Raio-X Tático: Flamengo tem vantagem preciosa contra o Del Valle, mas Jardim enfrenta uma armadilha no Maracanã
Acompanhe todos os detalhes desta análise do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.
Imagem: Gilvan de Souza/CRFRubro-Negro venceu por 2 a 0 em Quito e pode perder por um gol para avançar, mas postura de Leonardo Jardim será decisiva para evitar que a vantagem se transforme em acomodação
O Flamengo chega ao jogo de volta das quartas de final da Libertadores em uma situação que qualquer treinador gostaria de ter: vantagem de dois gols construída fora de casa e a decisão diante de mais de 70 mil torcedores no Maracanã.
Mas existe uma armadilha escondida nesse cenário.
O placar conquistado em Quito permite ao Flamengo perder por até um gol de diferença e ainda assim garantir a classificação para a semifinal. Se o Independiente del Valle vencer por dois gols de diferença, a decisão vai para os pênaltis. Uma derrota por três gols elimina o Rubro-Negro.
Na matemática, portanto, o Flamengo está muito perto da classificação.
No futebol, ainda não.
E Leonardo Jardim terá uma decisão importante pela frente: como administrar a vantagem sem transformar o time em uma equipe excessivamente passiva?
Em resumo: o Flamengo venceu o Independiente del Valle por 2 a 0 em Quito e chega ao jogo de volta das quartas de final da Libertadores com uma vantagem importante no Maracanã. O time de Leonardo Jardim pode até perder por um gol de diferença e ainda avançar à semifinal, mas precisará evitar a acomodação. Com o Del Valle obrigado a atacar, o Flamengo terá espaços para explorar nos contra-ataques, enquanto a posse de bola, a intensidade e o controle emocional serão fundamentais para confirmar a classificação.
O 2 a 0 mudou completamente a eliminatória
Quando Bruno Henrique abriu o placar em Quito, o jogo mudou de cenário. Quando Léo Pereira marcou o segundo, a situação do Flamengo ficou ainda mais confortável.
A vitória por 2 a 0 também teve um peso especial porque aconteceu em uma altitude de 2.850 metros e encerrou uma sequência de partidas em que o Flamengo havia sofrido gols contra o Del Valle no Equador. Pela primeira vez, o Rubro-Negro deixou o confronto sem ser vazado naquele cenário.
O resultado mostrou uma equipe capaz de sofrer em determinados momentos sem perder completamente a organização.
Agora, porém, será o Del Valle quem precisará assumir riscos.
E essa mudança pode favorecer ainda mais o Flamengo.

O adversário não pode esperar
O Independiente del Valle chega ao Maracanã sabendo que precisa marcar.
Isso significa que a equipe equatoriana terá de avançar suas linhas, aumentar o número de jogadores no campo ofensivo e procurar mais presença dentro da área.
Para o Flamengo, isso abre uma possibilidade clara: atacar os espaços deixados pelo adversário.
A equipe de Jardim mostrou durante a temporada que consegue ser perigosa quando encontra campo para acelerar. Samuel Lino, Gonzalo Plata, Arrascaeta, Pedro, Bruno Henrique e Carrascal oferecem diferentes maneiras de explorar uma defesa que precisará se expor.
A questão será saber quando acelerar.
O Flamengo não precisa transformar a partida em uma corrida.
Precisa obrigar o Del Valle a correr atrás da bola.
A maior ameaça pode ser o próprio Flamengo
É justamente aqui que está a principal armadilha.
Com dois gols de vantagem, existe uma tendência natural de reduzir o risco. O problema é que recuar demais pode entregar ao Del Valle aquilo que o time equatoriano mais precisa: confiança.
Um gol muda completamente o ambiente do Maracanã.
Se o visitante marcar cedo, a vantagem que hoje parece confortável pode se transformar em pressão. O Flamengo passaria a administrar um placar de 2 a 1 no agregado, enquanto o adversário ganharia energia para buscar o segundo.
Por isso, controlar o jogo não significa necessariamente ficar atrás.
Pode significar manter a posse, ocupar o campo ofensivo e impedir que o adversário tenha sequência de ataques.
O primeiro gol será estratégico
Existe uma diferença enorme entre começar a partida vencendo por 2 a 0 no agregado e começar vencendo por 3 a 0.
Se o Flamengo marcar primeiro, praticamente desmontará a necessidade do Del Valle acreditar em uma reação. O adversário precisaria de quatro gols para avançar diretamente.
Se o Del Valle marcar primeiro, por outro lado, a partida ganha uma tensão que poderia ser evitada.
Por isso, o primeiro gol terá valor muito maior do que apenas estatístico.
Ele determinará o comportamento das duas equipes.
O desgaste também entra em campo
Leonardo Jardim não terá apenas um adversário pela frente.
Terá também o calendário.
O Flamengo enfrentou o Del Valle em Quito no dia 10, voltou ao Brasil e encarou o Corinthians no domingo, vencendo por 2 a 1 e retomando a liderança do Brasileirão com 57 pontos. Agora terá a decisão continental na quinta-feira.
A sequência exige gerenciamento físico.
Contra o Corinthians, Jardim já precisou trabalhar com uma equipe que vinha de uma viagem desgastante e ainda teve de recorrer ao banco para buscar a vitória depois do empate.
Agora, porém, não existe espaço para uma equipe desconectada.
O Flamengo precisa ser intenso o suficiente para controlar a partida, mas inteligente o suficiente para não transformar o jogo em uma batalha física desnecessária.
O Maracanã será parte da estratégia
Mais de 70 mil torcedores acompanharam a vitória sobre o Corinthians no domingo, e a expectativa é novamente de um Maracanã cheio na decisão continental. O apoio da torcida pode ter papel importante principalmente nos primeiros minutos.
O Flamengo pode usar esse ambiente para pressionar o Del Valle desde o início.
Mas existe uma diferença entre pressionar e se precipitar.
A equipe de Jardim não precisa marcar nos primeiros cinco minutos para fazer um bom jogo.
Pode fazer o adversário correr atrás da bola, trocar passes, encontrar Arrascaeta entre as linhas e acelerar somente quando surgir o espaço.
Quanto mais tempo o Del Valle passar sem marcar, maior será a pressão sobre a equipe equatoriana.
Jardim tem peças para mudar o jogo
Outro fator importante é a profundidade do elenco.
A vitória contra o Corinthians mostrou novamente essa característica. Bruno Henrique saiu do banco e marcou o gol da vitória. Joaquín Freitas deu a assistência. Carrascal entrou durante a partida. O Flamengo conseguiu encontrar soluções mesmo depois de sofrer o empate.
Isso dá ao Jardim uma vantagem estratégica.
O treinador pode começar com uma equipe preparada para controlar o jogo e guardar alternativas capazes de aumentar a velocidade no segundo tempo.
Ou pode optar por começar pressionando e administrar posteriormente.
A escolha dependerá também das condições físicas dos titulares.
O Del Valle terá de se expor
Existe uma situação que pode favorecer especialmente o Flamengo: quanto mais o relógio avançar sem gol equatoriano, maior será a necessidade do Del Valle de correr riscos.
A partir de determinado momento, a equipe visitante terá de colocar mais jogadores no ataque.
E uma defesa que sobe precisa deixar espaços.
O Flamengo pode explorar exatamente isso.
Em vez de buscar uma pressão constante durante os 90 minutos, pode escolher momentos para acelerar. Uma recuperação de bola no meio-campo pode virar uma transição perigosa em poucos segundos.
Essa pode ser uma das principais armas da partida.

O Flamengo precisa jogar como líder, não como time acuado
O momento do Rubro-Negro também pesa.
O Flamengo venceu o Corinthians por 2 a 1, reassumiu a liderança do Brasileirão e chegou aos 57 pontos, um à frente do Palmeiras. Ao mesmo tempo, abriu 2 a 0 contra o Del Valle e está a uma partida da semifinal da Libertadores.
É um cenário de confiança.
E talvez a melhor maneira de proteger a vantagem seja justamente jogar de acordo com essa confiança.
O Flamengo não precisa se comportar como uma equipe desesperada para defender dois gols.
Pode se comportar como o time que venceu fora de casa.
Pode ter a bola, pode atacar, pode pressionar e pode escolher quando diminuir o ritmo.
A vantagem é grande, mas não pode virar acomodação
O Flamengo construiu em Quito uma das situações mais favoráveis possíveis para um jogo de volta.
Dois gols de vantagem.
Maracanã lotado.
Liderança do Brasileirão.
Elenco pesado e motivado.
E um adversário obrigado a atacar.
O cenário é excelente.
Mas justamente por isso exige inteligência.
Leonardo Jardim terá de impedir que a tranquilidade se transforme em acomodação. O Flamengo não precisa correr riscos desnecessários, mas também não pode abandonar as características que o fizeram vencer no Equador.
A classificação está muito próxima.
Para alcançá-la, porém, o Rubro-Negro terá de jogar os 90 minutos como se a vantagem fosse uma ferramenta — e não uma garantia.
Na quinta-feira, o Flamengo não precisará de uma nova grande atuação para avançar.
Precisará de uma atuação madura.
E, para um time que pretende disputar novamente o topo do futebol sul-americano, talvez esse seja o próximo teste de Leonardo Jardim: provar que o Flamengo também sabe ganhar quando a obrigação é controlar uma vantagem, e não correr atrás de um resultado.

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