pela esquerda para receber e cruzar. Bruno Henrique atacou a área e ganhou da defesa pelo alto para marcar de cabeça aos 43 minutos.
Foi uma jogada simples, mas muito eficiente: circulação rápida, ocupação do corredor e ataque coordenado à área.
E existe um detalhe importante na jogada. Freitas não precisou conduzir excessivamente a bola. Recebeu em condição favorável e teve tempo para levantar a cabeça e encontrar Bruno Henrique.
O atacante, por sua vez, fez aquilo que sabe fazer como poucos: atacou o espaço entre os defensores e venceu a disputa aérea.
O gol devolveu ao Flamengo uma vitória que havia ficado ameaçada por alguns minutos.
O que o jogo mostra sobre o Flamengo de Leonardo Jardim?
A partida reforça duas características do Flamengo atual.
A primeira é positiva: a equipe tem capacidade para controlar completamente um adversário, dominar o campo e criar uma quantidade elevada de oportunidades. O primeiro tempo contra o Corinthians foi uma demonstração clara da força territorial e técnica do time.
A segunda exige atenção: quando reduz a intensidade, o Flamengo ainda pode permitir que adversários que estavam completamente neutralizados retornem ao jogo.
Isso é especialmente relevante na reta decisiva da temporada.
Contra o Corinthians, a equipe conseguiu corrigir o problema a tempo. Contra adversários mais fortes e em jogos de Libertadores, uma queda semelhante pode custar muito mais caro.
A vitória, portanto, não deve esconder o alerta.
O domínio foi real, mas a eficiência precisa acompanhar
O placar de 2 a 1 pode sugerir um confronto equilibrado. Taticamente, não foi o que aconteceu durante boa parte da partida.
O Flamengo teve amplo domínio territorial, criou diversas oportunidades e praticamente não permitiu que o Corinthians jogasse durante o primeiro tempo. O gol de Gui Negão surgiu em um momento no qual o adversário já havia conseguido mudar a dinâmica da partida.
Por isso, o principal problema do Flamengo não foi a construção ofensiva. Foi a gestão da vantagem.
A equipe criou o suficiente para matar o jogo mais cedo, mas não conseguiu transformar o volume em uma vantagem confortável. Depois, ao diminuir a intensidade, abriu espaço para uma reação que poderia ter sido evitada.
Bruno Henrique corrigiu o roteiro aos 43 minutos.
O recado antes do Del Valle
O Flamengo volta agora suas atenções para a Libertadores. Na quinta-feira, novamente no Maracanã, o time recebe o Independiente del Valle pela partida de volta das quartas de final, depois de vencer por 2 a 0 em Quito.
A classificação está bem encaminhada, mas o jogo contra o Corinthians deixa uma lição que Leonardo Jardim certamente vai considerar: controlar uma partida não significa apenas ter a bola e criar chances. Também significa saber impedir que o adversário volte ao jogo quando o placar está favorável.
O Flamengo mostrou força para dominar. Mostrou profundidade para decidir no banco. Mostrou poder de reação depois do empate e voltou à liderança do Brasileirão.
Mas também mostrou que ainda precisa aperfeiçoar a administração dos momentos de menor intensidade.
Contra o Corinthians, Bruno Henrique apareceu para evitar que o domínio se transformasse em frustração. Contra o Del Valle, em uma noite de Libertadores, a margem para esse tipo de descuido será muito menor.
O resultado mantém o Flamengo no topo. O desempenho mostra que a equipe continua forte. O detalhe que fica para Leonardo Jardim é outro: quando o Flamengo controla um jogo dessa maneira, precisa aprender a fechá-lo antes que o adversário tenha a chance de reabrir a partida.

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