Siga o FLA10

Flamengo crest
Flamengo
vs
Corinthians crest
Corinthians

Brasileirão - 27 rodada

13 de setembro, 202617:30
Publicidade

Publicidade

728x90

Flamengo na História

Relembre os momentos que marcaram nossa trajetória.

História

Zizinho, o Mestre de Pelé: A Carreira do Primeiro Grande Gênio Rubro-Negro

Antes de o Maracanã existir, antes de a camisa 10 se tornar uma mística universal e muito antes de o Rei Pelé assombrar o planeta, o futebol brasileiro já tinha o seu arquiteto supremo. Seu nome era Thomaz Soares da Silva, mas para a eternidade da bola e para a memória afetiva da Nação, ele sempre será Zizinho — ou simplesmente "Mestre Ziza”

Publicado em 11 de setembro de 2026
4 visualizações
Por Redação Fla10
Zizinho, o Mestre de Pelé: A Carreira do Primeiro Grande Gênio Rubro-NegroImagem: Acervo

Primeiro semideus a ditar os rumos táticos e emocionais da Gávea, Zizinho não apenas empilhou títulos: ele desenhou a matriz genética do craque rubro-negro, unindo refino cirúrgico, inteligência cósmica e uma entrega quase dramática pelo Manto Sagrado.

Imagem

O Garoto de Niterói e a Herança do Diamante Negro

A lenda começou em 1939. Vindo do modesto Byron de Niterói aos 17 anos, o jovem franzino pisou no campo da Gávea para um teste sob os olhos de águia do técnico Flávio Costa. Reza a crônica da época que o titular absoluto, Leônidas da Silva — o já consagrado "Diamante Negro" e inventor da bicicleta —, machucou-se no coletivo. Chamado às pressas para compor o time, Zizinho pegou na bola, entortou veteranos com cortes secos e marcou dois gols. Flávio Costa não teve dúvidas: contratou o garoto no mesmo dia.

Zizinho não veio para ser sombra; veio para assumir a batuta. Ao lado de gigantes como o zagueiro Domingos da Guia (a personificação da elegância defensiva), o artilheiro implacável Sylvio Pirillo, Perácio, Vaguinho e o capitão Bria, Zizinho orquestrou o período mais dominante da história inicial do futebol flamenguista. Com o Manto Sagrado, disputou 318 partidas e anotou 146 gols, tornando-se a referência incontestável de um time que arrastava multidões.

O esquadrão tricampeão de 1944; Jurandyr, Canegal, Quirino, Biguá, Bria, Jayme, Zizinho, Valido, Vevé, Tião e Pirillo - Acervo
O esquadrão tricampeão de 1944; Jurandyr, Canegal, Quirino, Biguá, Bria, Jayme, Zizinho, Valido, Vevé, Tião e Pirillo - Acervo

A Alquimia do Tri (1942–1944): A Dupla Dinâmica com Sylvio Pirillo

Se Leônidas da Silva havia colocado o Flamengo nos trilhos do profissionalismo, foi a combinação entre o raciocínio fulminante de Zizinho e o oportunismo cirúrgico de Sylvio Pirillo que ergueu a primeira grande dinastia do clube. Pirillo chegara com a ingrata missão de substituir o "Diamante Negro" — e cumpriu o papel quebrando o recorde histórico com 39 gols em 1941 —, mas faltava o toque refinado que transformaria gols isolados em troféus em série. Esse toque veio da meia-cancha comandada pelo garoto Ziza.

Imagem

1942 — A consagração da cadência: Zizinho assumiu de vez a camisa e a batuta da equipe. Em campo, sua leitura de jogo atraía zagueiros para abrir clareiras que Pirillo atacava sem piedade. O título de 1942 veio com autoridade em campanha de 20 vitórias em 27 jogos, culminando em um empate tenso com o Fluminense que selou o primeiro passo da conquista.

1943 — A afirmação tática: Sob os métodos disciplinados de Flávio Costa, o Flamengo tornou-se uma máquina de ocupar espaços. Zizinho jogava em ritmo de marcha e explosão: desacelerava a bola quando o jogo pedia fôlego e desferia passes em profundidade rasgando defesas adversárias. O bicampeonato veio com Pirillo castigando as redes em jogos decisivos contra América e Vasco.

1944 — A glória dramática na Gávea: O fechamento da trinca exigiu superação absoluta contra o lendário "Expresso da Vitória" do Vasco. Em 29 de outubro de 1944, com o estádio da Gávea tomado por mais de 20 mil pessoas, o duelo seguia empatado e tenso até os 41 minutos do segundo tempo. O Flamengo suportou a pressão, e um lance antológico garantiu o primeiro tricampeonato da história rubro-negra.

A simbiose era perfeita: nos três anos do Tri, enquanto Pirillo empilhava redes balançadas, Zizinho era o cérebro que pensava cada jogada antes que os rivais sequer percebessem o perigo.

Acervo
Acervo

O Peso do Craque: Uma Enciclopédia com Chuteiras

Na década de 1940 e início dos anos 1950, Zizinho era amplamente considerado o jogador mais completo do mundo. Diferente dos meias lentos ou dos pontas mecânicos de sua era, Ziza aliava técnica prodigiosa a um vigor atlético moderno. Cobrava faltas, cabeceava com precisão milimétrica, driblava em um metro quadrado de terreno e disparava arremates venenosos com as duas pernas.

Durante a Copa do Mundo de 1950, o respeitado jornalista italiano Giordano Fattori, do La Gazzetta dello Sport, tentou resumir o espanto europeu diante do craque:

"O futebol de Zizinho não é apenas jogo de bola; é música executada com os pés. Ele joga xadrez enquanto os outros correm. É o Leonardo da Vinci dos gramados.”

Acervo
Acervo

Seleção Brasileira: Do Baile Sul-Americano ao Drama de 1950

Com a camisa verde e amarela, Zizinho viveu o esplendor técnico e as dores da fatalidade. Em 1949, liderou o Brasil na conquista avassaladora do Campeonato Sul-Americano (atual Copa América), tratorando os rivais continentais em uma campanha com mais de 40 gols marcados. Até hoje, divide com o argentino Norberto Méndez o recorde histórico de artilharia da Copa América, com 17 gols anotados.

Na Copa do Mundo de 1950, mesmo desfalcando o time nas duas primeiras partidas por lesão, retornou para assinar atuações monumentais contra Iugoslávia e Espanha no recém-inaugurado Maracanã. Apesar do luto nacional na decisão contra o Uruguai, a crítica internacional foi unânime: Zizinho foi eleito o melhor jogador de toda a Copa do Mundo de 1950.

Acervo
Acervo

Alma Rubro-Negra: O Amor que Sobreviveu à Punhalada

A relação de Zizinho com o Flamengo transcendeu os 90 minutos: era devoção pura. Ziza era apaixonado pelas três cores (o branco da época, o vermelho e o preto) e pela torcida da Gávea. No entanto, sua história no clube carrega também uma das páginas mais dolorosas do futebol nacional.

Às vésperas do Mundial de 1950, a diretoria do Flamengo, presidida por Dario de Melo Pinto, negociou Zizinho com o Bangu sem consultá-lo. O craque só soube da transação pelos jornais. A mágoa com os cartolas foi profunda e o acompanhou pela vida inteira — ele jurou nunca mais vestir a camisa do clube como profissional —, mas seu coração continuou irremediavelmente rubro-negro. Mesmo enfrentando o Flamengo por Bangu e São Paulo, Zizinho declarava em conversas íntimas que o sentimento pelas cores da Gávea nunca se apagou.

Acervo
Acervo

O Dia em que o Mestre Despedaçou o Próprio Peito

O futebol guarda ironias cruéis, mas poucas foram tão dramáticas quanto o reencontro de Zizinho com o seu clube de coração. Em 1951, vestindo a camisa alvirrubra do Bangu, o craque pisou no gramado para enfrentar o Flamengo pelo Campeonato Carioca. O estádio testemunhou uma exibição de gala: com a precisão cirúrgica de quem conhecia cada centímetro dos atalhos da Gávea, Ziza regeu uma sonora vitória do Bangu e marcou gols que silenciaram a multidão.

Mas o que parecia vingança era, na verdade, um suplício. Ao balançar as redes contra o Manto que tanto amava, Zizinho não comemorou. Pelo contrário: desabou em lágrimas no próprio gramado.

"Foi a coisa mais triste da minha vida. Eu jogava para cumprir meu dever de profissional, mas cada gol que fazia no Flamengo parecia uma facada no meu próprio peito.”

A cena entrou para a crônica esportiva como a prova definitiva de um amor incurável: mesmo chutando para o gol adversário, o coração do Mestre continuava batendo em vermelho e preto.





Acervo
Acervo

A Linhagem dos Gênios: De Pelé a Zico

A prova definitiva da magnitude de Zizinho reside no testemunho das lendas que moldaram as eras seguintes:

O Ídolo do Rei: Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, nunca hesitou quando perguntado sobre quem havia sido seu grande mestre: "Zizinho era o jogador mais completo que vi. Ele fazia tudo com perfeição: cabeceava, driblava em velocidade, passava, marcava e chutava. Ele foi meu grande espelho na infância.”

A Escola de Gérson: O "Canhotinha de Ouro", maestro do Tri em 1970 e filho de Clovis Pestana (amigo pessoal de Zizinho), cresceu assistindo às preleções práticas de Ziza nos fins de semana e confessava que seus lançamentos teleguiados de 40 metros nasceram observando o estilo do veterano.

O Reconhecimento do Galinho: Arthur Antunes Coimbra, o Zico, sempre reverenciou Zizinho como a certidão de nascimento da mística da camisa 10 rubro-negra. Para Zico, não se entendia o futebol arte do Flamengo sem a pedra fundamental fincada por Mestre Ziza na década de 1940.

Divulgação - Maracanã
Divulgação - Maracanã

A Imortalidade na Calçada da Glória

Falecido em 2002, em sua Niterói natal, Thomaz Soares da Silva teve sua pegada eternizada na Calçada da Fama do Maracanã logo no ano 2000, integrando também o Hall da Fama do Futebol Brasileiro e tendo destaque absoluto no Memorial e Museu de Ídolos da Gávea.

Mais do que taças ou recordes estatísticos, a trajetória de Zizinho é o lembrete vivo de que o futebol brasileiro e a identidade do Clube de Regatas do Flamengo não começaram por acaso. Antes de o mundo se curvar ao Rei, o futebol teve um Mestre — e ele jogou de vermelho e preto.

Acervo
Acervo

Publicidade

728x90

Outros Momentos Históricos

Publicidade

728x90