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História

FLAMENGO: UM CLUBE DE VANGUARDA

Do pioneirismo tático nos anos 30 à revolução na gestão moderna: como o Rubro-Negro transformou a história do futebol brasileiro dentro e fora de campo

Publicado em 03 de junho de 2026
312 visualizações
Por Carlão Azevedo
FLAMENGO: UM CLUBE DE VANGUARDAImagem: Arte Fla10

Apesar do Flamengo não ser o pioneiro do futebol profissional – o Sport Club Rio Grande, hoje na terceirona do Gauchão, é de julho de 1900, enquanto o futebol rubro-negro é de 1912 – o Mais Querido do Brasil tem a história repleta de pioneirismos.

O primeiro uniforme alternativo e a revolução tática de Dori Kuschner

Chegando ao clube em 1937, o húngaro Izidor “Dori” Kuschner implementa uma mudança tática e outra estética: no campo de jogo, o treinador implementa pela primeira vez no futebol brasileiro o esquema 2-3-5, o famoso “W-M” (até então se jogava com seis atacantes!). Já no plano estético, Dori sugere a utilização de um uniforme na cor branca para facilitar a visualização em jogos à noite, ou seja, o Flamengo é o primeiro clube do Brasil a ter um uniforme alternativo – somente o simpático São Cristóvão resiste, jogando até hoje sempre trajado 100% na cor branca.

Avançamos para os anos 1940, onde o icônico técnico Flávio Costa, o que mais treinou o Flamengo na história (746 jogos), fixa o jogador central do “W-M” à frente da zaga, o argentino Carlos Volante. Cabeça de área? Meia defensivo? Trinco, como se diz em Portugal? Para nós brasileiros, volante é autoexplicativo.

Zagallo e o nascimento do ponta moderno

Já na década de 1950, surge no time da Gávea um ponta-esquerda que, sem a bola, volta à linha de meio-campistas para ajudar o setor tanto defensivamente quanto na armação: Mário Jorge Lobo Zagallo, nosso “Velho Lobo”. Sua importância tática foi tão marcante que na Copa de 1958 ele tira a titularidade do craque santista Pepe, o “Canhão da Vila”, e deixa de fora do “scratch” canarinho o habilidoso e não menos craque cearense Canhoteiro, então jogador do São Paulo. Jogadores marcantes e multicampeões da posição, como Lico e Zinho levaram adiante a tradição.

A revolução administrativa liderada por Márcio Braga

No fim da década de 1970, a revolução é da gestão: a FAF – Frente Ampla pelo Flamengo, capitaneada pelo jovem tabelião Márcio Braga, revoluciona o clube administrativamente e se torna o primeiro clube a cobrar direitos de transmissão de emissoras de TV, o que ocasionou, inclusive, um grave atrito com o todo-poderoso Roberto Marinho, rubro-negro dono do Grupo Globo, cuja TV havia coberto amplamente a chegada da FAF ao poder.

O primeiro a ter patrocinador de camisa e a criação do Clube dos 13

As mudanças não pararam por aí: já na década de 1980, o Flamengo se torna o primeiro clube do Brasil a estampar uma marca em sua camisa, a do óleo Lubrax, da Petrobras, além de liderar o primeiro projeto de uma liga nacional de clubes, com a criação do Clube dos 13, e a “Copa União”, ideia do brilhante publicitário flamenguista João Henrique Areias, em 1987.

O Flamengo como referência de gestão no século XXI

Por fim, não podemos esquecer do Flamengo como clube revolucionário do século 21: balanços publicados, contas auditadas, austeridade financeira e fomento institucional à Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, servindo como exemplo de gestão responsável para as demais agremiações. Portanto, é inegável admitir a importância transformadora do Flamengo para a modernização do esporte no Brasil, dentro e fora de campo.

Uma história de inovação permanente

Ao longo de mais de um século de existência, o Flamengo não apenas acumulou conquistas e ídolos. O clube participou ativamente da construção do futebol brasileiro moderno, influenciando aspectos táticos, administrativos, comerciais e institucionais que hoje fazem parte da rotina do esporte.

Da criação do uniforme alternativo ao surgimento da posição de volante, da profissionalização das transmissões televisivas à modernização da gestão esportiva, o Flamengo deixou marcas profundas que ultrapassam suas próprias fronteiras.

Por isso, quando se analisa a evolução do futebol brasileiro, é impossível ignorar o papel transformador desempenhado pelo Mais Querido ao longo de sua história. O Flamengo não apenas acompanhou as mudanças do esporte: em muitos momentos, foi ele quem as liderou.

Imagem secundária para FLAMENGO: UM CLUBE DE VANGUARDAImagem: Carlos Volante

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